quarta-feira, 5 de junho de 2019

Filosofia da Mente – Walter Menon

Editora: InterSaberes

ISBN: 978-85-5972-040-2

Opinião: ★★★☆☆

Páginas: 280

Sinopse: Questões acerca da mente ocupam o centro de debates filosóficos, religiosos e científicos. Afinal, o que é a mente? Do que ela é constituída? Como podemos entendê-la em relação ao cérebro? Esses são apenas alguns dos questionamentos que surgem ao tratarmos desse tema. Indagações que existem desde Platão e para os quais, até hoje, não encontramos respostas conclusivas – e talvez nunca possamos encontrar. No entanto, a filosofia continua se dedicando a investigar esses problemas, promovendo reflexões que levam à exploração de ideias, teorias e conceitos que são fortemente instigantes.



“Mentes têm, necessariamente, corpos. Sem os entes ou substâncias materiais complexas que são nossos corpos, não haveria nossas mentes. Porém, ao nos referirmos a nós mesmos em uma conversação, não apontamos para nosso corpo ou para parte de nosso corpo. Ainda que a mente dependa do corpo, não é parte do corpo nem constituída pelo corpo, que de fato é um ente composto de partes que não se identificam com o corpo e tampouco com a mente. O cérebro de Pedro não é Pedro e, embora Pedro compartilhe algumas propriedades com seu corpo, como altura e peso, essas propriedades não definem Pedro. Quando Pedro se utiliza do pronome eu em uma conversação para se referir a ele próprio, ao que, exatamente, ele está fazendo referência? O que é esse “eu” que Pedro é? Seria uma substância indivisível, sem extensão, como queria Descartes? Isso é uma substância simples? Se esse não é o caso, do que seria composta a mente?

Tendo em vista que a mente de alguém não é seu corpo nem mesmo uma parte do corpo, podemos afirmar que algumas partes do corpo, evidentemente, não pertencem à mente daquela pessoa, ou seja, não compõem sua mente. No entanto, isso não elimina a hipótese de que a mente seja uma substância composta. Pode não ser composta de substâncias simples materiais, entretanto, nada impede de entendermos a mente como um composto de estados e estruturas psicológicas.

Temos faculdades cognitivas, de percepção, de imaginação; temos conceitos de todo tipo e nossa mente realiza funções como calcular, elaborar pensamentos, memorizar acontecimentos. Todavia, do fato de que podemos falar de faculdades, conceitos etc. como propriedades da mente, não se deduz que essas propriedades sejam partes da mente, componentes que, somados, constituem a mente. Pensar uma mente em particular sem qualquer uma dessas faculdades é muito parecido com pensarmos na casa de blocos de montar sem algumas peças. Conforme subtraímos as peças, a casa paulatinamente perde sua funcionalidade até desaparecer, o mesmo ocorrendo com a mente quando perde suas faculdades. A ênfase aqui, portanto, é sobre a relação entre propriedades e função. Talvez falar em faculdades da mente seja apenas outra forma de nos referirmos à sua organização funcional, e não exatamente a propriedades ou partes constitutivas da mente entendida como um ente ou substância.

Afirmamos anteriormente que, ao associarmos a noção de mente à noção de “eu”, torna-se claro que este compartilha de certas partes do corpo. Quando digo que tenho 1,75m de altura, refiro-me a uma característica minha, ou seja, a mim, ou a meu “eu”, por meio de uma medida do meu corpo. Mas esse tipo de propriedade que o “eu” compartilha com o corpo não contradiz o fato de que a mente é uma substância simples, isto é, indivisível quanto à sua natureza. Altura ou volume não são componentes da mente ou de um ente complexo, que é o corpo, no mesmo sentido que um olho é um componente. Os pensamentos e sentimentos de uma pessoa qualquer não são pensamentos do seu corpo nem mesmo de seu cérebro, isto é, não compõem seu cérebro.

Por fim, mentes, segundo essa concepção, além de possuírem, é claro, propriedades mentais, também possuem propriedades materiais, mas não se reduzem aos corpos nos quais residem tais propriedades materiais.

Se, por um lado, a ideia de interação entre mente e corpo encontra-se no centro dessa proposta teórica, por outro, entender o modo como ocorre essa interação continua problemático. De que maneira a mente, que não é idêntica ao corpo e tampouco a uma qualquer parte sua, age sobre ele? Desejo pegar um objeto, decido, então, estender o braço para pegá-lo e, efetivamente, meu braço se movimenta em direção ao objeto. Saber como isso é possível permanece em aberto, basta lembrarmos que, para o sistema da física contemporânea, eventos físicos têm necessariamente causas físicas e, portanto, a mente não é contemplada como capaz de causar algo no mundo físico. Outra dificuldade que se apresenta é quanto à relação linear e direta de causalidade que o dualismo defende. Pensar que um estado mental causa uma ação corporal, por exemplo, incorre em certos absurdos quando pensamos na cadeia causal de maneira retrospectiva, ou seja, ao inverso.”

 

 

“O behaviorismo é a tese segundo a qual atribuímos um estado mental correspondente a um comportamento observado. Cada estado mental é, consequentemente, relacionado e reduzido a uma disposição comportamental. Vale ressaltar que o estado mental não causa um comportamento, ele é esse comportamento. Assim como no empirismo, para o behaviorismo não há conhecimento produzido pela mente, apenas aqueles comportamentos observados, que são chamados de estados mentais. Todo objeto existente é material.

Uma objeção à tese behaviorista é a de que um comportamento nem sempre é suficiente para descrever um estado mental, pois um comportamento pode ser fingido, imitado, dissimulado ou até mesmo mascarado, suprimido. A teoria limita-se a tratar como estado mental aquilo que é rigorosamente observado, sem ter o poder de saber com absoluta certeza qual é o estado mental que outra mente, que não a do observador, experimenta. As disposições comportamentais não são também necessárias para que exista um estado mental qualquer, como mostrado no argumento de Putnam (Philosophical Papers, 1979). Posso sentir algo sem demonstrar em comportamento físico que sinto esse algo; dessa maneira, nem todo enunciado formulado mentalmente pode ter sua comprovação verificada experimentalmente.”

 

 

“Para Ryle, falar em estados mentais é falar de uma entidade que não possui significado, é falar de algo que não possui referência. Portanto, poderíamos falar apenas em comportamentos. O que ele procura mostrar é a recorrente confusão linguística que fazemos quando, ao falarmos de estados mentais, atribuímos a esse estado um comportamento no mundo, como se estivéssemos nos referindo a um ente no mundo, o que não é o caso. Incorre-se no mesmo erro se pensarmos poder haver mentes independentes dos comportamentos observados das pessoas. Mentes e corpos não existem da mesma maneira, não são da mesma categoria de entes, como é afirmado pelo dualismo cartesiano, por exemplo.”

 

 

“Primeiramente, discordando do dualismo apresentado por Descartes, nas tendências contemporâneas, a mente não existe sem um corpo, sem estar associada a uma materialidade. Não quer dizer, com isso, que a mente seja necessariamente material, mas que, sem esse suporte, ela não existe. Também não quer dizer que ela seja o próprio corpo, embora dependa dele para existir, nem constituída pelo corpo, como se este fosse uma parte dela. Embora a mente seja constituída de propriedades essenciais que não são propriedades do corpo, tais como os conceitos, as ideias etc., não pode ser inferido que a mente seja uma composição dessas propriedades. De todo modo, nas teses dualistas, a mente resguarda sempre uma unidade que não se resume à matéria. Disso decorre o problema da interação, da causalidade entre as duas substâncias: mente e corpo. O dualismo não procura reduzir tudo a uma explicação causal física, como se os eventos mentais fossem resultados diretos dos efeitos físico-químicos produzidos pelo cérebro.”

 

 

“O funcionalismo considera os estados mentais não mais como substâncias, pelo que são, pelo caráter ontológico, mas pela função que desempenham, por aquilo que realizam, pelo caráter funcional. A mente humana, por exemplo, é considerada como o conjunto de funções exercidas pelo cérebro, embora nada impeça, ao menos teoricamente, que tais funções sejam realizadas por algo que não seja o cérebro humano. Como leva em consideração as funções exercidas por qualquer sistema material, o funcionalismo é, nesse sentido, um tipo de materialismo. O que importa é somente o nexo relacional entre os inputs e os outputs, a função exercida por eles, e não do que eles são constituídos.”

 

 

“Então, o que faz que um ser seja inteligente? Basicamente o fato de que ele divide o ambiente em que vive em várias partes, vários subconjuntos, mais simples de serem conhecidos e controlados, e utiliza esse conhecimento para planejar e decidir suas ações. As sensações captadas e processadas em informações acerca do mundo exterior constituem a primeira etapa do conhecimento estruturado. A capacidade de representar de maneira adaptativa o ambiente decorre de um segundo momento no processo cognitivo, no qual a combinação de conhecimentos produz uma ação com vistas a agir sobre o ambiente. Essa capacidade pressupõe a aprendizagem de novas informações que são arquivadas com o objetivo de modificar conhecimentos adquiridos, percepções e ações; a eficiência no processo de aprender as informações depende da circulação destas entre os indivíduos, ou seja, depende da comunicação.

No ser humano, essa comunicação se processa por meio da linguagem verbal, sobretudo. Isso confere à nossa espécie uma condição ímpar em relação à capacidade de estocar, representar e enviar informações. Nesse sentido, cognição é um processo que envolve desde a percepção, passando pela organização conceitual, raciocínio, aprendizagem e ação. Em todas essas etapas, encontra-se a troca de informação. Naturalmente, o sistema nervoso central é o ator principal desse processo e nisso reside um dos principais temas de pesquisa e debate no âmbito das ciências cognitivas, tendo em vista que a aposta na IA depende fundamentalmente de que a definição de mente esteja subsumida em grande medida à capacidade de se entender os processos cognitivos e, ainda, de entendê-los como desvinculados da parte material de seus mecanismos cerebrais.”

 

 

“Em suma, a filosofia da mente, embora tenha por horizonte fornecer respostas aos problemas que envolvem a relação entre mente e corpo, não tem em seu escopo respostas conclusivas. Ela permanece um campo de exploração em constante dependência dos progressos da neurociência e das ciências cognitivas, assim como das teorias evolucionistas e de outras áreas das ciências exatas. O papel da filosofia da mente é o de problematizar soluções que parecem definitivas e ajustar os dados científicos aos pressupostos conceituais filosóficos, e estes a argumentos lógicos. A ficção científica pode sonhar com robôs humanoides, mas a filosofia não pode se dar ao luxo de subestimar os problemas lógico-conceituais envolvidos nesse projeto.”

Sou Péssimo em Inglês: tudo que você precisa saber para alavancar de vez seu aprendizado – Carina Fragozo

Editora: HarperCollinsBrasil
ISBN: 978-85-9508-368-4
Opinião: ★★★☆☆
Páginas: 160
Sinopse: Pode não parecer, mas estudar inglês não é coisa de outro mundo. Falta de foco, dificuldade de entender o que é falado, medo de errar e falta de afinidade com a língua podem ser pedras no sapato de quem está tentando aprender o idioma mais influente do mundo. Em Sou péssimo em inglês, a professora Carina Fragozo, do canal English in Brazil, analisa todos esses problemas e explica as soluções, com dicas práticas para ajudar todo leitor a mudar sua relação com a língua inglesa e extrair dela o melhor que puder.



“Independentemente do seu objetivo, estudar inglês só uma vez por semana é mancada. Se quiser acelerar seu aprendizado, organize-se para estudar ou ter algum contato com a língua inglesa praticamente todos os dias, pois é muito mais eficiente se dedicar a estudar nem que seja vinte minutinhos diariamente do que passar o domingo inteiro em cima dos livros e depois só retomar os estudos na outra semana. A ideia que você verá ao longo de todo este livro é trazer o inglês para a sua vida para que você não só aprenda com mais rapidez e facilidade, como também não esqueça tudo aquilo que já estudou.”


“O fato é que, durante o processo de aprendizagem, erros serão inevitavelmente cometidos, tanto no sentido de “desvios da norma culta” quanto no sentido de “produção de frases agramaticais”, ou seja, que não existem no idioma que está sendo adquirido. Não podemos negar que a palavra “erro” geralmente vem carregada de um sentido negativo, algo a ser evitado de todas as formas, mas é importante estarmos cientes de que os nossos erros são uma evidência de que o aprendizado está acontecendo, uma etapa muito importante de todo esse processo. Por mais clichê que isso possa parecer, é errando que se aprende!
Mas, por que erramos? E de onde vêm os nossos erros? Bem, podemos classificar os erros cometidos pelos aprendizes de idiomas em pelo menos duas grandes categorias: erros de transferência e erros de desenvolvimento. Os erros de transferência são aqueles que resultam da influência da nossa língua materna. Muitos erros que cometemos na língua inglesa são influência do nosso conhecimento da língua portuguesa. Vejamos alguns exemplos:

ERROS DE TRANSFERÊNCIA

GRAMÁTICA 

ERRO: I have 20 years.
FORMA ESPERADA: I am 20 years old.

PRONÚNCIA
ERRO: I’m afraid of hats [hæts].
FORMA ESPERADA: I’m afraid of rats [ræts].

USO
ERRO: Waiter, I want a Coke.
FORMA ESPERADA: Can I have a Coke, please?
Perceba que, por influência do português, é comum cometermos erros de gramática como I have 20 years, tradução literal de Eu tenho 20 anos. Também cometemos erros de pronúncia como I’m afraid of [hæts], que significa Tenho medo de chapéus (hats), em vez de I’m afraid of [ræts], que significa Tenho medo de ratos (rats), simplesmente por usarmos o som do “r” do português em vez de usar o do inglês. Também é comum cometermos erros relacionados ao uso da língua, como na sentença Waiter, I want a Coke, tradução literal de Garçom, quero uma Coca-Cola. Embora a frase esteja correta do ponto de vista gramatical, ela pode soar muito rude em inglês, porque pedir a atenção do garçom chamando-o pelo nome da profissão pode ser considerado ofensivo. Além disso, fazer um pedido utilizando a estrutura I want (eu quero) é muito menos educado do que utilizarmos a estrutura Can I have a… ou May I have a… independentemente de se utilizar uma entonação amigável ou não.
Exemplos como esses mostram que aprender um idioma significa não só aprender novas palavras, novas estruturas gramaticais e novos sons, mas também novas formas de utilizá-lo em diferentes contextos.”


“CINCO DICAS PARA TORNAR O APRENDIZADO MAIS PRAZEROSO EM QUALQUER ETAPA DA VIDA
Uma das coisas boas de ser adulto é o fato de poder – na maioria das vezes – escolher aquilo que é melhor para si mesmo. Como adulto, você consegue estabelecer um significado para o que está aprendendo e tem a chance de buscar a melhor forma de tornar o processo mais prazeroso e significativo. Aprender inglês não precisa – e não deve! – ser um processo chato e maçante. Quer saber como aprender e praticar a língua de maneira divertida? Confira as cinco sugestões a seguir!

1) Aumente o som
Que tal aprender a cantar suas músicas favoritas em inglês? O simples ato de acompanhar as letras enquanto se escuta uma música ajuda a melhorar não só o listening, mas também a pronúncia, pois você acaba tentando imitar os sons que escuta. Para entender o significado da música, você pode procurar traduções prontas ou até tentar traduzir sozinho, caso ache isso interessante. Ah, detalhe importante: procure cantar em voz alta as músicas que você utilizar como material de estudo, pois desse modo você pratica a fala e se acostuma a articular os novos sons da língua.

2) Prepare a pipoca
Se você gosta de assistir a séries e filmes, que tal tirar proveito disso para estudar inglês? O bacana é que, quando você assiste a alguma cena, você conta com outras informações além do áudio que podem ajudar a entender o que está sendo dito, como os gestos feitos pelos personagens e o próprio cenário. E você deve estar se perguntando: Devo assistir com ou sem legendas? E as legendas devem ser em português ou em inglês? Bem, tudo vai depender do estágio de aprendizado em que você se encontra. Se você estiver bem no comecinho, não adianta colocar uma série com vocabulário megadifícil e já começar a assistir com áudio e legendas em inglês, pois você não vai entender nada. O melhor é inicialmente usar a legenda em português para ir se acostumando com a sonoridade de língua e, enquanto você assiste ao filme ou à série, tentar fazer relações entre o que você lê em português e o que você escuta em inglês. Outra opção é assistir a um episódio (curto, de preferência) de uma série com legendas em português e, depois, assistir a esse mesmo episódio com áudio e legenda em inglês. Desse modo, você consegue fazer a imersão na língua sem perder o conteúdo, uma vez que já vai conhecer o enredo. Quando você já tiver uma base no inglês, coloque o áudio e as legendas em inglês para realmente fazer uma imersão na língua enquanto assiste ao episódio ou ao filme. Ao se deparar com palavras e expressões desconhecidas, você pode pausar o filme ou a série, trocar a legenda para o português para descobrir o significado e depois voltar para o inglês, ou então simplesmente não fazer nada e seguir em frente, caso tenha conseguido entender pelo contexto. E lembre-se: não é preciso entender tudo, palavra por palavra, para conseguir acompanhar o contexto da trama e praticar o seu inglês. Se quiser começar a praticar mas ainda não sabe a qual série assistir, procure o vídeo “Melhores séries para aprender inglês na Netflix” no meu canal, pois dou várias sugestões.

3) Deixe seu like e inscreva-se
Muito se fala no uso de músicas, filmes e seriados para aprender inglês, mas nem todos percebem que o YouTube também pode ser uma ferramenta poderosíssima para o aprendizado de uma língua estrangeira. Além dos canais específicos para o ensino de inglês, como o próprio English in Brazil, você pode utilizar o YouTube para ter contato com a língua inglesa por meio de vídeos sobre praticamente qualquer assunto. Por exemplo, se você gosta de culinária, por que não assistir a vídeos de receitas em inglês? O mesmo serve para quem gosta de vídeos sobre beleza, cultura, viagem, entretenimento, enfim… há vídeos para definitivamente todos os gostos! A vantagem de praticar inglês no YouTube é que você pode parar o vídeo quando quiser para tentar entender algo que foi dito e ter tempo de anotar palavras novas no seu caderno de vocabulário, sobre o qual falaremos mais adiante. Além disso, os vídeos são geralmente bem mais curtos do que filmes e episódios de séries, o que permite que você assista ao mesmo vídeo mais de uma vez para compreender o assunto sem que a tarefa fique entediante. Alguns canais oferecem a opção de legendas em inglês, mas é importante ter em mente que algumas legendas podem conter erros, já que muitas vezes foram geradas automaticamente pelo sistema do YouTube.

4) Mergulhe na leitura
A leitura também é uma excelente forma de manter o contato com a língua de uma forma leve e divertida. Para quem está no nível básico, uma boa opção é começar com quadrinhos, já que a quantidade de texto não é muito grande e você ainda tem os desenhos para ajudar a entender o contexto. Eu, por exemplo, gosto muito dos gibis da Turma da Mônica (Monica’s Gang) na versão em inglês, pois além de as historinhas serem muito divertidas, cada gibi contém um glossário com a tradução das palavras mais complicadas na última página. Mas é claro que você pode escolher qualquer outro tipo de quadrinho.
Revistas também podem ser uma boa opção para quem deseja praticar a leitura, mas se assusta com o tamanho dos livros. De vez em quando eu compro revistas de moda e beleza em inglês só para observar as palavras e expressões que estão sendo usadas no momento, sabe? Então, que tal dar uma olhadinha na banca da sua cidade para ver se tem alguma revista importada interessante?
Em se tratando de leitura, é claro que não podemos deixar de falar dos livros, que são uma excelente fonte de entretenimento e conhecimento. Uma dica para facilitar a leitura é ler um livro cuja história você já conheça, como um conto de fadas ou a biografia de uma personalidade que você conhece bem. Outra opção é ler a versão em inglês de um livro que você já leu em português, pois assim você vai conseguir fazer relações com aquilo que já sabe da história. Se você gosta de literatura, mas ainda não se sente seguro para ler textos originais, sugiro procurar adaptações, isto é, livros que mantêm a história original, mas com uma linguagem simplificada. O legal é que muitos deles ainda vêm acompanhados do áudio, o que é interessante pelo fato de você já aprender a pronunciar as palavras novas que encontrar ao longo do texto. Se quiser mais dicas para começar a praticar a leitura em inglês, procure o vídeo “Dicas para ler em inglês” no meu canal.
E, por fim, caso deseje praticar a leitura, mas livros, quadrinhos e revistas não sejam a sua praia, que tal mergulhar de cabeça na imensidão de conteúdos em língua inglesa disponível na internet? Procure sites de notícias em inglês, blogs sobre os assuntos de que você gosta, enfim... comece a fazer buscas em inglês e divirta-se com o que aparecer! Se não entender o texto, já deixe o Google Tradutor ou um dicionário on-line aberto em outra aba para facilitar a sua vida.

5) Use a tecnologia a seu favor
Os aplicativos para smartphone são, sem dúvida, uma das melhores invenções tecnológicas dos últimos tempos. E você sabia que há uma infinidade de aplicativos desenvolvidos exclusivamente para o ensino de línguas? Alguns oferecem lições de inglês em uma sequência de conteúdos que podem servir como guia do seu aprendizado, alguns oferecem quizzes e games divertidos para você testar o seu conhecimento, outros ajudam na memorização de informações novas, além dos dicionários que apontam não só a tradução, mas também a pronúncia das palavras. Informe-se sobre aplicativos interessantes e aproveite essas ferramentas para praticar o inglês enquanto espera na fila do banco ou no intervalo do trabalho, ou simplesmente reserve um período do dia para praticar a língua utilizando esses apps. Garanto que você nem sentirá que está estudando, de tão interessantes que são as atividades oferecidas por eles.


“1) Forma e conteúdo andam juntos
Estudar gramática e vocabulário pode trazer muitos benefícios para o seu aprendizado, mas não esqueça de que forma e conteúdo devem andar sempre juntos. Cuidado para não cair na besteira de mergulhar de cabeça em regras gramaticais, decorar os nomes dos tempos verbais e ler listas e mais listas de palavras e acabar esquecendo de ver a língua como um instrumento de comunicação. Aprender inglês fica muito mais divertido quando você se dedica a usar a língua para realizar alguma tarefa como ler um texto, escutar uma música, falar com um colega ou até escrever um elogio no Instagram da sua cantora favorita, por exemplo. Então leia muito, escute muito e não hesite em consultar livros e materiais de ensino de inglês quando sentir a necessidade de esclarecer alguma dúvida, quando tiver curiosidade ou quando precisar de um guia para orientar os seus estudos. E lembre-se que o mais importante é aprender a língua, e não instruções sobre a língua.

2) O contexto é nosso amigo
Qual o significado do verbo go? Depende do contexto. O que significa a palavra sick? Depende do contexto. E a frase tell me about it? Nem preciso dizer que também depende do contexto. As palavras e frases não ocorrem soltas, mas sempre dentro de um contexto que pode trazer informações muito preciosas, como o significado e a função de palavras que você não conhece. Observe a frase a seguir:
John blonked his kirt and smiled.
Você sabe o significado das palavras blonked e kirt? Não venha me dizer que sabe, pois eu acabei de inventá-las (Ahá, pegadinha da Carina!). Mas perceba que, pelo contexto, você consegue inferir que blonked seria um verbo no passado e kirt, um substantivo que indica algo que pertence ao John. Se essas palavras fossem reais, talvez com um pouco mais de informação sobre a situação descrita na frase você acabaria descobrindo o que elas significam sem nem precisar abrir um dicionário. É muito importante aprender como as palavras se combinam e se organizam nas frases porque, desse modo, você terá mais facilidade para ler e se comunicar, já que não ficará traduzindo palavra por palavra para entender o que o seu interlocutor está dizendo, conseguirá captar a mensagem mais rapidamente, se lembrará das palavras em conjunto e não perderá tempo tentando juntar peças soltas para formar frases.

3) É assim porque é assim
Por que se diz have a drink e não drink a drink? Por que se diz I am 50 years old e não I have 50 years? Por que se diz on Sundays e não in Sundays? Por quê? Por quê? Por quê? Meu amigo, nem tudo tem um porquê e, mesmo que tivesse, você não precisaria entender todos eles. Mais importante do que saber explicar por que se usa on Sundays e on a train em vez de in Sundays e in a train é saber que é assim que se usa, e ponto final. Um dos maiores erros de quem estuda inglês é querer compará-lo com o português o tempo inteiro e ficar preso à ideia de que tudo deva ter uma explicação. Na maioria das vezes, o mais importante para o seu aprendizado é simplesmente aceitar que as coisas são do jeito que são e move on, seguir em frente.


“Para que o input se transforme em conhecimento, é preciso que ele seja minimamente compreensível. De acordo com Stephen Krashen, autor importante na área de aquisição de segunda língua, o input compreensível é aquele que está sempre um pouco à frente daquilo que o aprendiz já sabe. Na prática, isso significa que o ideal é praticar a língua utilizando materiais que não são nem muito fáceis e nem muito difíceis para o nosso nível.
Facilitar o input pode, portanto, facilitar a compreensão e, consequentemente, o aprendizado, mas esse não é o único aspecto envolvido na aquisição de uma segunda língua. Além da qualidade do input, há também a questão da quantidade: segundo Krashen, a quantidade insuficiente do input recebido por aprendizes de segunda língua em contextos não imersivos é um dos principais fatores para o insucesso na aquisição.”


2) Mergulhe na língua
Já falamos bastante sobre o quanto é importante ler e escutar materiais em inglês todos os dias e praticar a fala sempre que possível para o inglês entrar de vez na sua vida. Experimente também colocar as configurações do seu celular e das suas redes sociais em inglês, comece a seguir perfis de pessoas famosas que publicam conteúdo em inglês e substitua as legendas em português das suas séries favoritas por legendas em inglês assim que conseguir acompanhar o conteúdo dessa forma. Quando precisar consultar o significado de uma palavra, dê preferência para dicionários monolíngues (inglês-inglês) e, quando decidir anotar uma palavra nova no seu caderno de vocabulário ou aplicativo, procure escrever a definição da palavra em inglês e/ou uma frase que deixe claro o seu significado para evitar a tradução. Insira o inglês na sua vida e sempre que puder realizar alguma atividade usando esse idioma em vez do português, faça isso.”

As bênçãos que enriquecem: Um estudo aprofundado sobre dízimos, ofertas e exemplos de pessoas que provaram a Deus – R. R. Soares

Editora: Graça

ISBN: 978-85-7343-097-4

Opinião: ★☆☆☆☆

Páginas: 208

Sinopse: As bençãos que enriquecem é um livro que não tem origem na mente ou no intelecto, mas em um coração ardendo de paixão pelas pessoas que estão escravizadas espiritualmente e que vivem como estivessem sob o peso de uma maldição, simplesmente por desconhecerem o verdadeiro propósito de Deus para vida delas. Deus deseja usar os cristãos para destruir as obras de Satanás, a fim de que o Reino dos Céus, que é de paz, saúde, prosperidade etc., possa ser trazido a este mundo. Há um mundo de oportunidades esperando que o povo de Deus compreenda que: E quanto ao homem, a quem Deus riquezas e fazenda e lhe deu poder para delas comer, e tomar a sua porção, e gozar do seu trabalho, isso é dom de Deus (Ec 5.19).


 

“De vez em quando, ouço alguém comentar que o verdadeiro trabalho eclesiástico deveria ser o de ajudar os necessitados. Da mesma forma, afirmam alguns que todo dinheiro que entra na igreja teria de ser empregado em asilos, creches, orfanatos, bem como na compra de mantimentos para pessoas necessitadas. Seria isso correto? É isso que Jesus pede à Sua Noiva? Isso significa evangelizar? (...)

Para fazer essas coisas, a princípio, a Igreja de Cristo tem de existir! É por isso que é primordial o trabalho de transformar as pessoas, salvando-as e libertando-as do poder de Satanás. Serão elas que colaborarão com um trabalho mais amplo de atendimento aos desprivilegiados. Muitas vezes, pensamos em construir asilos, orfanatos, creches e outras instituições de caridade. No entanto, quando olhamos ao nosso redor e notamos tanta gente endemoninhada e sofrida; quando vemos o adversário dominar cada vez mais o povo brasileiro, causando-lhe toda espécie de males, percebemos que o dinheiro que gastaríamos em tais organizações seria mais bem empregado na salvação e transformação de vidas.”

 

 

“Como pode o Senhor tornar abundante uma pessoa, se esta não está pronta para doar? Se a lei para receber é dar, aquele que é mesquinho jamais alcançará de Deus as bênçãos que enriquecem. A Bíblia declara que Ele nos torna ricos para toda a generosidade. Se não temos o coração preparado para dar, dificilmente possuiremos bens e riquezas. Por isso, a maioria dos homens não vive com fartura, e há pessoas que, por mais que trabalhem e sejam inteligentes, jamais conseguem melhorar de vida.”

 

 

“É evidente, nas páginas das Escrituras Sagradas, que o Criador jamais exigiu somente 10% de nossa renda para o sustento da Igreja e o desenvolvimento da Sua obra. Na verdade, isso é o mínimo com que devemos contribuir para a causa de Deus. (...)

Guardar a Lei severamente em relação ao dízimo ou seja, devolver exatos 10% – é também uma demonstração de mesquinharia.”

 

 

“No Novo Testamento, vemos poucos relatos quanto ao dízimo. O próprio Jesus não transmitiu mandamento algum a esse respeito.”

 

 

“Quando as pessoas não entregam o dízimo ao Pai, elas não estão apenas roubando o Senhor no sentido de não Lhe devolver parte do que pertence a Ele para que a Sua obra seja feita na Terra, mas também tirando do Todo-Poderoso a oportunidade de abençoá-las. Se Ele deseja agraciar Seus filhos e afirma que abrirá as janelas do céu e derramará bênçãos sem medida sobre aqueles que são fiéis no dízimo, então, ser infiel é apropriar-se indevidamente daquilo que pertence ao Soberano, fazendo com que Ele não derrame dádivas sobre quem O rouba. Em outras palavras, quem não dá o dízimo não é apenas ladrão de Deus; é também de si mesmo, pois fica excluído das bênçãos prometidas na Palavra.”

 

 

“A transação que Deus nos propõe é simples e muito fácil: damos a Ele, por meio de Sua Igreja, dez por cento do que ganhamos e, em troca, Ele nos presenteia com bênçãos sem medida.”

 

 

“Por vezes, encontramos homens e mulheres bem-intencionados em relação à Igreja e, até mesmo, engajados em vários trabalhos comunitários. Na verdade, apesar de desejarem cooperar com a obra do Pai, muitos se veem fracos para se libertar do dinheiro que, em muitas ocasiões, é o meio pelo qual Satanás aprisiona a vida deles. O adversário conseguiu cegá-los financeiramente. Precisamos mostrar-lhes esse engano satânico. É certo que, se atacarmos o inimigo nesse ponto, ele esbravejará terrivelmente. Infelizmente, tenho visto pessoas se aborrecerem por serem convidadas a contribuir com o ministério. Algumas, inclusive, até se afastam da congregação. Outras, por necessidade, educação ou outros motivos, tornam-se presas do maligno em relação ao dinheiro.”

 

 

“10. No caso do marido que entrega o dízimo e dá certa quantia à sua esposa, esta também deve colaborar com a obra de Deus, mesmo que seu cônjuge já tenha devolvido ao Pai a soma referente ao orçamento familiar?

É claro que a mulher deve dar o dízimo daquilo que recebeu, não importando se sobre o mesmo alguém já ofertou ou não a décima parte para o trabalho do Senhor. Talvez, nesse ponto, alguém imagine que o Criador, então, está ficando com mais de 10% da quantia total. É bom esclarecer que a lei do dízimo não visa apenas aos 10%, mas também à atitude do ser humano quanto à disposição de doar uma parte a Deus, que, na realidade, é o Dono de tudo.”

 

 

“20. Se sou um dizimista fiel até nos centavos, então, não sou obrigado a dar ofertas. É correto pensar dessa maneira?

Claro que não. Já respondemos anteriormente que dízimo e oferta são coisas bem distintas. Um não substitui o outro, e ambos são pedidos por Deus e devidos a Ele. Se você deseja ser um cristão feliz e abençoado, contribua com dízimos e ofertas quantas vezes for possível.”

 

 

“Não é injusto “negociar” com o Onipotente. Afinal, não há quem seja melhor para se fazer alianças do que Ele.”

 

 

“24. Pode acontecer o caso de alguém não contribuir por estar sendo usado pelo diabo?

Quase sempre, quem não contribui com seus dízimos e suas ofertas para a obra do Senhor está dando ouvidos ao adversário. Se não está, de alguma maneira, envolvido com ele, pelo menos está fazendo a vontade do maligno e colaborando com ele para impedir que o ministério do Senhor seja realizado.”

 

 

“A primeira igreja cristã trabalhou muito mais em seu tempo do que estamos fazendo hoje, observando a lei da proporcionalidade. Em poucos anos, aqueles irmãos conquistaram, praticamente, toda a Ásia e parte da Europa para o Reino de Deus. Assim como os macedônios, eles, em primeiro lugar, deram-se a si mesmos ao Todo-Poderoso; depois, contribuíram com tudo o que podiam e, mais ainda, sacrificaram-se em prol do crescimento congregacional. Ofertavam de todas as formas e estavam sempre prontos a colaborar. Hoje, se aqueles que seguem os passos de Cristo tivessem a mesma disposição, certamente, não haveria país no mundo onde Jesus não fosse conhecido e adorado. O budismo, o islamismo, o hinduísmo e tantos outros ismos que Satanás tem colocado sobre os homens para afastá-los do Criador seriam filosofias mortas sem defensores.”

 

 

“Fico impressionado como, muitas vezes, Satanás distorce o sentido da Palavra de Deus. Mais perplexo ainda fico quando percebo que cristãos e membros de igrejas usam certos textos de um modo completamente distante das Escrituras.”

 

 

“A Igreja, hoje, precisa muito de dinheiro para realizar seu ministério.”

 

 

“A fidelidade a Deus nos dízimos e nas ofertas é a maior prova de fé que alguém pode apresentar diante dEle.”

O Bispo: A História Revelada de Edir Macedo – Douglas Tavolaro e Christina Lemos

Editora: Larousse do Brasil
ISBN: 978-85-7635-265-5
Opinião: ★☆☆☆☆
Páginas: 276
Sinopse: Após anos sem falar com a imprensa, o bispo Edir Macedo rompe o silêncio e revela tudo sobre sua vida neste livro – uma reportagem biográfica completa. Ele trata de assuntos polêmicos, abre sua intimidade e responde sobre todos os episódios marcantes vividos por ele nos últimos anos, além de contar detalhes do funcionamento de sua organização religiosa e como comprou a TV Record e a transformou na segunda rede de televisão do país.



“Essas questões ganharam ainda maior dimensão porque nós, os autores, Douglas Tavolaro, diretor de jornalismo, e Christina Lemos, repórter especial em Brasília, somos funcionários da Rede Record de Televisão. Em português claro: Edir Macedo é nosso patrão. Como ter isenção para contar a vida de quem paga nosso salário?”


“O bispo não brinca quando o assunto é casamento. A união no altar é rigorosamente levada a sério dentro de sua instituição religiosa. Pastores somente crescem na hierarquia do grupo quando são bem casados.
Divórcio é sinal de que algo está errado, mas não é o fim. Quando a mulher abandona o marido responsável por alguma função na igreja, logo após a separação ele recebe apoio para casar-se novamente.
– Ensino que o casamento não pode ser feito na base da paixão.
Não podemos seguir o coração, ignorando o raciocínio. Casar não exige apenas amor, mas, acima de tudo, fé.
Entre os solteiros, também há normas. Noivas de pastores passam por uma espécie de estágio ao conviver até doze meses com casais religiosos mais experientes. Os candidatos a núpcias, pastores ou fiéis da igreja, são incentivados a se unir com diferença etária de, no máximo, cinco anos. E são orientados a se casar somente depois dos 23 anos.
– Se a pessoa não acredita que o casamento vai dar certo, é melhor não se casar. Mesmo que goste do outro. O mau casamento transforma a vida de qualquer um em inferno.
Para o bispo, sexo é uma dádiva. E pilar do casamento.
– Sexo é para ter prazer. A cama é a base de uma aliança no altar. Não são os filhos, o dinheiro nem o carinho. Se um não der o que o outro precisa, já era. É uma necessidade humana, é como comer e beber. (...) Quando faço sexo, vou para o altar mais forte.


“Após seu encontro com a espiritualidade, era hora de buscar uma esposa. Não desperdiçou a chance quando uma colega de igreja, a bela jovem Ester Eunice Rangel, pediu ajuda em matemática, a disciplina favorita dele. Na época, Ester fazia um curso preparatório para concurso de um banco estadual.
As aulas particulares nunca aconteceriam de fato.
– No primeiro encontro, na saída do curso, uma surpresa. Atirado, Edir logo colocou as mãos nos ombros de sua pretendida.
Você é abusado, hein! – disse Ester, encarando o rapaz.
– Sou mesmo – respondeu Edir. E colocou as mãos nos ombros da moça novamente.
– No fundo, aquela atitude chamou minha atenção. Gostei da determinação dele – relembra a esposa.
Os dois tinham acabado de desmanchar seus noivados. Ester havia descoberto que não gostava do antigo namorado. E Edir, já nos preparativos finais para o casamento, decepcionou-se com um palavrão dito pela noiva. Foi o suficiente.
– Quando vi a Ester pela primeira vez, disse que iria casar com ela.
Edir, dessa vez, precaveu-se. Investigou a ficha de cadastro da aspirante a esposa no escritório da igreja. Descobriu que era de uma família tradicionalmente evangélica, cujo avô havia sido pastor protestante. E passou a “persegui-la”.
– Ele me seguia na hora de sentar no culto. Eu ia para um lado, ele ia também. Eu ia para o outro, e lá estava o Edir.
O romance foi relâmpago. Dias depois de se declarar, pediu ao pai de Ester para namorá-la. O casal não perdeu tempo. Em apenas oito meses, namoraram, noivaram e casaram-se. Estavam muito apaixonados e felizes.
– Ester tinha alguma coisa a mais. Foi meu primeiro amor. Parece que a gente estava procurando um pelo outro fazia anos e nos encontramos naquele momento – declara o bispo.
Mas os desafios foram muitos, antes da cerimônia. Certa vez, um pastor disse a Ester que o casamento não daria certo. Alegou que tivera uma visão: ela se encontrava em um lugar alto, chorando amargamente. Curioso é que, anos mais tarde, quem se divorciou foi o pastor.”


“Edir Macedo e a esposa viveram cinco meses em um apartamento alugado no bairro do Grajaú, até que o esgoto transbordou, inundando tudo. Tornou-se inviável continuar morando ali. A sujeira espalhou baratas por todos os lados. E Edir tem horror a baratas – repulsão descoberta pela mulher na semana da lua-de-mel, quando uma delas, voadora, invadiu o quarto do casal. Ester é quem foi obrigada a matar o inseto. O bispo assume a repugnância:
– Eu enfrento o diabo, mas não enfrento uma barata.”


“Para chegar a genro do bispo, os dois encararam obstáculos parecidos. Um deles foi pedir a mão da filha. O ritual foi o mesmo: fazer o pedido para o pai na frente dos outros bispos e pastores – uma prova de coragem e tanto, contam os genros. Renato, então pastor, foi direto ao assunto.
– Bispo, gostaria de casar com sua filha.
Edir Macedo fitou o garoto e disse:
– Rapaz, se você fizer alguma coisa para minha filha, eu arranco sua cabeça.
Cristiane e Viviane, jovens até hoje cuidadosas com a beleza, elegantes e bem articuladas, deixaram a casa dos pais com 17 anos. As duas mantêm um perfil semelhante: conversam bastante, mas sempre se colocam em segundo plano quando estão próximas dos esposos.”


“Edir Macedo desce do altar. Prega no mesmo nível dos seus pares de igreja. Veste calça social preta e malha branca, está sem gravata. Discorre sobre o talento do pregador.
– Eu sei que todos aqui querem desenvolver seu chamado. É normal. Mas, se você não desenvolve uma igreja pequena, como pode desenvolver uma igreja grande? – pergunta o bispo. E emenda: – A igreja depende do pastor. A Igreja Universal começou sem televisão, sem rádio, com entrega de folhetos no meio da rua. Eu comecei sozinho, sem nada disso. Veja a oportunidade, e não a dificuldade. É o espírito do pastor que manda. É o espírito que você tem.
Duas mil pessoas (na plateia) e um mesmo referencial: todas querem ser o bispo Macedo do futuro.”


“Edir Macedo é, de fato, austero no cuidado com a igreja. Para manter as rédeas, implantou uma organização com funcionamento sistemático. Obreiros – voluntários que exercem atividades gerais – e pastores auxiliares chamam pastores titulares e bispos de senhor. Pastores titulares chamam bispos de senhor. Bispos chamam pastores titulares e auxiliares e obreiros pelo nome. E todos chamam Edir Macedo de senhor ou simplesmente de bispo.
– Não lembro o nome da maioria – diz ele.”


“Cada pastor recebe moradia, assistência médica, plano odontológico e direito a lazer nos sítios da igreja, além da chamada “ajuda de custo” mensal. O valor é variável.
– Há pastores e pastores, bispos e bispos. A maior injustiça é a igualdade.”


“Edir Macedo acredita que os cariocas e os africanos em geral são mais receptivos aos sermões.
– Talvez pelo sofrimento.


“Edir cita a gravidez para explicar a vontade divina.
– “Deus me deu uma criança.” Deus não deu coisa nenhuma. A criança nasce por vontade do homem. Ponto, mais nada. O resto é história. Assim é a vida com Deus: o que você planta, você colhe. A vida não é feita de sorte ou azar. A vida é o que você planta.”


“– O Deus deste mundo é o dinheiro. Os banqueiros não me deixam mentir. Oferta é investimento. Isso mesmo: oferta é investimento.”


“Edir Macedo vai falar. Sem censura.
– Dar dinheiro à igreja é um investimento? As pessoas não devem dar oferta para ajudar a igreja, mas para ajudar a si próprias. Quem dá está fazendo um investimento em si, na sua vida. É o que mostra a Bíblia. Quem dá tudo recebe tudo de Deus. É inevitável. É toma lá, dá cá.”


SUBMISSÃO FEMININA
– Prevalece em nosso universo, sim. Mas não se trata de uma submissão imposta, é algo natural. O homem não é nada sem a mulher, e 178 a mulher não é nada sem o homem. A mulher não deve se submeter à vontade do homem. O homem é que deve colocar-se como líder numa relação conjugai. Esse entendimento nasce à luz da Bíblia. O homem é a cabeça, e a mulher o corpo. Imagine um corpo sem cabeça ou vice-versa.
Impossível existir relacionamento. Na direção da Igreja Universal, conhecemos exemplos desse tipo. Quando a mulher manda no marido, o pastor não cresce. Ela domina e não dá certo. No meu caso, quem manda dentro de casa é a Ester. Na igreja, sou eu. Um não pode ultrapassar o limite do outro.”


“– Não é justo crer em um Deus desconhecido. Ele precisa se manifestar, se apresentar, corresponder a nossa fé.”


“PATERNIDADE
Ter filhos hoje em dia é um risco, significa viver em uma selva. Se eu casasse hoje, jamais teria filhos. Inclusive aconselho os membros e os pastores a não terem filhos. O mundo está cada vez mais violento, dentro e fora de casa, os valores estão invertidos, são poucas as chances de a criança ter um futuro bom. Nos países desenvolvidos, na Europa e nos Estados Unidos, são cada vez mais fortes os movimentos contrários à natalidade. Muitos podem até pensar que isso é egoísmo. Mas não vejo dessa forma. É inteligência, questão de sobrevivência.”