domingo, 2 de setembro de 2018

Bíblia Sagrada – Epístolas Paulinas

Editora: Paulus
ISBN: Bíblia do Peregrino (BPe) – 978-85-349-2005-6 / Bíblia de Jerusalém (BJ) – 978-85-349-4282-9 / Bíblia Pastoral (BPa) – 978-85-349-0228-1
Tradução, introdução e notas (BPa): Ivo Storniolo e Euclides Martins Balancin
Tradução (BPe): Ivo Storniolo e José Bortolini
Notas (BPe): Luís Alonso Schökel
Opinião: N/A
Páginas: BPe – 189 / BJ – 147 / BPa – 117

Epístolas Paulinas aos: Romanos – Coríntios (1 e 2) – Gálatas – Efésios – Filipenses – Colossenses – Tessalonicenses (1 e 2) – Timóteo (1 e 2) – Tito – Filemon – Hebreus.

       “Homem, você julga os outros? Seja quem for, você não tem desculpa. Pois, se julga os outros e faz o mesmo que eles fazem, você está condenando a si próprio. Sabemos, porém, que Deus é justo quando condena os que praticam tais coisas. Mas você, que faz as mesmas coisas que condena nos outros, pensa que escapará do julgamento de Deus? Ou será que você despreza a riqueza da bondade de Deus, da sua paciência e generosidade, desconhecendo que a bondade dele convida você à conversão? Pela teimosia e dureza de coração, você está amontoando ira contra si mesmo para o dia da ira, quando o justo julgamento de Deus vai se revelar, que pagará a cada um segundo suas obras: a vida eterna para aqueles que perseveram na prática do bem, buscando a glória, a honra e a imortalidade; pelo contrário, ira e indignação para aqueles que se revoltam e rejeitam a verdade, para obedecerem à injustiça. Haverá tribulação e angústia para todo aquele que pratica o mal, primeiro para o judeu, depois para o grego. Mas haverá glória, honra e paz para todo aquele que pratica o bem, primeiro para o judeu, depois para o grego. Deus não é parcial.”
(Rm 2,1-11 – BPa / BPe)


“Deus se mostrará fiel, ainda que todos os homens sejam falsos.”
(Rm 3,4b – BPe)


“Assim como o pecado entrou no mundo através de um só homem e com o pecado veio a morte, assim também a morte atingiu todos os homens, porque todos pecaram. Antes de chegar a Lei, existia pecado no mundo; mas, como não houvesse Lei, o pecado não era levado em conta. Contudo, a morte reinou de Adão até Moisés, mesmo sobre aqueles que não haviam pecado, cometendo uma transgressão igual à de Adão – que é figura daquele que havia de vir.
O dom da graça, porém, não é como a falta. Se todos morreram devido à falta de um só, muito mais abundantemente se derramou sobre todos a graça de Deus e o dom gratuito de um só homem, Jesus Cristo. O dom não é equivalente ao pecado de alguém. Pois o julgamento de um só pecado terminou em condenação, ao passo que o perdão de muitos pecados termina em absolvição. Porque se através de um só homem reinou a morte por causa da falta de um só, com muito mais razão reinarão na vida aqueles que recebem a abundância da graça e do dom da justiça, por meio de um só: Jesus Cristo. Portanto, assim como pela falta de um só resultou a condenação para todos os homens, do mesmo modo foi pela justiça de um só que resultou para todos os homens a justificação que concede a vida. Assim como pela desobediência de um só homem todos se tornaram pecadores, do mesmo modo, pela obediência de um só, todos se tornarão justos.
A Lei sobreveio para dar plena consciência da falta; mas, onde foi grande o pecado, foi bem maior a graça, para que, assim como o pecado havia reinado através da morte, do mesmo modo a graça reine através da justiça para a vida eterna, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo.
Que diremos então? Devemos permanecer no pecado para que haja abundância da graça? De forma nenhuma! Uma vez que já morremos para o pecado, como poderíamos ainda viver no pecado? Ou vocês não sabem que todos nós, que fomos batizados em Jesus Cristo, fomos batizados na sua morte? Pelo batismo fomos sepultados com ele na morte, para que, assim como Cristo foi ressuscitado dos mortos por meio da glória do Pai, assim também nós possamos caminhar numa vida nova. Se permanecermos completamente unidos a Cristo com morte semelhante à dele, também permaneceremos com ressurreição semelhante à dele. Sabemos muito bem que nossa velha condição humana foi crucificada com Cristo, para que se anule a condição pecadora e assim não sejamos mais escravos do pecado. De fato, quem está morto, está livre do pecado1. Se morremos com Cristo, cremos que também viveremos com ele., Sabemos que Cristo, ressuscitado da morte, não torna a morrer, a morte já não tem poder sobre ele2. Porque morrendo, Cristo morreu de uma vez por todas para o pecado; vivendo, ele vive para Deus. Assim também vocês considerem-se mortos para o pecado e vivos para Deus, em Jesus Cristo.
Que o pecado não reine mais no corpo mortal de vocês, submetendo-os às suas paixões. Não ofereçam os membros como instrumento de injustiça para o pecado. Pelo contrário, ofereçam-se a Deus como pessoas vivas, que voltaram dos mortos; e ofereçam os membros como instrumento da justiça para Deus. Pois o pecado não os dominará nunca mais, porque vocês já não estão debaixo da Lei, mas sob a graça.3
E daí? Devemos cometer pecados, porque já não estamos debaixo da Lei, mas sob a graça? De forma nenhuma! Vocês não sabem que, se vocês se entregam a alguém como escravos para obedecer, vocês se tornam escravos daquele a quem obedecem – seja do pecado que leva à morte, seja da obediência que conduz à justiça? Damos graças a Deus, porque vocês eram escravos do pecado, mas obedeceram de coração ao ensinamento básico que lhes foi transmitido. Assim, livres do pecado, vocês se tornaram escravos da justiça4. Falo com palavras simples por causa da fraqueza de vocês. Assim como antes vocês puseram seus membros a serviço da imoralidade e da desordem que conduzem à revolta contra Deus, agora ponham seus membros a serviço da justiça para a santificação de vocês.
Quando eram escravos do pecado, vocês eram livres em relação à justiça. Que frutos colheram então? Frutos de que agora se envergonham, pois o fim deles é a morte. Mas agora, livres do pecado e tornados escravos de Deus, vocês dão frutos que conduzem à santificação e o fim deles é a vida eterna. Pois a morte é o salário do pecado, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Jesus Cristo, nosso Senhor.”
(Rm 5,12-6,23 – BPa / BPe)
1: A condição pecadora nos faz escravos (Jo 8,34) e devedores. Essa velha condição (Ef 4,22; Cl 3,9) é anulada ao ser crucificada com Cristo (Gl 2,20). A escravidão era às vezes consequência de dívidas impagáveis (Gn 47,25; Dt 15,12). (BPe)
2: Cristo desbanca e destrona o senhorio da morte: ver 1Cor 15,54 que cita a versão grega de Os 13,14. Sua morte não é cíclica, como a de deuses da vegetação (cf. Ez 8, 14), mas definitiva, como o dia inaugurado em Is 60,19-20. (BPe)
3: Frente a concepções gregas que consideram maus o corpo e o mundo material, Paulo afirma que o corpo pode e deve ser instrumento do bem: concepção realista da unidade do homem e da sua responsabilidade. O que é possível em regime de graça, não de lei. (BPe)
4: Paulo radicaliza o que disse antes: o cristão não deve ser apenas instrumento, mas escravo de Deus e da justiça; deve ser alguém que se empenha total e exclusivamente na realização do projeto de Deus. E nesse serviço não existe relação comercial, como no pecado: a recompensa é dom gratuito de Deus, que é a própria vida. (BPa)


“O que nos resta dizer? Se Deus está a nosso favor, quem estará contra nós? Ele não poupou seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós. Como não nos dará também todas as coisas junto com o seu Filho? Quem acusará os escolhidos de Deus? É Deus quem torna justo! Quem condenará? Jesus Cristo? Ele que morreu, ou melhor, que ressuscitou, que está à direita de Deus e intercede por nós?
Quem nos poderá separar do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo, a espada? Como diz a Escritura: ‘Por tua causa somos postos à morte o dia todo, somos considerados como ovelhas destinadas ao matadouro.’1 Mas, em todas essas coisas somos mais do que vencedores por meio daquele que nos amou. Estou convencido de que nem a morte nem a vida, nem os anjos nem os principados, nem o presente nem o futuro, nem os poderes nem as forças das alturas ou das profundidades, nem qualquer outra criatura, nada nos poderá separar do amor de Deus, manifestado em Jesus Cristo, nosso Senhor.2
(Rm 8,31-39 – BPe)
1: A citação pertence a uma súplica coletiva (Sl 44,11). O mesmo salmo (44,4) explica a vitória pela ação exclusiva de Deus. (BPe)
2: A vitória de Jesus Cristo em Jo 16,33 é aqui vitória nossa, pelo amor que Deus nos demonstrou na obra de Jesus Cristo. Diz o Cântico dos Cânticos (8,6) que “o amor é forte como a morte”; Paulo está dizendo que o amor é mais forte que a morte, que Deus nos ama para além da morte; concluímos que esse amor é penhor de ressurreição. (BPe)


“Irmãos, pela misericórdia de Deus, peço que vocês ofereçam os próprios corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus. Esse é o culto autêntico de vocês. Não se amoldem às estruturas deste mundo, mas transformem-se pela renovação da mente, a fim de distinguir qual é a vontade de Deus: o que é bom, o que é agradável a ele, o que é perfeito.
Em nome da graça que me foi concedida, eu digo a cada um de vocês: não tenham de si mesmos conceito maior do que convém, mas um conceito justo, de acordo com a fé1, na medida que Deus concedeu a cada um. Num só corpo há muitos membros, e esses membros não têm todos a mesma função. O mesmo acontece conosco: embora sendo muitos, formamos um só corpo em Cristo, e, cada um por sua vez, é membro dos outros. Mas temos dons diferentes, conforme a graça concedida a cada um de nós. Quem tem o dom da profecia, deve exercê-lo de acordo com a fé2; se tem o dom do serviço, que o exerça servindo; se do ensino, que ensine; se é de aconselhar, aconselhe; se é de distribuir donativos, faça-o com simplicidade; se é de presidir à comunidade, faça-o com zelo; se é de exercer misericórdia, faça-o com alegria.3
Que o amor de vocês seja sem hipocrisia: detestem o mal e apeguem-se ao bem; no amor fraterno, sejam carinhosos uns com os outros, rivalizando na mútua estima. Quanto ao zelo, não sejam preguiçosos; sejam fervorosos de espírito, servindo ao Senhor. Sejam alegres na esperança, pacientes na tribulação e perseverantes na oração. Sejam solidários com os cristãos em suas necessidades e se aperfeiçoem na prática da hospitalidade.
Abençoem os que perseguem vocês; abençoem e não amaldiçoem. Alegrem-se com os que se alegram, e chorem com os que choram. Vivam em harmonia uns com os outros. Não se deixem levar pela mania de grandeza, mas se afeiçoem às coisas modestas. Não se considerem sábios. Não paguem a ninguém o mal com o mal; a preocupação de vocês seja fazer o bem a todos os homens. Se for possível, no que depende de vocês, vivam em paz com todos. Amados, não façam justiça por própria conta, mas deixem a ira de Deus agir4, pois o Senhor diz na Escritura: ‘A mim pertence a vingança; eu mesmo vou retribuir.’ Mas, se o seu inimigo tiver fome, dê-lhe de comer; se tiver sede, dê-lhe de beber; desse modo, você fará o outro corar de vergonha.5 Não se deixe vencer pelo mal, mas vença o mal com o bem.6
(Rm 12 – BPa)
1: A fé é aqui considerada no florescimento dos dons espirituais distribuídos por Deus aos membros da comunidade cristã, para assegurar sua vida e seu desenvolvimento. (BJ)
2: Ou “segundo a norma de fé” (cf. 1Cor 12,3, onde a “confissão de fé” constitui o sinal de autenticidade dos carismas). (BJ)
3: A vida na comunidade cristã tem como exigência básica o abandono da pretensão de ser o maior ou o mais importante, para colocar-se com simplicidade a serviço dos outros. Todos precisam de cada um, e cada um precisa de todos. A graça que Deus concede a cada um é o próprio modo de ser de cada pessoa. E esse modo de ser, que é iluminado pela fé, se coloca à disposição das necessidades dos outros, a fim de que todos possam crescer, mediante a contribuição de cada um. (BPa)
4: Sem dúvida a ira divina que reserva para si a punição do pecado. (BJ)
5: O cristão “se vinga” de seus inimigos fazendo-lhes o bem. A imagem das brasas, símbolo de dor pungente, designa o remorso que levará o pecador ao arrependimento. (BJ)
6: Paulo expõe as linhas-mestras do comportamento cristão, principalmente no que se refere à vida comunitária. A vida cristã deve ser inteiramente penetrada de sincero amor fraterno que, sem fraquezas ou simulações, enfrente todas as situações, sem excluir ninguém, nem os inimigos. (BPa)


“Não devais nada a ninguém, a não ser o amor mútuo, pois quem ama o outro cumpriu a Lei1. De fato, os preceitos: Não cometerás adultério, não matarás, não furtarás, não cobiçarás, e todos os outros se resumem nesta sentença: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.
A caridade não pratica o mal contra o próximo2. Portanto, a caridade é a plenitude da Lei.”
(Rm 13,8-10 – BJ)
1: Na vida cristã a única tarefa que não tem limites é o amor, pois ele não só resume tudo o que deve ser feito, mas é também o espírito com que tudo deve ser feito. Como nos evangelhos, Paulo também vê o amor como a expressão perfeita de toda a Lei. (BPa)
2: O próximo não é mais, como no Lv, o membro do próprio povo, mas todo membro da família humana, unificada em Cristo. (BJ)


“Deixemos de julgar-nos mutuamente. Procurai antes não provocar o tropeço ou a queda do irmão. Pelo ensinamento do Senhor Jesus, eu sei e estou convencido disto: nada é impuro em si, mas o é para quem o tem como tal.”
(Rm 14,13-14 – BPe).


“Nós, os fortes, devemos carregar as fragilidades dos fracos e não buscar a nossa própria satisfação1. Cada um de nós procure agradar ao próximo, em vista do bem, para edificar. Pois também Cristo não buscou a sua própria satisfação, mas, conforme está escrito: Os insultos dos que te injuriaram caíram sobre mim. Ora tudo o que se escreveu no passado é para nosso ensinamento que foi escrito, a fim de que, pela perseverança e pela consolação que nos proporcionam as Escrituras, tenhamos a esperança.
O Deus da perseverança e da consolação vos conceda terdes os mesmos sentimentos2 uns para com os outros, a exemplo de Cristo Jesus, a fim de que, de um só coração e de uma só voz, glorifiqueis o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo.”
(Rm 15,1-6 – BJ)
1: Os cristãos mais conscientes não devem usar sua força e prestígio para impor aos outros a própria opinião e conseguir poderes sobre a comunidade. Não foi esse o modo de proceder de Jesus Cristo, que veio para servir e dar a vida. O respeito e o bem do outro são o maior sinal do cristão consciente. (BPa)
2: De agradar a seu próximo – Outras traduções: “(vos conceda) viver em bom entendimento”, “estar em acordo entre vós”. (BJ)


“Os judeus pedem sinais e os gregos procuram a sabedoria1; nós, porém, anunciamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos. Mas, para aqueles que são chamados, tanto judeus como gregos, ele é o Messias, poder de Deus e sabedoria de Deus2. A loucura de Deus é mais sábia do que os homens e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens.
Portanto, irmãos, vocês que receberam o chamado de Deus, vejam bem quem são vocês: entre vocês não há muitos intelectuais, nem muitos poderosos, nem muitos de alta sociedade. Mas, Deus escolheu o que é loucura no mundo, para confundir os sábios; e Deus escolheu o que é fraqueza no mundo, para confundir o que é forte. E aquilo que o mundo despreza, acha vil e diz que não tem valor, isso Deus escolheu para destruir o que o mundo pensa que é importante. Desse modo, nenhuma criatura pode se orgulhar na presença de Deus. Ora, é por iniciativa de Deus que vocês existem em Jesus Cristo, o qual se tornou para nós sabedoria que vem de Deus, justiça, santificação e libertação, a fim de que, como diz a Escritura: ‘Aquele que se gloria, que se glorie no Senhor’.3
(1Cor 1,22-31 – BPa)
1: Judeus e gregos estão à procura de seguranças humanas: milagres que garantam a veracidade da mensagem (cf. Jo 4,48); sabedoria ou doutrina satisfatória para a inteligência ávida de conhecer. Essa procura não é condenável em si mesma; paradoxalmente, a cruz de Cristo há de lhe responder (v. 24+). Caso, porém, o homem faça dessa procura a condição prévia e indispensável para dar sua adesão a Cristo, ela se torna inadmissível. (BJ)
2: Humanamente, a cruz aparece como o contrário do que judeus e gregos esperavam: derrota, em vez de manifestação gloriosa; loucura, em vez de sabedoria. Mas, numa visão de fé, a cruz se apresenta como algo que preenche e ultrapassa as expectativas: poder e sabedoria de Deus. (BJ)
3: Esse paradoxo, força do fraco, se prolonga e se manifesta na comunidade de Corinto, composta de gente socialmente sem importância (Tg 2,5; Mt 11,25); não são muitos os intelectuais, os poderosos, a nobreza. Como outrora uns escravos no Egito (Dt 7,7-8; Is 49,7), assim agora escolhe os contrários: gente iletrada, sem influência, sem títulos. A antítese dos filósofos, “o ser e o não ser” adquire outro sentido na ordem da salvação: ser cristão é ser nova criação (2Cor 4,17). Continua a antítese confundir/gloriar-se: com o fraco Deus confunde ou faz fracassar o forte e assim ninguém pode gloriar-se diante de Deus (Jr 9,22-23 sobre a falsa glória e a autêntica; cf. Dt 8,17-18). Por meio de Jesus Messias comunicam-se aos fiéis qualidades e ações de Deus: a sabedoria como sentido da vida (cf. Eclo 1,10), a justiça que nos faz justos em nossa relação com Deus (tema da carta aos Romanos cf. Jr 23,5s), a consagração (cf. Jo 17,19), o resgate como libertação da escravidão (cf. 4,6.8; Sl 130,7). (BPe)


“Quanto a mim, pouco me importa ser julgado por vocês ou por qualquer tribunal humano. Nem eu julgo a mim mesmo. É verdade que a minha consciência de nada me acusa, mas isso não significa que eu seja inocente: quem me julga é o Senhor. Por isso, não julguem nada antes do tempo; esperem que chegue o Senhor. Ele porá às claras tudo o que se esconde nas trevas, e manifestará as intenções dos corações. Então, cada um vai receber de Deus o louvor que lhe corresponde.”
(1Cor 4,3-5 – BPa)


“É sabido que todos temos conhecimento. Porém o conhecimento infla, ao passo que o amor1 edifica. Se alguém pensa que já tem conhecida alguma coisa, ainda não conhece como se deve.”
(1Cor 8,1b-2 – BPe)
1: BPe e BPa traduzem como “amor”, BJ como “caridade”.


““Tudo me é permitido”, mas nem tudo convém. “Tudo é permitido”, mas nem tudo edifica. Ninguém procure satisfazer aos seus próprios interesses, mas aos do próximo.1
(1Cor 10,23-242 – BJ)
1: O uso da liberdade deve ser “construtivo”; e só o será se for dada preferência ao próximo, especialmente ao próximo necessitado. (BPe)
2: 1Cor 6,12b: “Tudo me é permitido”, mas não me deixarei escravizar por coisa alguma.”


“Ainda que eu falasse línguas, as dos homens e dos anjos,
se eu não tivesse o amor1,
seria como sino ruidoso
ou como címbalo estridente.

Ainda que eu tivesse o dom da profecia,
o conhecimento de todos os mistérios
e de toda a ciência;
ainda que eu tivesse toda a fé,
a ponto de transportar montanhas,
se não tivesse o amor,
eu não seria nada.

Ainda que eu distribuísse
todos os meus bens aos famintos,
ainda que entregasse
o meu corpo às chamas,
se não tivesse o amor,
nada disso me adiantaria.

O amor é paciente,
o amor é prestativo;
não é invejoso, não se ostenta,
não se incha de orgulho.

Nada faz de inconveniente,
não procura seu próprio interesse,
não se irrita, não guarda rancor.

Não se alegra com a injustiça,
mas se regozija com a verdade.
Tudo desculpa, tudo crê,
tudo espera, tudo suporta.

O amor jamais passará.
As profecias desaparecerão,
as línguas cessarão,
a ciência também desaparecerá.2

Pois o nosso conhecimento é limitado;
limitada é também a nossa profecia.
Mas, quando vier a perfeição,
desaparecerá o que é limitado.

Quando eu era criança,
falava como criança,
pensava como criança,
raciocinava como criança.
Depois que me tornei adulto,
deixei o que era próprio de criança.

Agora vemos como em espelho
e de maneira confusa;
mas depois veremos face a face.3
Agora o meu conhecimento é limitado,
mas depois conhecerei
como sou conhecido.

Agora, portanto, permanecem
estas três coisas:
a fé, a esperança e o amor.
A maior delas, porém, é o amor4.”
(1Cor 13 – BPa)
1: Da mesma maneira que em 1Cor 8, em todo o poema BJ traduz a palavra como caridade e não amor como nas outras bíblias.
2: Os carismas válidos em si ficam relativizados ao ser comparados com a plenitude do amor; são expedientes provisórios. (BPe)
3: Os espelhos antigos, de metal polido, não eram tão perfeitos como os nossos de mercúrio. Ver frente a frente significa o contato pessoal de Moisés com o Senhor (Nm 12,6-8); era o resultado da luta de Jacó (Gn32,31) e era a esperança do salmista (17,15). (BPe)
4: O caminho que ultrapassa a todos os dons e ao qual todos os membros da comunidade devem aspirar é o amor. “Deus é amor” (1Jo 4,8), Jesus é o enviado do amor (Jo 3,16), e o centro do Evangelho é o mandamento do amor (Mc 12,28-34), que sintetiza toda a vontade de Deus (Rm 13,8-10). O amor é a fonte de qualquer comportamento verdadeiramente humano, pois leva a pessoa a discernir as situações e a criar gestos oportunos, capazes de responder adequadamente aos problemas. Os outros dons dependem do amor, não podem substituí-lo, e sem ele nada significam. O amor é a força de Deus e também a força da pessoa aliada a Deus. É a fortaleza inexpugnável que sustenta o testemunho cristão, pois “tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”. O amor é eterno e transcende tempo e espaço, porque é a vida do próprio Deus, da qual o cristão já participa. É maior do que a fé e a esperança, que nele estão contidas. (BPa)


“Assim, queridos irmãos, ficai firmes, inabaláveis, progredindo sempre na obra do Senhor, cientes de que a vossa fadiga não é vã no Senhor.”
(1Cor 15,58 – BJ / BPe / BPa)


“Visto que somos colaboradores de Deus, nós exortamos vocês para que não recebam a graça de Deus em vão. Pois Deus diz na Escritura: ‘Eu escutei você no tempo favorável, e no dia da salvação vim em seu auxílio’. É agora o momento favorável. É agora o dia da salvação.
De nossa parte, evitamos dar qualquer motivo de escândalo, para não desacreditar nosso ministério. Pelo contrário, em tudo nos recomendamos como ministros de Deus: pela grande perseverança nas tribulações, necessidades, angústias, açoites, prisões, desordens, fadigas, vigílias e jejuns; com integridade, conhecimento, paciência e bondade, pela atuação do Espírito Santo, pelo amor sem fingimento, pela palavra da verdade, pelo poder de Deus, pelas armas ofensivas e defensivas da justiça. Na glória e no desprezo, na boa e na má fama; tidos como impostores e, no entanto, dizendo a verdade; como desconhecidos e, no entanto, conhecidos; como agonizantes e, no entanto, estamos vivos; como castigados e, no entanto, livres da morte; como tristes e, no entanto, sempre alegres; como indigentes e, no entanto, enriquecendo a muitos; nada tendo, mas tudo possuindo.1
Coríntios, eu lhes falo com franqueza: meu coração está aberto para vocês. Em mim, não falta lugar para os acolher, mas em troca vocês têm o coração estreito. Paguem a nós com a mesma moeda. Eu lhes falo como a filhos; abram também o coração de vocês!”
(2Cor 6,1-13 – BPa / BPe)
1: Paradoxos. São sete, e parecem derivados do mistério pascal com algo do espírito das bem-aventuranças. O que os homens julgam desprezível é o valor autêntico. Ver Sl 118,18.
Pensam que a mensagem evangélica é mentira, sendo a pura verdade. Ressoa a polêmica entre profetas autênticos e falsos (Jr 23; Ez 13). “Desconhecidos”, ou seja, ignorados de propósito; e no entanto presentes como cidade sobre um monte. “Morrendo”, ou seja, em perigo constante de morte, por causas humanas ou naturais; mas vivos de uma vida superior. “Punidos...”: Sl 118,18; At 5,40. “Tristes”: “Felizes os que agora chorais, porque rireis” (Lc 6,21 b). “Pobres”: “Felizes os pobres, porque o reinado de Deus lhes pertence” (Lc 6,20). “Necessitados”: Lc 18,29s. (BPe)


“Quando existe boa vontade, somos bem aceitos com os recursos que temos; pouco importa o que não temos. Não queremos que o alívio para os outros seja causa de aflição para vocês; mas que haja igualdade. Neste momento, o que está sobrando para vocês vai compensar a carência deles, a fim de que o supérfluo deles venha um dia compensar a carência de vocês. Assim haverá igualdade, como está na Escritura: ‘A quem recolhia muito, nada lhe sobrava; e a quem recolhia pouco, nada lhe faltava’.”
(2 Cor 8,12-15 – BPa)



“Nada podemos contra a verdade; só temos poder em favor da verdade.1
(2Cor 13,8 – BPa)
1: Trata-se da verdade do evangelho, e quer dizer que todo o poder do apóstolo está submetido ao serviço do evangelho. (BPe)


“Cristo nos libertou para que sejamos verdadeiramente livres. Portanto, sejam firmes e não se submetam de novo ao jugo da escravidão.
Eu, Paulo, declaro: se vocês se fazem circuncidar, Cristo de nada adiantará para vocês. E a todo homem que se faz circuncidar, eu declaro: agora está obrigado a observar toda a Lei. Vocês que buscam a justiça na Lei se desligaram de Cristo e se separaram da graça. Nós, de fato, aguardamos no Espírito a esperança de nos tornarmos justos mediante a fé, porque, em Jesus Cristo, o que conta não é a circuncisão ou a não-circuncisão, mas a fé que age por meio do amor.”
(Gl 5,1-6 – BPa)


“É por isso que eu dobro os joelhos diante do Pai, de quem recebe o nome toda família, no céu e na terra. Que ele se digne, segundo a riqueza da sua glória, fortalecer a todos vocês no seu Espírito, para que o homem interior de cada um se fortifique. Que ele faça Cristo habitar no coração de vocês pela fé. Enraizados e alicerçados no amor, vocês se tornarão capazes de compreender, com todos os cristãos, qual é a largura e o comprimento, a altura e a profundidade1, de conhecer o amor de Cristo, que supera qualquer conhecimento, para que vocês fiquem repletos de toda plenitude de Deus.
Deus, por meio do seu poder que age em nós, pode realizar muito mais do que pedimos ou imaginamos; a ele seja dada a glória na Igreja e em Jesus Cristo por todas as gerações, para sempre. Amém!
Por isso, eu, prisioneiro no Senhor, peço que vocês se comportem de modo digno da vocação que receberam. Sejam humildes, amáveis, pacientes e suportem-se uns aos outros no amor. Mantenham entre vocês laços de paz, para conservar a unidade do Espírito. Há um só corpo e um só Espírito, assim como a vocação de vocês os chamou a uma só esperança: há um só Senhor, uma só fé, um só batismo. Há um só Deus e Pai de todos, que está acima de todos, que age por meio de todos e está presente em todos.
Por isso, abandonem a mentira: cada um diga a verdade ao seu próximo, pois somos membros uns dos outros. Vocês estão com raiva? Não pequem; o sol não se ponha sobre o ressentimento de vocês. Não deem ocasião ao diabo. Quem roubava, não roube mais; ao contrário, ocupe-se trabalhando com as próprias mãos em algo útil, e tenha assim o que repartir com os pobres. Que nenhuma palavra inconveniente saia da boca de vocês; ao contrário, se for necessário, digam boa palavra, que seja capaz de edificar e fazer o bem aos que ouvem.
Não entristeçam o Espírito Santo, com que Deus marcou vocês para o dia da libertação. Afastem de vocês qualquer aspereza, desdém, raiva, gritaria, insulto, e todo tipo de maldade. Sejam bons e compreensivos uns com os outros, perdoando-se mutuamente, assim como Deus perdoou a vocês em Cristo.”
(Ef 3,14-4,6.25-32 – BPa)
1: Nós reconhecemos em nosso espaço três dimensões. Os hebreus concebiam quatro dimensões (Jó 11,5-8). Porque não concebiam que a linha de profundidade, subterrânea, continuasse para cima. A superfície da terra, que o homem vivo pisava, era um corte total. Como se podia imaginar que do Xeol partisse uma linha contínua até o céu? Segundo uma especulação posterior, a cruz simbolizava as quatro dimensões, era o vértice do universo. (BPe)


“Se algum poder tem uma exortação em nome de Cristo, ou um consolo afetuoso, ou um espírito solidário, ou a ternura do carinho, levai à plenitude minha alegria, sentindo as mesmas coisas, com amor mútuo, concórdia e procurando as mesmas coisas.
Nada façais por ambição ou vanglória, mas com humildade tende os outros como melhores. Ninguém procure o próprio interesse, e sim o dos outros1. Tende os mesmos sentimentos de Cristo Jesus.
Ele, apesar de sua condição divina,
não usou de seu direito de ser tratado como um Deus,2
mas se esvaziou de si
e tomou a condição de escravo,
fazendo-se semelhante aos homens.
E mostrando-se em figura humana,3
humilhou-se,
tornou-se obediente até à morte,
morte de cruz.
Por isso, Deus o exaltou e lhe concedeu
um título superior a todo título,
para que, diante do título de Jesus,
todo joelho se dobre,
no céu, na terra e no abismo;4
e toda língua confesse
para glória de Deus Pai:
Jesus Cristo é o Senhor!”
(Fl 2,1-11 – BPe / BJ)
1: Com um desenrolar avassalador de motivações, Paulo introduz sua exortação à caridade e à humildade. Ambos os temas são conhecidos de sobra; o acerto e a importância desses vv. estão na conexão: a humildade, resultado e condição de uma caridade autêntica e duradoura. Se o egoísmo é o contrário do amor (1Cor 10,24), o orgulho é seu inimigo capital. Deve-se colocar essas linhas entre a simples proposta do amor como resumo de todos os mandamentos (Mt 22,37-40 par.) e a grande explanação de 1Cor 13. (BPe)
2: Como não-pecador (2Cor 5,21; Jo 8,46; 1Jo 3,5; Hb 4,15; 1 Pd 2,22), Cristo não teria de morrer, porque a morte é punição pelo pecado (Gn 3,3; Is 54,16; Sb 1,12-14; 2,23-24; encontra-se a mesma ideia em certos apócrifos como Henoc, 4 Esdras e o 2 Baruc). Ele, portanto, tem o direito de viver eternamente, o que é característica divina (Gn 3,4-5). (BJ)
3: “Se esvaziou” (ekénosen; curiosa assonância com eskénosen de Jo 1,14), expressão audaz e vigorosa, que nos faz pensar por contraste na “plenitude”; “humilhou-se” (v. 8) é equivalente mais suave. A condição de escravo é simplesmente a condição humana submetida a Deus. Faz-se “à imagem e semelhança” (homoiómati) do homem, dos homens. (BPe)
4: O gesto significa a homenagem de adoração (cf. Mt 28,9.17; Lc 24,51-52: homenagem ao ressuscitado; cf. Rm 1,4). A extensão aqui a todo o universo e textos como 1Cor 15,24-28 colocariam a homenagem do hino no final dos tempos. Os três planos de adoradores são como os de Ap 5,13. Preste-se atenção na homenagem do Abismo ou reino dos mortos, pois no AT era opinião comum que os mortos não louvam a Deus (p. ex. Is 38,18s; Sl 30,10; 88,11-13); está mais em sintonia com Sl 22,30 “diante dele se prostrarão as cinzas da tumba, em sua presença se curvarão os que descem ao pó”. (BPe)


“Quem ensina outra coisa e não se atém às palavras sadias de nosso Senhor Jesus Cristo e a um ensinamento religioso, é um vaidoso que nada entende, um doente de disputas e controvérsias de palavras. Daí brotam invejas, discórdias, maledicência, suspeitas malignas, discussões intermináveis, próprias de pessoas mentalmente corrompidas, alheias à verdade, que pensam que a religião é um negócio.1 Grande negócio é a religião para quem sabe contentar-se, já que nada trouxemos ao mundo e nada poderemos levar. Tendo roupa e alimento nos contentaremos.2 Os que se afadigam para enriquecer caem nas tentações e armadilhas e múltiplos desejos insensatos e profanos, que precipitam as pessoas na ruína e na perdição. A cobiça é a raiz de todos os males: por entregar-se a ela, alguns se distanciaram da fé e se atormentaram com muitos sofrimentos.3
Tu, ao contrário, homem de Deus, foge de tudo isso; procura a justiça, a piedade, a fé, o amor, a paciência, a bondade. Combate o nobre combate da fé. Apega-te à vida eterna, para a qual foste chamado quando fizeste tua nobre profissão diante de muitas testemunhas. Na presença de Deus, que dá vida a tudo, e de Cristo Jesus, que prestou testemunho diante de Pôncio Pilatos com sua nobre confissão, eu te recomendo que conserves o mandamento sem mancha nem repreensão, até que apareça o Senhor nosso Jesus Cristo, que mostrará a seu tempo o bem-aventurado e único Soberano, o Rei dos reis e Senhor dos senhores, o único imortal que habita na luz inacessível, que ninguém viu nem pode ver. A ele a honra e o poder para sempre. Amém.”
(1 Tm 6,3-16 – BPe)
1: O autor os caracteriza duramente em sua atitude de vaidade, nas consequências lamentáveis, na raiz de tudo, que é a cobiça. Trata-se de uma generalização convencional, pois outros dirão que a raiz de todos os males é a soberba. Contudo, a análise é correta: o afã de lucro vicia também o ensinamento, como acontecia com os falsos profetas denunciados por Miquéias (Mq 3,1-3). O afã de enriquecer-se desacredita o ensinamento: Paulo quis demonstrar explicitamente seu desinteresse por alguma coisa. A “autarquia” era virtude recomendada por filósofos gregos; o autor corrobora seu valor, aludindo provavelmente a textos bíblicos (cf. Jó 1,21; Ecl 5,14; Sl 49,17). Pelo tema, aqui encaixaria o texto de Mt 6,17-19 sobre a riqueza. (BPe)
2: Muito expressivas são as declarações de Ecl 5,15 e Jó 1,21. Lê-se em Pr 30,8: “não me dês riqueza nem pobreza, concede-me minha porção de pão”. (BPe)
3: Piedade é a maneira prática de viver que testemunha o verdadeiro seguimento do Evangelho e a “sã doutrina” que dele procede. O texto mostra como perceber claramente quando uma doutrina é “doentia”: o desejo desenfreado de lucro, o amor ao dinheiro. Qualquer doutrina que aceite essa prática, percorre infalivelmente o caminho contrário ao Evangelho, à fé e à salvação, pois se fundamenta numa idolatria, que é geradora de inveja, brigas, blasfêmias, corrupção e mentira. (BPa)


“Tu, pois, meu filho, fortifica-te na graça que está em Cristo Jesus. O que de mim ouviste na presença de muitas testemunhas, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para ensiná-lo a outros.1 Assume a tua parte de sofrimento como um bom soldado de Cristo Jesus2. Ninguém, engajando-se no exército, se deixa envolver pelas questões da vida civil, se quer dar satisfação àquele que o arregimentou. Do mesmo modo um atleta não recebe a coroa se não lutou segundo as regras. O agricultor que trabalha deve ser o primeiro a participar dos frutos. Entende o que eu digo; e o Senhor te dará compreensão em todas as coisas. Lembra-te de Jesus Cristo, ressuscitado dentre os mortos, da descendência de Davi, segundo o meu evangelho, pelo qual eu sofro, até às cadeias, como malfeitor. Mas a palavra de Deus não está algemada! É por isso que tudo suporto, por causa dos eleitos, a fim de que também eles obtenham a salvação que está em Cristo Jesus, com a glória eterna.
Esta palavra merece crédito:
Se com ele morremos, com ele viveremos.
Se com ele sofremos, com ele reinaremos.
Se nós o renegamos, também ele nos renegará.
Se lhe somos infiéis, ele permanece fiel,
pois não pode renegar-se a si mesmo.
Recorda todas estas coisas, atestando diante de Deus que é preciso evitar as discussões de palavras: elas não servem para nada, a não ser para a perdição dos que as ouvem. Procura apresentar-te a Deus como um homem provado, um trabalhador que não tem de que se envergonhar, que dispensa com retidão a palavra da verdade.3 Evita o palavreado vão e ímpio, já que os que o praticam progredirão na impiedade; a palavra deles é como uma gangrena que corrói, entre os quais se acham Himeneu e Fileto. Eles se desviaram da verdade, dizendo que a ressurreição já se realizou4; estão pervertendo a fé de vários.
Não obstante, o sólido fundamento colocado por Deus permanece, marcado pelo selo desta palavra5: O Senhor conhece os que lhe pertencem. E ainda: Aparte-se da injustiça todo aquele que pronuncia o nome do Senhor.
Numa grande casa não há somente vasos de ouro e de prata; há também de madeira e de barro; alguns para uso nobre, outros para uso vulgar. Aquele, pois, que se purificar destes erros será um vaso nobre, santificado, útil ao seu possuidor, preparado para toda boa obra.
Foge das paixões da mocidade. Segue a justiça, a fé, a caridade, a paz com aqueles que, de coração puro, invocam o nome do Senhor. Repele as questões insensatas e não educativas. Tu sabes que elas geram brigas. Ora, um servo do Senhor não deve brigar; deve ser manso para com todos, competente no ensino, paciente na tribulação. É com suavidade que deve educar os opositores, na expectativa de que Deus lhes dará não só a conversão para o conhecimento da verdade, mas também o retorno à sensatez, libertando-os do laço do diabo, que os tinha cativos de sua vontade.”
(2Tm 2 – BJ / BPe)
1: Tocamos aqui ao vivo na “tradição”, transmissão do “depósito” (1Tm 6,20+), com quatro elos sucessivos. (BJ)
Está aqui descrito o princípio e processo de difusão e tradição, controlado ou garantido por testemunhas. Comparar com o mesmo princípio em Sl 78, que menciona “pais, filhos, geração vindoura, seus filhos, descendentes, seus filhos”. (BPe)
2: Os soldados eram mercenários e se reembolsavam com o saque; mas o soldado de Cristo é chamado apenas a sofrer por ele (comparar com 2,24). (BPe)
3: (...) No final se rompe a simetria pela parte forte, pela bondade e misericórdia de Deus (cf. Os 11,8-9; Ex 36,22; Rm 10,11). O dom e a oferta de Deus são irrevogáveis; se o homem os rejeita, ele o reconhece e o sanciona. (BPe)
4: O dogma da ressurreição era particularmente difícil de ser aceito pelos espíritos gregos (At 17,32; 1Cor 15,12). Himeneu e Fileto talvez o interpretassem de modo puramente espiritual, da ressurreição interior operada pelo batismo (Rm 6,4+; Ef 2,6+), ou de certa ascensão mística para Deus. Paulo alertara os coríntios contra uma concepção muito material (1Cor 15,35-53+). (BJ)
5: As duas inscrições estão gravadas na pedra ou documento fundamental. Sendo a Igreja o edifício, as fundações aqui podem ser Cristo (1Cor 3,11), ou os apóstolos (Ef 2,20; cf. Ap 21,14), ou ainda a fé apoiada sobre a palavra do Deus fiel (2 Tm 2,13). Os dois textos bíblicos se completam; Deus guarda os que ele ama (Nm 16,5) e eles devem viver na justiça (Nm 16,26; Is 26,13; 52,11; Sl 6,9). (BJ)


“Enquanto isso, malfeitores e impostores vão de mal a pior, enganando e sendo enganados.”
(2Tm 3,13 – BPe)


“A palavra de Deus é viva, eficaz e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes; ela penetra até o ponto onde a alma e o espírito se encontram, e até onde as articulações e medula se tocam; ela sonda os sentimentos e pensamentos mais íntimos. Não existe criatura que possa esconder-se de Deus; tudo está exposto e nu aos olhos dele; e a ele devemos prestar contas.”
(Hb 4,12-15 – BPa / BPe)


“A fé é um modo de já possuir aquilo que se espera, é um meio de conhecer realidades que não se veem1. Pela fé compreendemos que o mundo foi formado pela palavra de Deus, o visível a partir do invisível.”
(Hb 11,1.3 – BPa / BPe)
1: (...) Por todo o contexto, parece preferível a interpretação subjetiva, pois se trata de atitudes fundamentais, provocadas e sustentadas por algo objetivo, isto é, a promessa de Deus. Dessa forma, a fé da qual o autor fala, exceto no primeiro artigo, se parece mais com a esperança.
O processo é lógico: precede uma promessa de Deus, o homem confia nela (fé) e espera. Uma tradução um tanto livre da definição pode ser: a posse do que se espera, a percepção do que não se vê. Não se vê, porque é futuro; e segundo os judeus, o futuro fica às costas (cf. 2Cor 4,18). O “invisível”, não manifesto, é aqui o que não existe ou o caos informe que não tem forma evidente. (BPe)


“Perseverem no amor fraterno1. Não se esqueçam da hospitalidade, pois algumas pessoas, graças a ela, sem saber acolheram anjos. Lembrem-se dos presos, como se vocês estivessem na prisão com eles. Lembrem-se dos que são torturados, pois vocês também têm um corpo. Que todos respeitem o matrimônio e não desonrem o leito nupcial, pois Deus julgará os libertinos e adúlteros. Que a conduta de vocês não seja inspirada pelo amor ao dinheiro. Cada um fique satisfeito com o que tem, pois Deus disse: ‘Eu nunca deixarei você, nunca o abandonarei’.2 Assim, podemos dizer com ânimo: ‘O Senhor está comigo, eu não temo. O que é que me poderá fazer um homem?’3
Lembrem-se dos dirigentes, que ensinaram a vocês a Palavra de Deus. Imitem a fé que eles tinham, tendo presente como eles morreram. Jesus Cristo é o mesmo, ontem e hoje, e será sempre o mesmo.4
(Hb 13,1-8 – BPa)
1: O amor fraterno não é puramente sentimento interior; é comportamento expresso por atitudes concretas, dentro e fora da comunidade: hospitalidade, solidariedade com os presos e os torturados, respeito na vida matrimonial, espírito de partilha. O v. 7 mostra que os dirigentes cristãos ensinavam a Palavra de Deus, e a confirmavam com o testemunho que muitas vezes lhes trouxe a morte, e assim eles se tornaram exemplo e estímulo para a comunidade. (BPa)
2: Conselhos vários confirmados com citações da Escritura. O primeiro é o “amor fraterno”, que inclui hospitalidade, solidariedade, desinteresse. Sobre a “hospitalidade”, pensa em Abraão (Gn 18). Os “presos”: ver o juízo final segundo Mateus (Mt 25,36). Sobre fornicadores e adúlteros: Pr 5-7; Eclo 23. “Contentar-se”: Lc 3,14; 1Tm 6,8. “Não te abandonarei”: Dt 31,6 em outro contexto, mas com valor geral. (BPe)
3: Citação de Sl 27,1-3. (BPe)
4: Por seu testemunho na vida e na morte, Jesus Cristo tornou-se o modelo para a realização definitiva do mundo humano. A tarefa dos cristãos é continuamente redescobrir Jesus e apresentá-lo como ideal concreto para a própria geração. Fora de Jesus, nada é absoluto e definitivo. O mundo humano precisa ter os olhos fixos em Jesus, a fim de criticar o presente e o passado e assim criar novos momentos históricos.
O verdadeiro culto dos cristãos a Deus é o louvor que o reconhece como Deus, e ao mesmo tempo relativiza tudo o mais. Em relação ao próximo, esse culto consiste na partilha e na solidariedade. (BPa)

Um comentário:

robertanascimento disse...

Ótimo saber que existe conteúdo exclusivo para nós mulheres de Deus, a Bíblia sagrada rosa é ótima adquiri muito conhecimento nela