quarta-feira, 6 de outubro de 2010

O mundo das Copas – Lycio Velloso Ribas

Editora: Lua de papel
ISBN: 978-85-6306-609-1
Opinião: ★★★★☆
Páginas: 588
  

     O belo livro “O mundo das Copas”, de Lycio Vellozo Ribas, traz curiosidades e histórias deliciosas a respeito do maior torneio do esporte mais popular do mundo.

     Aí vão as que compilei:


1930 – Local: Uruguai – Campeão: Uruguai
– O esquema tático utilizado pelos times era o 2-3-5, bem mais ofensivo do que o utilizado hoje.

– Os árbitros podiam expulsar os jogadores, mas não havia cartões.

– Não havia substituições. Os jogadores que se machucavam, ou permaneciam em campo, ou saíam e não eram substituídos, deixando os times com um jogador a menos.

– A bola era de couro, costurada à mão, com uma abertura atada com tiras de couro cru. Dentro dela havia uma câmara de borracha com bico. Quando não era utilizado para encher a bola, o bico ficava dobrado entre a câmara e a parte externa, e era fechado com as tiras de couro cru. Isto gerava um calombo na bola, influía na trajetória e causava ferimentos nos jogadores. Alguns atletas utilizavam gorros forrados com jornal para poderem cabecear a bola sem abrirem lanhos em sua cabeça.

– Diversas seleções europeias boicotaram a Copa. A Inglaterra, por se julgar a melhor do mundo de antemão, não carecendo de torneio para comprová-lo. Por causa de seu boicote, também não participaram a Escócia, País de Gales e a Irlanda. A Itália (que desejava sediar a Copa e foi preterida) também boicotou o evento.

– Devido a uma briga entre dirigentes cariocas e paulistas, o Brasil só enviou jogadores cariocas para o mundial (deixando de fora craques como Feitiço e Friedenreich), levando um time bem menos competitivo.

– Não havia local indicado no campo para a cobrança de pênalti. O juiz contava os 11 metrosatravés de passos.

– Os bolivianos queriam conquistar a torcida uruguaia no jogo contra a Iugoslávia, e os 11 jogadores entraram cada um com uma letra na camisa, para compor a frase: “Viva Uruguay”. Porém, um jogador se atrasou e na foto oficial o que se lê é: “Viva Urugay”. Na época não houve problema, mas hoje poderia gerar uma polêmica homossexual.

– A despeito de não terem tradição em Copas, os EUA participaram da primeira edição do torneio e ainda foram até as semifinais. Porém, depois de terem um jogador machucado (ou seja, um a menos em campo), tomaram de 6 a 1 da Argentina.

– O Uruguai bancou as passagens e hospedagens de todas as seleções que foram à Copa.

– O árbitro belga Jan Langenus exigiu um seguro de vida antes da partida final entre Uruguai e Argentina. Mas a arbitragem acabou sendo tranquila. Um dos problemas que ocorreram foi o fato de os dois times quererem jogar com a sua bola (a dos uruguaios era mais pesada). O juiz decidiu a contenda jogando o primeiro tempo com a bola dos argentinos e o segundo com a dos uruguaios.

– O governo uruguaio decretou feriado nacional depois da conquista do título e deu uma casa a cada jogador. Além disso, os titulares ganharam uma medalha de ouro desenhada por Abel Laflour, o mesmo que desenhou a taça Jules Rimet (que na época ainda se chamava “Vitória das Asas de Ouro”, só vindo a ter o nome do presidente da Fifa anos depois).

– O jogador mais velho do time uruguaio era Hector Carone, com 32 anos. Sua idade não era muito avançada, mas o que chama atenção é o fato dele ser o único titular campeão mundial a ter nascido no século 19, a 08/10/1897.

– Como não havia preparação para a entrega da taça no campo, esta foi entregue por Jules Rimet no vestiário ao presidente da Associação Uruguaia de Futebol, Raúl Jude.


1934 – Local: Itália – Campeã: Itália
– O Uruguai – então atual campeão – se recusou a ir, em represália ao boicote promovido por times europeus (incluindo a Itália) ao mundial realizado no país sul americano quatro anos antes. Foi o único campeão do mundo a não defender o título. A Inglaterra e seus satélites seguiram boicotando o evento.

– O país sede, organizador da Copa, a Itália, teve de disputar as eliminatórias. Poderia ter ficado de fora do próprio mundial.

– Logo depois do término da Copa de 1930, com jogadores de São Paulo e Rio de Janeiro jogando juntos, o Brasil ganhou das principais seleções do torneio, inclusive do campeão Uruguai, repetidas vezes. O Brasil não havia levado os jogadores paulistas à Copa devido à briga entre dirigentes cariocas e paulistas. Quatro anos depois, novamente houve brigas entre dirigentes, desta vez da FBF e CBD (Federação Brasileira de Futebol e Confederação Brasileira de Desportos, respectivamente). À FBF estavam filiados os times profissionais (onde estavam os melhores jogadores), já a CBD era a organização que a Fifa reconhecia, e desprezava a FBF. Possivelmente, a CBD só convocaria jogadores amadores, deixando os melhores para trás. O técnico brasileiro, então, resolveu oferecer dinheiro aos melhores jogadores dos clubes para que eles fossem a Copa, porém, os clubes não gostaram disto. O Palestra Itália (hoje Palmeiras), que tinha o craque Romeu Pelliciari, chegou a esconder os jogadores em uma fazenda longe de São Paulo, onde os capangas, todos armados, tinham ordem de atirar em quem aparecesse. A FBF ameaçou banir quem fosse a Copa. Diversos jogadores se recusaram a ir, mesmo com somas financeiras significativas lhes sendo oferecidas.
     Novamente o grupo brasileiro levado para a Copa foi mutilado, deixando para trás o próprio Romeu, além de Preguinho, Fausto, Moderato, dentre outros craques.

– O Nacional de Uruguai exigiu 45 contos de Réis para que liberasse Domingos da Guia ir à Copa, uma fortuna na época. Ele acabou não sendo levado.

– O sanguinário ditador fascista italiano Benito Mussolini ameaçou de morte o time e a comissão técnica italiana caso eles não fossem campeões.

– No jogo Itália 1 X 1 Espanha, pelas quartas de final, o gol da Itália só ocorreu devido à uma cotovelada que Schiavio deu no goleiro espanhol Zamora (um dos melhores arqueiros de todos os tempos).
     Houve outro jogo, de desempate (as partidas empatadas eram definidas assim), no dia seguinte, e ainda aos 25 minutos do primeiro tempo o atacante espanhol Bosch levou uma entrada desleal e ficou mancando o resto do jogo. O juiz não expulsou o agressor italiano. Depois disto, a Espanha teve dois gols legítimos anulados. No primeiro, o juiz marcou impedimento de Regueiro, que não participou da jogada do gol. No segundo, com muito atraso o juiz marcou uma falta a favor da Espanha depois que o atacante espanhol Regueiro havia levado vantagem e marcado o gol. Resultado final: Itália 1 X 0 Espanha.

– Na semifinal, novamente com alguma ajuda da arbitragem, a Itália fez um gol na Áustria quando o ponta italiano Guaita fez o gol depois de trombar com o goleiro. A Áustria tinha o melhor time da competição, porém, a chuva deixou o campo de Milão pesado demais para se tocar a bola. A Itália distribuiu chutões para todos os lados e garantiu sua vaga na final.

– Na final, o árbitro sueco Ivan Eklind (que havia apitado a semifinal Itália e Áustria) e os dois auxiliares, o húngaro Mihaly Ivancsis e o belga Louis Baert (que havia apitado o primeiro jogo de Itália X Espanha), fizeram a saudação fascista a Mussolini antes de o jogo começar. Os jogadores italianos também sempre o faziam antes de cada partida.

– A partida final foi entre Itália e Tchecoslováquia, e esta última ganhava o jogo até os 36 minutos do segundo tempo, quando a Itália empatou, e os húngaros reclamaram que Ferrari teria dominado a bola com a mão antes de dar o passe para Orsi marcar. O juiz consultou o bandeira e validou o gol italiano, o jogo terminou empatado e foi para a prorrogação. Nela, a Itália virou o jogo, sagrando-se campeã, salvando a vida dos jogadores e da comissão técnica da vingança mortal de Mussolini.


1938 – Local: França – Campeã: Itália
– A Argentina queria ser a anfitriã a Copa, acreditando num revezamento de continentes para sediá-la. Mas a França acabou prevalecendo e a Argentina boicotou-a, bem como o Uruguai (ainda por causa do boicote europeu em 1930). A Inglaterra e seus satélites também não foram, ainda julgando a Copa um torneio de segunda categoria. A Espanha também não participou, envolvida em sua sangrenta guerra civil.

– Novamente o ditador fascista italiano Benito Mussolini ameaçou seus conterrâneos. Mandou um telegrama no qual não estava brincando ao técnico Vittorio Peozzo (campeão mundial em 1934) com os dizeres: “Vencer ou morrer”.

– A Áustria, que tinha garantido vaga na Copa, foi anexada pela Alemanha em 11 de março de 1938, e os jogadores austríacos foram utilizados pela Alemanha nazista. A vaga ficou em aberto. Porém, o maior craque do belo time austríaco, Mathias Sindelar, se recusou a jogar a favor da Alemanha. Este acabou morrendo em 1939, logo depois da esposa. Alguns creem que se matou, outros que foi “suicidado” pelo regime nazista, já que ele era judeu.

– Na seleção brasileira de 1930 houve a briga entre paulistas e cariocas, em 1934 entre amadores e profissionais. A seleção de 1938, pela primeira vez, ia completa, levando seus dois principais craques, o atacante Leônidas da Silva (que nos 4 jogos que disputou na Copa fez 7 gols) e o zagueiro Domingos da Guia. Depois de duas batalhas campais contra a Tchecoslováquia, (o primeiro jogo empatou e teve de ser realizado outro no dia seguinte de desempate), onde diversos jogadores saíram machucados, Leônidas da Silva não pôde jogar a semifinal. Nesta, contra a Itália, o outro principal craque do time brasileiro, Domingos da Guia, deu um pontapé no italiano Piola. Segundo as palavras do craque brasileiro, apenas revidou outro pontapé que havia acabado de levar. A bola estava no meio de campo, mas o juiz viu somente o gesto de Domingos e assinalou pênalti para a Itália, que converteu e derrotou o Brasil por 2 a 1. Depois disso, “domingada” passou a ser sinônimo de algum erro burlesco no futebol.

– Na partida final entre Itália e Hungria, os italianos venceram por 4 a 2. O goleiro húngaro Szabo disse que não se importava de ter levado quatro gols, pois havia salvado a vida dos jogadores italianos.

– Em atitude única na história, os campeões foram vaiados pelos torcedores franceses, inimigos do regime fascista italiano. No ano seguinte, eclodiria a 2ª guerra mundial, que duraria até 1945. Devido a ela, as Copas do mundo de 1942 e 1946 não foram realizadas.


1950 – Local: Brasil – Campeão: Uruguai
– Por motivos políticos os países socialistas não participaram do torneio: União Soviética, Tchecoslováquia (vice em 1934), Hungria (vice em 1938), Iugoslávia e Romênia (um dos quatro a ter disputado todas as Copas de 1930 até então).

– Nas outras Copas, quem perdia um jogo estava eliminado, o que era terrível para seleções que viajavam semanas e perdiam logo a primeira partida, pois tinham de voltar pra casa. O Brasil reclamou e fez valer suas ideias. A primeira ideia, mais coerente, estabeleceu grupos de quatro seleções, onde todos jogavam contra todos e os dois mais bem classificados passavam de fase. A segunda ideia, polêmica, a de que os 4 semifinalistas também jogassem entre si, todos contra todos. O time que fizesse mais pontos sagrar-se-ia campeão. Em outros termos: não haveria final.

– Como punição pela segunda guerra mundial, Alemanha e Japão foram eliminados pela Fifa. A Inglaterra, Escócia, Irlanda e País de Gales participaram do torneio pela primeira vez. A Inglaterra, que por ter inventado o futebol julgava ter o melhor time, além de ter desprezado os outros torneios por ter a certeza de que era a melhor seleção, não passou sequer da primeira fase, vencendo apenas um jogo e perdendo os outros dois.

– A Itália, que compunha o Eixo, não foi banida do torneio. Isto porque, quando a guerra eclodiu, o dirigente italiano Ottorino Barassi escondeu a taça, que estava em poder da bicampeã mundial. Segundo as lendas, ela ficava escondida numa caixa de sapatos embaixo de sua cama. Mas na realidade ela foi para um cofre na sempre neutra Suíça – para onde a própria sede da Fifa também acabou mudando. Devido a este dirigente italiano a taça não se perdeu na guerra, não se tornando um troféu para Hitler, ou sendo derretida na confusão do conflito. Por causa dele a Itália também não foi banida deste torneio – diferentemente dos outros países que compuseram o Eixo.

– Foi a primeira Copa em que houve números estampados nas costas dos jogadores, seguindo prática adotada em clubes nacionais já há muitos anos.

– Um avião com todo o time do Torino, pentacampeão italiano e base da seleção se chocou contra a basílica de Superga, matando todos os seus ocupantes. A seleção italiana foi ao mundial, mas com um time bem menos competitivo.

– A Índia, que havia se classificado por conta das desistências de Birmânia, Filipinas e Indonésia, acabou desistindo também de vir devido à um insólito motivo: a Fifa não permitiu que seus jogadores jogassem descalços, hábito comum no país.

– Os craques brasileiros eram Jair, Ademir e Zizinho, todos atacantes. Ainda se adotava o ofensivo esquema tático 2-3-5.

– Na partida contra o Brasil a Iugoslávia entrou com apenas 10 jogadores, devido ao fato do centromédio Mitic ter batido a cabeça em uma barra de ferro na escada de acesso ao Maracanã, abrindo um corte na testa. A barra era um resto da construção do estádio, ainda não totalmente acabada. O jogador entrou em campo com 10 minutos já jogados – e a cabeça toda enfaixada. 

– No quadrangular final haveria três jogos. Nos dois primeiros o Brasil passeou, ganhando de 7 a1 da Suécia e 6 a 1 da Espanha (seleção que, por ter ganhado todos os jogos até então daquela Copa, e ter sido o melhor time da primeira fase, havia sido apelidada de “Fúria”). O Uruguai havia empatado com a Espanha em 2 a 2, e perdia até os 30 do segundo tempo contra a Suécia, quando conseguiu virar para 3 a 2. Pelos pontos acumulados, o Brasil precisava somente do empate. Tudo isto somado, o retrospecto de goleadas contra o aperto do adversário, além do fato de jogar em casa, dava amplo favoritismo ao Brasil. Porém, o Uruguai ganhou por 2 a 1 no famoso Maracanazo, a pior derrota da história da seleção brasileira.

– A seleção da Copa da Fifa contou basicamente com os jogadores da “final”: dos onze, cinco eram uruguaios e quatro brasileiros (Bauer, Zizinho, Jair e Ademir). Ghiggia, o carrasco do Brasil, além de estar nesta seleção foi eleito o craque da Copa.


1954 – Local: Suíça – Campeã: Alemanha
– A Argentina novamente não jogou, devido ao fato de seus principais jogadores – como o meia-atacante Di Stéfano – jogarem numa liga colombiana não associada à Fifa, e que por isso não poderiam disputar a Copa do mundo.

– As regras eram um tanto estranhas. Os times foram divididos em grupos de quatro seleções, porém, havia duas cabeças de chave por grupo. E estes não jogavam entre si. Também não jogavam entre si os mais fracos, para acertar o número de jogos dentro de cada grupo.

– A Alemanha, ainda em represália a segunda guerra, não foi escolhida como cabeça de chave.

– A Espanha disputava a vaga na Copa do mundo com a Turquia. Cada seleção venceu um jogo (o saldo de gols que beneficiava a Espanha não era critério de desempate). Marcou-se um jogo de desempate na Itália, que terminou também empatado, em 2 a 2. A vaga foi definida, então, através de sorteio. O garoto Luigi Gemana, de 13 anos, sorteou numa cumbuca o nome da Turquia, que foi a Copa e levou o garoto ao evento, como mascote.

– Os craques brasileiros eram Nílton Santos, Julinho e Didi. O maior craque brasileiro em atividade, Zizinho, não foi convocado, por motivos controversos. Alguns alegavam até que o motivo era o fato de o jogador ser comunista.

– Nas eliminatórias desta Copa o Brasil estreou sua camisa amarela. Até então ela era branca, cor que foi alterada por supostamente trazer azar – traumas do Maracanazo de 50.

– No último jogo do seu grupo, o Brasil precisava somente empatar com a Iugoslávia, o que classificaria as duas seleções. Mas os dirigentes não entenderam o regulamento confuso, e os jogadores muito menos. Durante a prorrogação (no tempo regulamentar a partida terminou 1 a1), os iugoslavos tentaram explicar através de mímica que o resultado beneficiava ambas as equipes. Mas os brasileiros tomaram os gestos como provocações e os usaram como estímulo para atacá-los. Como o jogo terminou 1 a 1 mesmo, os jogadores saíram do campo cabisbaixos, alguns chegaram mesmo a chorar em campo – até porque viam o adversário comemorar. O engano foi desfeito nos vestiários.

– Para cortar custos, a Escócia só levou 13 dos 22 jogadores inscritos. Ainda assim, só perdeu o primeiro jogo contra a poderosa Áustria porque o juiz não deu um gol legítimo da Escócia no último minuto de jogo. Descontente com as limitações do elenco e os palpites dos dirigentes, o técnico Andy Beattie pediu demissão – único a fazê-lo em toda a história das Copas – e voltou para casa. Insatisfeitos com a saída do técnico e confusos com muita gente mandando, os escoceses viraram presa fácil: tomaram de 7 a 0 do Uruguai no jogo seguinte.

– Disputavam-se duas partidas na primeira fase. No primeiro jogo, a Coreia do Sul levou de 9 a 0 da poderosa Hungria. Já no segundo melhorou: tomou de 7 a 0 da nem tão forte Turquia.

– No jogo Suíça 2 X 1 Itália, o árbitro brasileiro Mário Vianna contribuiu decisivamente para a vitória suíça. Foi conivente com as botinadas distribuídas pelos anfitriões e coibiu as tentativas italianas de descontá-las. Além disso, anulou um gol legítimo do italiano Lorenzi quando o jogo estava 1 a 1. Ele foi rodeado dentro do gol pelos italianos e trocou empurrões com eles. No fim do jogo, os italianos o perseguiram até os vestiários.

– Devido aos resultados do grupo, houve a necessidade de um jogo de desempate entre a Itália e a Suíça. A arbitragem foi limpa, mas os italianos perderam de 4 a 1, e foram recebidos com uma chuva de tomates podres quando desembarcaram em seu país.

– No jogo Áustria X Suíça pelas quartas-de-final, o defensivo time suíço marcou três gols nos primeiros 23 minutos de jogo. Porém, viu a Áustria fazer 5 gols em dez minutos. A Suíça ainda fez mais um e o placar só terminou com incríveis 5 a 4 no primeiro tempo porque um jogador austríaco ainda perdeu um pênalti. O jogo acabou terminando 7 a 5 para a Áustria, com o maior número de gols em jogos de Copa do mundo. Outra curiosidade é que o jogo ocorreu na gélida Suíça, porém, a temperatura foi de 35ºC.

– Um jogador brasileiro teve medo de enfrentar a Hungria nas quartas-de-final, e tentou de tudo para fugir do jogo, chegando a comer pasta de dente para ter disenteria e não ser obrigado a entrar em campo.

– O Brasil foi desclassificado numa batalha contra os húngaros onde sobraram botinadas e houve até uma voadora (do brasileiro Humberto em Loran) dentro de campo. Diversos jogadores saíram machucados e, quando o jogo terminou, houve mais confusão. Maurinho cuspiu em Czibor, o craque húngaro Puskas (que não jogou por estar machucado) abriu a testa de Pinheiro com uma garrafada, e o técnico brasileiro Zezé Moreira entrou no vestiário húngaro e acertou o técnico húngaro Gustav Sebes com uma chuteira. A Fifa não puniu ninguém.

– A Hungria, seguindo um imperioso ritmo de treinamentos, com aquecimento antes das partidas (só ela o fazia), estava invicta desde a Copa de 1950, tendo jogado 31 vezes, sendo 27 vitórias (20 por goleada), e era a grande favorita. Já havia goleado na primeira fase da Copa sua adversária da final, a Alemanha, por 8 a 3. E como sempre, devido ao aquecimento, na final abriu logo o placar: aos nove minutos do 1º tempo já ganhava por 2 a 0. Porém, a chuva ajudava o time alemão, mais pesado. A Alemanha não havia escalado todos os seus jogadores titulares contra os magiares na primeira fase. Utilizando chuteiras apropriadas para a chuva enquanto os húngaros escorregavam, aos 18 minutos do primeiro tempo os alemães já haviam empatado a partida. Além disso, a Hungria havia enfrentado uma batalha campal nas quartas-de-final contra o Brasil, e penado para derrotar o fortíssimo time uruguaio na semifinal, indo muito mais desgastada para a final que a Alemanha, que enfrentou adversários mais fracos e acabou derrotando a Hungria com um gol no fim do jogo. Pelo time que a Hungria possuía, esta é considerada a maior virada de todos os tempos.


1958 – Local: Suécia – Campeão: Brasil
– Dos cinco títulos até então disputados, quatro estavam nas mãos dos bicampeões Uruguai e Itália. Porém, estes dois não conseguiram sequer passar das eliminatórias e não foram à Copa.

– 28 anos depois da primeira Copa do mundo, uma partida termina em 0 a 0: Brasil X Inglaterra. Alguns jogadores chegaram a pensar que haveria prorrogação.

– Diz a lenda que houve uma pequena rebelião dentro do grupo da seleção brasileira onde se exigiu a entrada de Zito, Pelé e Garrincha no time titular. Porém, Pelé só não havia jogado antes porque chegou a Copa machucado, E Zito e Garrincha entraram no lugar de Dino Santi e Joel porque o time não ia bem, mas também porque estes sentiam dores musculares.

– Na semifinal Suécia X Alemanha, o árbitro húngaro Istvan Szolt foi decisivo. Não marcou um pênalti a favor dos alemães, não invalidou o gol ilegítimo dos suecos, ao ignorar um toque de mão no lance que gerou o gol de empate. No 2º tempo, dois jogadores trocaram agressões, mas apenas o alemão foi expulso. E logo depois, não puniu um jogador sueco Parling que deu uma entrada dura em Fritz Walter. Este, apesar de ter voltado a campo, não conseguia correr e só pôde fazer número. Com dois jogadores a mais, a Alemanha não resistiu e os suecos marcaram dois gols nos últimos 10 minutos de jogo.

– “Ninguém os conteria. Se você marcasse o Pelé, Garrincha escapava e vice-versa. Se você marcasse os dois, o Vavá entraria e faria o gol. Eles eram endemoniados, infernais”. Palavras do craque francês Just Fontaine, artilheiro da Copa com incríveis 13 gols, o maior número já marcado até hoje – algo que provavelmente nunca será superado. E o número de gols que Fontaine marcou em Copas poderia ser maior, se duas fraturas seguidas na tíbia não o tivessem obrigado a se aposentar, com apenas 27 anos de idade. O maior artilheiro em Copas, o alemão Miroslav Klose, marcou 16 gols, tendo participado de 4 torneios. Fontaine participou de apenas uma Copa e marcou 13.

– Como os finalistas Brasil e Suécia utilizavam uniformes de cores similares, a Fifa realizou um sorteio para decidir quem utilizaria o primeiro uniforme e o Brasil perdeu. No sábado (um dia antes do jogo) o roupeiro Francisco de Assis comprou no comércio sueco um jogo de camisas azuis, e passou a noite costurando números e distintivos no uniforme improvisado. Porém, o problema maior era a superstição, que abalava decisivamente a confiança dos jogadores. Como o Brasil chegou à final usando amarelo, mudar de cor no último momento não parecia bom presságio. Então, o chefe da delegação Paulo Machado de Carvalho disse ao grupo de jogadores: “A cor azul vai dar sorte, pois é a mesma do manto de Nossa Senhora de Aparecida, a padroeira do Brasil”, disse ele, ressaltando que foi sua a decisão do Brasil jogar de azul. O dirigente mostrou o manto de Nossa Senhora e com isto neutralizou todas as superstições negativas. O Brasil foi campão ganhando o jogo por 5 a 2.

– A seleção brasileira possuía os craques Nilton Santos, Garrincha, Pelé, Vavá, mas o principal jogador da seleção era Didi. Este era apelidado de “Príncipe Etíope”, dada a elegância que corriaem campo. Didi inventou a “folha seca”, chute em que a bola subia e caía repentinamente. O jogador tinha um jeito diferente de tratar a bola, fruto de uma contusão sofrida em 1952. Como ficou um bom tempo sem poder chutá-la, desenvolveu um jeito de bater com as pontas dos dedos, dando efeito em sua trajetória. O príncipe etíope quase teve uma perna amputada aos 15 anos devido a uma grave e mal curada lesão. Recuperado depois de uma cirurgia, a perna direita ficou 1cm menor que a esquerda, e a chuteira do pé direito também era maior, 41, contra 40 do pé esquerdo. Antes da Copa, a imprensa afirmava que o meia Joacir do Flamengo vinha treinando melhor que Didi, e que este, por sua vez, não se esforçava nos treinos. Questionado a respeito, o craque saiu-se com uma frase que se tornou famosa: “Treino é treino, jogo é jogo”. Foi eleito craque da Copa, deixando Vavá, Nilton Santos, Pelé e Garrincha para trás.

– A pedido do dirigente Paulo Machado de Carvalho, o massagista Mário Américo roubou a bola da final que estava entre os braços do árbitro Maurice Guige dando um soco nela, pegando-a e fugindo correndo. O árbitro foi ao vestiário pedir a bola de volta, mas acabou levando uma outra bola qualquer.

– Alguns diziam que Djalma Santos precisou de apenas um jogo para ser eleito o melhor lateral direito do Mundial, mas a Fifa elegeu o sueco Niels Liedholm como o melhor da posição.

– Pelé fez nesta Copa um gol quando tinha 17 anos e 239 dias, sendo o mais jovem a fazê-lo, e também se tornou o mais jovem a ser campeão do mundo, título que detém até hoje.

– Depois da desorganização de outros mundiais, o dirigente Paulo Machado de Carvalho, o Manga (apelido que os jogadores o davam sem que ele soubesse) arquitetou o planejamento da campanha do título, contribuindo também para contagiar o grupo com sua confiança na vitória. Hoje, dá nome ao estádio do Pacaembu.

– Pela primeira vez o esquema tático padrão mudou do 2-3-5 para o 4-2-4.

– Os jogadores argentinos foram recebidos com paus, pedras e moedas dos torcedores quando retornaram do mundial, sendo acusados pela imprensa local de se empenharem mais em noitadas do que nas partidas.


1962 – Local: Chile – Campeão: Brasil
– Dois anos antes da Copa, dois terremotos (um possivelmente atingiu 8,5 graus na escala Richter – o que o colocava como o mais violento já registrado no mundo até então) destruíram o Chile, afetando mais de 400 mil quilômetros quadrados e deixando 25% da sua população desabrigada. Cogitou-se em mudar o lugar do mundial, porém, o carismático brasileiro naturalizado chileno Carlos Dittborn Pinto, presidente da confederação sul americana de futebol, que já havia conquistado a sede da Copa para o seu país devido ao grande carisma que possuía, convenceu os dirigentes da Fifa em manter a Copa no Chile. Um de seus argumentos que ficaram famosos foi uma frase a respeito do esforço de reconstrução que o Chile deveria fazer para organizar o mundial: “Porque não temos nada, faremos tudo!”.

– As seleções da Itália e Espanha pagaram para terem jogadores de outras origens em seus times. A seleção italiana naturalizava os que tinham ao menos um sobrenome italiano. A azzurracomprou os argentinos Maschio e Sivori, além dos brasileiros Sormani e Mazzola – este jogou a Copa de 58 pelo Brasil e a de 62 pela Itália. A Espanha já não fazia distinção em haver sobrenome de seu país. Levou os craques veteranos Puskas, da Hungria, e Di Stéfano, da argentina. Também naturalizaram o paraguaio Eulogio Martinez e o uruguaio José Santamaría. A grande quantidade de origens dos seus jogadores fez com que a Espanha fosse apelidada de ONU F.C.

– O jogo de desempate deixou de valer como critério para decidir qual time seguiria quando eles terminavam com o mesmo número de pontos, já que este jogo extra desgastava as seleções e prejudicavam as que o faziam, pois não tinham tempo para se recuperarem antes das outras partidas. Passou a valer o gol average, a divisão dos gols marcados pelos gols sofridos, o que não é a mesma coisa que o saldo de gols. Por exemplo, se um time faz cinco gols e toma dois, fica com três de saldo. E outro faz três e toma um, fica com dois de saldo, o que classificaria o primeiro. Já no gol average, classificaria o último, pois 5/2 = 2,5 e 3/1 = 3.

– Nas eliminatórias a Holanda se recusou a deixar os alemães orientais ingressarem no país – o muro de Berlim havia sido construído há dois meses. Para evitar um incidente diplomático, a Fifa cancelou o jogo, já que nenhuma das duas seleções tinha mais chance de classificação.

– A União Soviética e a Iugoslávia decidiram a EuroCopa de 1960 num jogo com muita pancadaria, vencendo a URSS por 2 a 1. Na Copa, a URSS ganhava o jogo por 2 a 0 com o goleiro soviético Yashin fechando o gol. A cinco minutos do fim, o atacante iugoslavo Mujic sofreu um pênalti e o árbitro não marcou. O atacante revidou quebrando a perna direita do zagueiro soviético Dubinski em dois pontos, na tíbia e no perônio. O iugoslavo não foi expulso, mas não jogou mais na Copa – foi mandado embora pela sua própria delegação. As fraturas em Dubinski nunca regeneraram totalmente, o que inutilizou o soviético para o futebol para sempre. No local da pancada desenvolveu-se um sarcoma, uma especie de câncer. A perna de Durbinski foi amputada para que o câncer não se espalhasse, mas isto não bastou e a doença o matou sete anos depois.

– O único gol olímpico marcado em Copas ocorreu na de 62, no empate de 4 a 4 de URSS e Colômbia, depois de uma falha do zagueiro soviético Chokeli, para desespero do goleiraço Yashin. Assim como a URSS, o destaque do time mexicano estava no gol, com o goleiro Carbajal.

– O craque argentino naturalizado espanhol Di Stéfano não pôde jogar, pois se recuperaria de uma lesão no meio do mundial, porém, a Espanha caiu logo na primeira fase e ele acabou nunca disputando uma partida de Copa do mundo.

– O jogo Chile e Itália foi tumultuado desde o começo, com os chilenos partindo pra cima do árbitro inglês Ken Aston, que perdeu o controle da partida. O chileno Toro deu um chute no italiano Mora, que foi vingado por Ferrini, porém, só este foi expulso, o que gerou grande confusão, carecendo da polícia entrar em campo para retirá-lo. Depois, o italiano Maschio acertou Leonel Sanchez e este revidou com um soco, quebrando o nariz do italiano. Nenhum dos dois foi punido, mas Sanchez acabou levando um chute no pescoço do italiano David – e este foi expulso. Com tanta confusão, o primeiro tempo terminou com 72 minutos, e a Itália, com dois jogadores a menos, perdeu por 2 a 0. O criticado árbitro Ken Aston veio a abandonar o futebol devido a uma lesão muscular, e não por causa do jogo. Anos depois, como diretor de arbitragem da Fifa, ele criou os cartões amarelo e vermelho.

– O Brasil só precisava de um empate com a Espanha, mas entrou nervoso – Pelé havia se machucado e não jogaria mais na Copa. Sufocado pela Espanha, levou um gol. E só não levou o segundo devido a uma ajuda da arbitragem. Nilton Santos derrubou Collar dentro da área, porém, deu um passo a frente saindo dela, induzindo o árbitro a marcar apenas falta. Na cobrança desta falta, Peiró marcou de bicicleta, porém, o juiz deu jogo perigoso – embora ele estivesse a um metro e meio do zagueiro brasileiro Zózimo. Reanimada, a seleção brasileira foi pra cima e o substituto de Pelé, Amarildo, fez dois gols. O Brasil passou e a Espanha estava fora. Comemorando, Pelé, vestido, abraçou seu substituto enquanto este ainda estava embaixo do chuveiro.

– O jogo Inglaterra e Brasil foi interrompido devido a invasão no campo por cachorros – cenas que ficaram famosas. O primeiro driblou até Garrincha, e só foi pego pelo zagueiro inglês Jimmy Greaves, que ficou de quatro e conseguiu se aproximar do cão. O segundo, depois de passear pelo campo, passou por debaixo do alambrado e desapareceu.

– Na semifinal Brasil 4 X 2 Chile, o árbitro anulou um gol legítimo de Vavá, além de marcar um duvidoso pênalti a favor dos anfitriões. No fim do jogo, expulsou o chileno Landa que fez dura falta em Zito. Garrincha, que apanhou o jogo inteiro, revidou em Rojas “Foi um pontapezinho da amizade”, disse o brasileiro depois, sobre o lance. Os chilenos reclamaram, e depois de consultar o bandeira, o árbitro expulsou Garrincha – o que tiraria o craque da final. Até Tancredo Neves, presidente do conselho de ministros do Brasil, intercedeu junto a Fifa para que o brasileiro pudesse jogar, argumentando que era a primeira falta do jogador na Copa e isto deveria contar em seu favor. Foi convocada uma reunião extraordinária na Fifa para tratar do caso, e o árbitro confirmou que não viu o lance – havia seguido o bandeira uruguaio Esteban Mariano. Mariano foi convocado a depor, mas havia deixado o Chile – acreditava-se, com destino a Montevidéu, mas ninguém sabia ao certo. Depois, especulou-se que sua viagem para fora do Chile foi paga pela CBD e que ele teria ido para o Brasil. O fato é que um mês depois da Copa, o uruguaio foi contratado pela federação paulista de futebol. E Garrincha jogou a final.

– Garrincha não jogou bem na primeira fase da Copa. Porém, nos jogos finais, lavou a alma. Nas quartas-de-final contra a Inglaterra fez dois gols que não eram da sua especialidade (o drible): um de cabeça, subindo mais alto que o zagueiro inglês, e outro chutando por cobertura de fora da área. E ainda bateu uma falta, originando um rebote que Vavá concluiu. Na semifinal, marcou outros dois contra o Chile. O jornal chileno El mercúrio estampou em suas páginas durante a competição: “Garrincha, de que planeta vienes?”. Na final jogou com febre, proveniente de uma gripe ainda mal curada de dois dias antes da partida e acabou não marcando o seu. Apesar de saber da importância da Copa, chamava o adversário da final, a Tchecoslováquia de “aquela equipe com a camisa do São Cristóvão”. “Dava até orgulho de jogar contra ele”, disse o tcheco Novak, a quem coube marcá-lo na final. Garrincha veio a ser eleito o craque da Copa.

– O árbitro soviético Nikolai Latichev tinha o sonho de ficar com a bola da final. Porém, o massagista brasileiro Mário América, assim como em 58, surrupiou-a. A Fifa compensou o árbitro dando-lhe um apito de ouro.


1966 – Local: Inglaterra – Campeã: Inglaterra
– Das 14 vagas disponíveis para a Copa do mundo (as outras duras eram preenchidas pelo campeão anterior e o anfitrião), a Fifa só destinava uma para os africanos e asiáticos – que possuíam 42% dos países filiados à entidade, o que os incomodava. Porém, a gota d’água foi a definição dos grupos eliminatórios, quando a Fifa aceitou a inscrição da África do Sul, que vivia sob o regime racista do apartheid. 15 dos 19 concorrentes desistiram em represália a decisão da entidade de aceitar o país nas eliminatórias. Mais adiante a Fifa desclassificou a África do Sul, mas já era tarde, e apenas a Austrália e as duas Coreias disputaram a vaga.

– Esta foi a primeira Copa a ter uma mascote, o leão Willie, uma forma idealizada para arrecadar dinheiro com o licenciamento da imagem. A mascote virou mania nacional na Inglaterra, sendo estampado nos mais variados produtos – até em anúncios de cerveja.

– O técnico brasileiro Feola, sem a blindagem de Paulo Machado de Carvalho, acabou aceitando a pressão dos cartolas que queriam jogadores dos seus clubes na Copa e acabou pré-convocando mais de 40 jogadores. A bagunça era tamanha, que numa reunião aonde já tinham sido pré-convocados 43 jogadores, um cartola reclamou que havia poucos jogadores do Corinthians e outro cartola sugeriu o nome do meia Ditão, e os demais concordaram. A relação foi encaminhada à secretária da entidade, que deveria datilografar a lista oficial. Porém, só havia os nomes de guerra dos jogadores, e ela precisava dos nomes completos. Ela então pediu auxílio a um repórter, que, sem saber da reunião, passou o nome de outro Ditão, um zagueiro, jogador do flamengo, que desta forma foi chamado por engano. E por incrível que pareça, mesmo sabendo do erro, tudo ficou por isto mesmo na convocação oficial da CBD, e o Ditão trocado foi o pré-convocado. Do grupo que foi à Copa, os cortes mais contestados foram o do zagueiro Djalma Dias, do lateral Carlos Alberto Torres e do atacante Servílio.

– O goleiro mexicano Carbajal, titular da posição desde 1950, foi a Copa de 1966 como reserva, tendo jogado apenas uma partida, contra o Uruguai. Acabou sendo – juntamente com o árabe Al-Deayea – o goleiro mais vazado em toda a história das Copas, tendo tomado 25 gols – não por sua culpa. Em 1998 foi reconhecido como o melhor goleiro das Américas Central e do Norte de todos os tempos.

– No jogo Inglaterra 2 X 0 França, os franceses reclamaram muito da arbitragem do peruano Arturo Yamasaki. Primeiro ele validou um gol que Roger Hunt converteu impedido, e depois, validou um gol quando os franceses pediam que o jogo fosse paralisado para atendimento do lateral francês Simon, duramente atingido por Stiles. Os ingleses não pararam e converteram o gol. Os franceses, que precisavam do empate, estavam fora da Copa.

– A Itália foi eliminada na primeira fase ao perder para a União Soviética e para a inexperiente Coreia do Norte, e a seleção, apesar de ter tentado despistar jornalistas e torcedores, assim como em 1954 foi recebida com uma chuva de frutas e tomates podres no aeroporto.

– Nas quartas-de-final Inglaterra X Argentina, o time anfitrião jogava melhor, mas perdia muitos gols, e nervoso, começou a bater, no que foi seguido pelo time portenho. Porém, o árbitro alemão Rudolf Kreitlein só coibia os argentinos. O jogador argentino Rattin decidiu protestar de um lance (em espanhol), e o árbitro, sem entender nada do que lhe era dito, o expulsou (o que, anos seguintes, seria a justificativa para a criação dos cartões amarelo e vermelho – linguagem universal). Rattin demorou mais de dez minutos para sair de campo, e tocou a bandeira inglesa ao sair, causando a ira da torcida local. Mesmo com um a menos, o duelo foi equilibrado, porém, a Inglaterra fez um gol no final, num lance legal, em que os argentinos reclamaram impedimento. No fim do jogo houve grande confusão, e o reserva argentino Astoriza deu uma bofetada no árbitro – acabou tomando gancho de 4 jogos. Rattin reclamou que os torcedores ingleses jogavam latinhas de cerveja nele – e ele nem gostava de cerveja inglesa. Já o técnico inglês impediu que os seus jogadores trocassem camisa com o time adversário: “Nós não trocamos uniformes com animais”.

– Em outro jogo das quartas-de-final, o árbitro inglês James Finney não deu um pênalti a favor do Uruguai, e os sul-americanos, que vinham melhores, perderam a cabeça de vez quando os alemães acharam um gol quase por acaso. As jogadas violentas foram se sucedendo, com grande conivência do árbitro, até o segundo tempo, quando expulsou dois jogadores – somente uruguaios. Com nove em campo a celeste não resistiu, acabou tomando mais três gols e foi eliminada.

– A Coreia do Norte era o azarão da Copa, grande candidato a saco de pancadas. Porém, chegou as quartas-de-final e aos 25 minutos do 1º tempo já ganhava por 3 a 0, na base da velocidade. Porém, numa das viradas mais impressionantes da história das Copas, Portugal fez 5 gols, sendo 4 de Eusébio (um de pênalti). Já a torcida inglesa, no fim do jogo, aplaudiu os coreanos pelo feito que realizaram.

– Na final disputada entre a Inglaterra e a Alemanha, a partida terminou 2 a 2 no tempo regulamentar. Na prorrogação, com dois gols irregulares, a Inglaterra sagrou-se campeã. Mais uma vez o time anfitrião era beneficiado pela arbitragem.

– Sempre que o Brasil é campeão mundial os políticos querem tirar uma casquinha da seleção. Porém, isso aconteceu também depois do fiasco de 66, só que de outra maneira. Foi aberta uma CPI para apurar o fracasso do Brasil na Copa.

– Pouco antes da Copa, a CBD recebeu um comunicado da Federação Inglesa dizendo que o café seria considerado um estimulante. A CBD rebateu afirmando que isso era assunto para o Instituo Brasileiro do Café, e que o chá, tradicional bebida dos ingleses, era muito mais estimulante.

– A Coreia do Norte não possuía relações diplomáticas com a Inglaterra, por isso seu hino não seria executado antes das partidas. Para evitar problemas diplomáticos, a Fifa suprimiu a execução de todos os hinos – que só voltaram a ser executados depois que a Coreia foi eliminada.

– Garrincha, que jogou a Copa com uma artrose no joelho, despediu-se da seleção brasileira na derrota para a Hungria por 3 a 1. Foi seu único revés em 60 partidas pela equipe, pela qual o ponta marcou 16 gols.


1970 – Local: México – Campeão: Brasil
– Pela primeira vez houve uma vaga destinada somente para as equipes africanas. Também estrearam nesta Copa um novo tipo de bola – a telstar da Adidas, que mantinha melhor a esfericidade e redefiniu o formato das bolas do futuro – e os cartões amarelo e vermelho (inspirados nos semáforos).

– Foi a primeira Copa onde pôde haver substituições de jogadores, sendo também o torneio a inaugurar transmissão a cores em via satélite para todo o planeta, além do replay.

– O critério de desempate passou a ser o saldo de gols.

– Argentina, Hungria, França e Iugoslávia, países que se destacaram em outras Copas, não passaram das eliminatórias.

– Os ingleses levaram comida e água própria para o México, com medo de pegarem o “Mal de Montezuma”, uma intoxicação alimentar que frequentemente ataca os estrangeiros no México. O problema é que os ingleses deixaram escapar que estavam levando a própria água para escapar de serem “contaminados” com alguma peste mexicana. A postura dos ingleses indignou o país-sede. A mais dramática manchete dizia: “Sua Majestade nos chamou de porcos” e os mexicanos passaram a odiar os ingleses, fazendo algazarras nas madrugadas em frente ao hotel onde eles dormiam, impedindo-os de descansarem. A delegação brasileira também foi questionada sobre a alimentação, e o embaixador Pinheiro Batista, que acompanhava a delegação, respondeu no ato: “O que é bom para os mexicanos é bom para os brasileiros”. Foi uma contribuição diplomática colossal: ali, naquela declaração, estava ganha a torcida mexicana, que apoiou o Brasil em toda a Copa.

– A CBD convidou para ser técnico o jornalista João Saldanha, que tinha pouca experiência como treinador, como meio de provocá-lo, já que ele era um feroz crítico da seleção em seus artigosem O Globo, seguindo a linha “você é capaz de fazer melhor?”. Para a surpresa da CBD, o jornalista aceitou, e definiu os onze titulares no mesmo dia em que foi anunciado técnico, armando um time bastante ofensivo. O gaúcho, apelidado “João sem medo” obteve um ótimo retrospecto, porém, o técnico era comunista e nutria antipatia pela ditadura militar que comandava o Brasil. Para piorar, o ditador que dava as cartas, Médici, era fã de futebol, e dizia-se (nunca fez uma declaração pública neste sentido) que ele desejava que Dario (o mesmo que viria a se auto-intitular “Dadá Maravilha”) fosse convocado. Saldanha respondeu que nem ele escalava o ministério, nem o presidente escalava a seleção. Saldanha, deixando um time semi-pronto acabou demitido, assumindo Zagallo, que tinha bom relacionamento com os cartolas e não se opunha ao regime militar. Porém, Zagallo não queria – como João Saldanha fazia – escalar Pelé e Tostão juntos, deixando este último e Rivellino na reserva, contrariando os anseios da torcida. Depois de resultados desfavoráveis e vaias da torcida, Zagallo acabou cedendo e escalando-os juntos. Na véspera de um amistoso contra a Áustria, numa reunião no quarto de Pelé  – contando com o próprio Rei, mais Clodoaldo, Tostão, Rivellino e Gérson, decidiu-se como o time jogaria. O time titular não possuía um ponta-esquerda, portanto Tostão cairia por este lado. Rivellino (que segundo Zagallo seria um terceiro meio-campista) atacaria bastante, mas também deveria ajudaria Gérson na armação – a este caberia comandar tudo. Clodoaldo poderia avançar para combater o adversário no campo de ataque, e Pelé ficaria pelo meio, sem recuar muito, buscando tabelas com Tostão. Tal esquema flexibilizaria o 4-3-3 imposto pelo técnico. Apesar de Zagallo, o Brasil conseguiria ser campeão.

– O zagueiro Djalma Dias e o lateral esquerdo Rildo, titulares absolutos com João Saldanha foram cortados da convocação para a Copa, sendo chamados por Zagallo os irregulares Everaldo e Marco Antônio.

– O jogo México x El Salvador corria normalmente quando no fim do primeiro tempo foi marcada uma falta perto da lateral e os salvadorenhos pensaram que fosse a favor deles. Os mexicanos cobraram a falta e fizeram o gol, e os salvadorenhos nada fizeram para impedir. Porém, quando o árbitro egípcio Aly Hussein Kandil confirmou o gol, os salvadorenhos não o deixaram reiniciar a partida, cercando-o e tirando a bola do meio de campo – até que o capitão salvadorenho Mariona chutou-a para fora do campo e o árbitro teve de encerrar a primeira etapa. Os salvadorenhos cogitaram não voltar para os gramados, porém, voltaram a campo e, psicologicamente abalados, levaram mais três gols.

– Na prorrogação de URSS X Uruguai, os soviéticos marcaram um gol logo no primeiro minuto, mas o juiz o anulou, sem explicações. A três minutos do fim, o Uruguai fez um gol proveniente de um cruzamento em que os soviéticos reclamaram que a bola saiu na linha de fundo, mas o juiz validou o gol, o que os eliminou da Copa.

– Na prorrogação da semifinal Itália X Alemanha, saíram 5 gols – o primeiro para a Alemanha, a Itália virou, a Alemanha empatou, e por fim, os italianos conseguiram passar a frente novamente. Estes trinta minutos são considerados os mais emocionantes de toda a história das Copas.

– O goleiro brasileiro Félix complicou a defesa brasileira ao longo do torneio, levando diversos gols infantis.

– O Brasil derrotou na final a seleção da Itália por 4 a 1. Os carcamanos reclamaram bastante da arbitragem, porém, o prejudicado foi o Brasil, que teve um gol legítimo de Pelé anulado no fim do primeiro tempo.

– Com o título de 1970, Pelé sagrou-se tricampeão mundial – o único jogador até hoje a obter tal feito. Quando não esteve machucado foi titular em 58 e 62. Em 70, aos 29 anos, foi escolhido o melhor jogador da Copa, com 4 gols, cinco assistências e três gols “não completos” em jogadas antológicas. Em sua lendária carreira, foram 1.283 gols em 1.367 partidas. Posteriormente, cada gol ganhou uma medalha comemorativa, sendo cada uma delas leiloada com a renda destinada a entidades que cuidam de crianças. Além dos títulos com a seleção brasileira (nove), Pelé ergueu 45 taças com o Santos – inclusive o bicampeonato mundial 62-63 –, uma pelo Cosmos, uma pela seleção das forças armadas brasileiras e uma pela seleção paulista. Pelé também foi eleito atleta do século pelo jornal francês L’Equipe em 81, e pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), em 1999.

– Para o jornal italiano Stampa Sera, o problema é que o adversário era de outro mundo. “A Itália enfrentou pelo menos quatro monstros de outro planeta”, afirmou, referindo-se a Pelé, Gérson, Rivellino e Jairzinho.

– Ao fim do jogo a torcida mexicana invadiu o gramado. Tostão perdeu todo o uniforme para os torcedores, saindo de campo só de cueca. Rivellino desmaiou em campo, e mesmo assim, durante o atendimento do massagista, foi rodeado de fãs. Pelé, sem camisa, foi carregado nos ombros pela torcida usando um sombreiro. A sua camisa havia sido levada pelo jogador italiano Rosato, que em 2002 leiloou-a por 283 mil dólares.

– Desde a Copa de 1934, nunca o time que abria o placar da final tornava-se campeão, tradição que foi quebrada.

– Jairzinho (Botafogo), Gérson (São Paulo), Tostão (Cruzeiro), Pelé (Santos) e Rivelino (Corinthians), ou seja, toda a linha de frente do Brasil utilizava a camisa 10 em seus respectivos clubes. Como na Copa só poderia haver um camisa 10, a honra, obviamente, coube a Pelé.

– Depois da conquista da taça Jules Rimet pelo Brasil, a Fifa cogitou batizar o novo troféu – a ser disputado a partir da Copa de 74 – de Taça Pelé, mas acabou escolhendo mesmo o nome Taça Fifa.

– Esta foi a Copa em que mais jogadores de uma seleção foram escolhidos para a seleção da Copa da Fifa: 6. Eram eles Carlos Alberto, Clodoaldo, Gérson, Jairzinho, Rivelino e Pelé – este último também eleito craque da Copa.


1974 – Local: Alemanha – Campeã: Alemanha
– O técnico brasileiro Zagallo ignorou um jovem meia-atacante que já brilhava no flamengo e viria a ser o maior jogador de todos os tempos deste clube: Zico, e não o convocou. Tampouco levou um time-base montado para a Copa. Perguntado sobre o que achava das outras seleções, disse que: “Não temos que nos preocupar com os outros. Somos os tricampeões mundiais. Logo, os outros é que têm que se preocupar conosco”. Em seu retranqueiro esquema tático, os meias tinham que recuar para pegar a bola atrás dos laterais.

– A seleção holandesa brilhava no mundial e devido ao seu estilo de jogo em que os jogadores mudavam de posição dentro de campo e foi apelidada de “Laranja mecânica”. Já o Brasil, atual campeão, nas duas primeiras partidas da primeira fase empatou por 0 a 0, e ainda por cima nas costas do goleiro Leão que fez diversas grandes defesas. Na última partida da primeira fase o Brasil precisava de uma vitória por três gols contra o fraquíssimo Zaire (que já tinha tomado de 9 da Iugoslávia) e só conseguiu o feito devido a um frango do goleiro africano a poucos minutos do fim. Nas quartas de final o Brasil se classificou com um gol de falta de Rivelino. Apesar do fraco futebol apresentado, antes da semifinal contra a Holanda, Zagallo se gabava: “A Holanda é muito tico-tico no fubá, que nem o América nos anos 50”, dizia que o time não tinha tradição em Copas e isto pesava contra eles: “Nós somos tricampeões, eles é que têm que ter medo da gente. A Holanda não me preocupa. Estou pensando na final contra a Alemanha”. A Holanda derrotou o Brasil por 2 a 0 e mandou a seleção canarinho - e a arrogância de seu técnico - de volta pra casa mais cedo.

– No jogo contra a Holanda o Brasil só se destacou pela violência – dentre outros, a poucos minutos do fim, Luis Pereira quase rachou Neeskens em dois. Foi expulso e ainda bateu boca com a torcida alemã.

– Zagallo deixava no banco aquele que é considerado o maior jogador de todos os tempos do Palmeiras, Ademir da Guia. Na disputa do terceiro lugar ele foi escalado e era um dos melhores do time, porém, o técnico resolveu substituí-lo: quando ele saiu a Polônia passou a dominar o meio de campo, e acabou marcando um gol, que lhe deu o seu melhor resultado de sua história, um terceiro lugar.

– O carrossel holandês vinha como grande favorito para a final contra a anfitriã Alemanha, e tudo parecia dar certo quando logo ao primeiro minuto de jogo os holandeses sofreram um pênalti e Neeskens converteu. Porém, a Alemanha virou pra cima da Holanda, e ganhou por 2 a 1. E  o placar só não foi maior devido ao fato de o árbitro ter anulado um gol legítimo alemão, além de ignorar um pênalti claro a favor dos teutônicos. A Alemanha derrotava a favorita Holanda e seu carrossel.

– O holandês Cruyff foi eleito o melhor jogador da Copa – fato raro, já que normalmente o jogador escolhido é da seleção campeã. Até então isto só havia acontecido com o húngaro Puskas, em 54, curiosamente também vencido pela seleção alemã. Quem observava Cruyff correr em campo não poderia imaginar que ele teve dificuldades para andar na infância por causa de um defeito na formação dos pés, necessitando usar aparelhos ortopédicos até os 10 anos de idade. Sua mãe, viúva, que trabalhava como faxineira no Ajax, teve a ideia de colocá-lo no futebol para ajudá-lo a desenvolver as pernas. O holandês também se destacava fora dos gramados. Politizado, poliglota (falava holandês, alemão, francês, inglês, espanhol, italiano e um pouco de sueco), fumava dois maços de cigarros fortíssimos por dia, e conseguiu um prêmio aos jogadores holandeses mais alto do que o pago aos campeões alemães.

– Beckenbauer, considerado o melhor zagueiro de todos os tempos, popularizou a função de líbero. Ele foi o único a ser eleito para três seleções ideais de mundiais diferentes (1966, 1970 e 1974), algo que nem Pelé conseguiu – o brasileiro foi a quatro Copas, mas só jogou plenamente em duas, nas de 62 e 66 esteve machucado devido às muitas pancadas que levava.

– Galvão Bueno foi escalado para “fazer tubo” narrar uma partida a partir das imagens de TV, e não ao vivo. Vendo um time de branco e outro de amarelo, começou a narrar como se fosse Suécia e Bulgária. Porém, o time amarelo chutou a bola para a linha de fundo, e no replay aparecem os caracteres do placar eletrônico: Alemanha Oriental 0 X 0 Austrália. O narrador seguiu como se nada houvesse acontecido: “Cobra o tiro de meta a Alemanha Oriental”...

– Pouco antes da Copa, a seleção uruguaia viajou para a Indonésia e para a Austrália, para disputar amistosos preparatórios. Uma mudança de planos fez com que a delegação decidisse partir à noite, o que levou ao cancelamento das reservas anteriormente feitas. O avião que seguiu sem a equipe caiu e matou 107 pessoas.


1978 – Local: Argentina – Campeã: Argentina
– O craque holandês Johan Cruyff e o alemão Paul Bratner (ambos eleitos na seleção ideal da Copa de 74) recusaram-se a ir ao mundial, devido à sangrenta ditadura que reinava no país sede.

– O grupo insurgente “Movimento Peronista Montonero” determinou aos seus membros que não realizassem ações armadas durante o mundial. Os argentinos são politizados, porém, mais do que politizados, são apaixonados por futebol. E os Montoneros também queriam ver a seleção campeã.

– A ditadura não ocorria só na Argentina, mas era comum na América Latina da época. O Paraguai teve no comando o general Alfredo Stroessner, que deu um golpe em 1954 e só saiu com outro golpe militar trinta e cinco anos depois. No Brasil o golpe foi em 1964 e somente em 1989 houve novamente eleições diretas. No Chile, em 1973 Salvador Allende foi “suicidado” com uma rajada de metralhadora nas costas, e o general Augusto Pinochet governou até 1988, quando foi massacrado em um plebiscito popular. Também em 1973, no Uruguai, Juan Maria Bordaberry fechou o congresso e instaurou a ditadura, permanecendo no poder até 1984. A Bolívia viveu uma sucessão de golpes militares entre 1969 e 1982, ano em que o presidente Siles Zuazo pôde, finalmente, assumir o cargo para o qual fora eleito em 1980. Isto só para citar os vizinhos da Argentina. Em todos os casos as mesmas características: censura, repressão popular, violência e atraso econômico. A CIA (central de inteligência norte americana) é acusada de estar por trás destas ditaduras.

– João Havelange foi eleito presidente da Fifa pouco antes da Copa de 1974 e sequer retornou ao Brasil depois do mundial. O novo presidente da CBD veio a ser Heleno Nunes, que era almirante (mais elevado posto hierárquico da marinha) e presidente da Arena (partido do governo militar da época). Por causa disto, muitos times irrelevantes passaram a fazer parte do campeonato brasileiro, devido a motivos eleitorais. Criou-se até um par de versos sobre a situação: “Onde a Arena vai mal, mais um time no Nacional. Onde a Arena vai bem, mais um time também”. Em 1974 quarenta times disputavam o Brasileirão. Em 1979, noventa e quatro equipes o fizeram – isto porque Corinthians, São Paulo e Santos se recusaram a disputar essa edição.

– Na Copa de 1978 o treinador da seleção brasileira era o capitão do exército Cláudio Coutinho. Inventor de conceitos como “overlapping” – jogada em que o lateral toca a bola para o ponta antes de recebê-la em profundidade – e “ponto futuro” – espaço vazio para onde um atacante deveria se deslocar para receber a bola – que causavam certa confusão e viraram motivo de chacotas na época. O técnico não convocou nenhum lateral esquerdo de ofício (deixando de levar Marinho Chagas e Júnior), improvisando o zagueiro de área Edinho na posição. Também não convocou Paulo César Caju e Falcão para a Copa. Além disto, o técnico não conseguia inserir os jogadores em seu turbulento esquema tático. Um exemplo era o craque Zico. Brilhante como meia do flamengo, na seleção era escalado quase como um ponta, e obviamente não tinha o mesmo rendimento.

– Algum gênio sugeriu irrigar a grama do estádio Monumental de Nuñez com água do mar, o que, obviamente, destruiu o gramado e prejudicou o jogo Alemanha 0 X 0 Polônia.

– O goleiro reserva holandês Jongbloed entrou no meio da partida contra a Itália. Foi o último goleiro em Copas a agarrar sem a utilização de luvas.

– Apenas 4 jogadores brasileiros jogaram os 4 jogos da Copa completos, sendo que um deles foi o goleiro Leão. Os outros foram os zagueiros Oscar e Amaral, e o meia Batista. Dos 22 convocados, 17 jogaram. Dos cinco que não jogaram, dois eram goleiros reservas.

– A Argentina precisava golear por 4 ou mais gols a forte seleção peruana para seguir na Copa e o fez: ganhou de seis. Houve severas acusações de que os peruanos haviam recebido dinheiro dos ditadores argentinos para entregarem o jogo – polêmica que permanece até hoje. O próprio goleiro peruano Quiroga acusou posteriormente três jogadores de seu país de terem se vendido. Este resultado desclassificou o Brasil – que foi a única seleção a terminar a Copa sem ser derrotada. Por causa deste imbróglio, o técnico brasileiro Cláudio Coutinho afirmou que o Brasil era o campeão moral do torneio. O técnico argentino César Luiz Menotti, depois da final, disse: “Eu felicito meu colega Coutinho por seu campeonato moral e desejaria, também, que ele me felicitasse por meu campeonato real”.

– O Ente Autárquico Mundial (EAM) aproveitou a confusão gerada pela goleada da Argentina sobre o Peru, e substituiu o árbitro israelense Abraham Klei – que havia apitado na primeira fase a vitória da Itália sobre os anfitriões (não influindo no resultado, entretanto) pelo italiano Sergio Gonella. Na final Argentina X Holanda (que, frise-se, jogava sem o craque Johan Cruyff por causa da sanguinária ditadura argentina), o árbitro Gonella invertia as faltas cometidas pelos anfitriões e só coibia o time visitante – marcou 50 faltas só no tempo regulamentar a favor da Argentina. A Holanda jogava melhor, porém, a seleção argentina foi crescendo, na base da catimba e da provocação, contando com a complacência do juiz e conseguiu abrir o placar com Kempes. Mas a Holanda seguiu pressionando e aos 37 minutos da etapa final empatou; no minuto final ainda mandou uma bola no travessão. O jogo foi para a prorrogação e seguiu no mesmo ritmo, com a Holanda buscando mais o jogo e sendo prejudicada pelo árbitro. A mistura de raça e catimba sobressaíram, e a Argentina marcou outros dois gols (um deles irregular – que o juiz não invalidou) e sagrou-se campeã. Suspeitas de favorecimento à parte, a Argentina conseguia finalmente ser campeã do mundo depois de quase 50 anos de espera.

– O árbitro italiano Sergio Gonella, desmoralizado depois da péssima arbitragem na final, abandonou o apito – porém, o estrago contra a Holanda já estava feito.

– O venezuelano Carlos Roman apostou que o Peru iria à final. Se perdesse, comeria uma garrafa de vidro, moída. O Peru perdeu e ele pagou a promessa. Foi internado em estado grave, mas sobreviveu.

– A numeração dos jogadores da Argentina se dava pelos nomes, independia das posições. Assim, o volante Alonso jogava com a 1 e o goleiro titular Fillol, com a 5.


1982 – Local: Espanha – Campeã: Itália
– A Copa de 1982 teve 24 seleções participantes, 50% a mais do que na Copa anterior – João Havelange cumpria sua promessa eleitoral para seguir se elegendo presidente da Fifa.

– Telê deixou de fora os goleiros Leão e Raul, e o atacante Reinaldo por motivos “disciplinares” – o técnico não tolerava contestadores. Ele também não permitia que seus jogadores fossem desleais com os adversários. Porém, levou o atacante Serginho Chulapa, protagonista do mais desleal lance visto no futebol nacional, ao chutar o rosto do goleiro Leão que estava no chão em plena final do campeonato brasileiro. Careca se lesionou a três dias do mundial e Telê levou Roberto Dinamite – que não possuía bom relacionamento com o técnico – em seu lugar. A consequência da saída de Careca: o forte, porém pouco habilidoso Serginho seria o titular. Ao não levar Leão, titular das duas últimas Copas e absoluto na defesa gremista, o treinador escolheu o frangueiro Valdir Peres para o gol.

– A vitória alemã por 1 a 0 sobre a vizinha Áustria classificava as duas seleções. E, logo a Alemanha abriu o placar, e os dois times ficaram tocando a bola no meio campo, até terminar a partida, sobre sonoras vaias da torcida. O juiz chegou a paralisar a partida e pedir aos capitães que mandassem seus times jogar futebol – no que não foi correspondido

– Depois da classificação da Argentina – em 2º no grupo – Maradona passou a cobrar 5 mil dólares por cada entrevista coletiva.

– Os jogadores do Kuwait, islâmicos, praticavam o jejum do Ramadã durante a Copa.

– O jogo França X Kuwait estava fácil para os franceses, que ganhavam por 3 a 1 e converteram o quarto. Porém, logo depois do lance, o xeque Fahid Al-Ahmad Sabah, chefe da delegação do Kuwait, deixou a tribuna de honra e entrou em campo para protestar contra a arbitragem, alegando ter ouvido um apito indicando que o francês estava em impedimento. O xeque ordenou que o time saísse dos gramados caso o gol não fosse anulado. Por excesso de diplomacia ou falta de pulso, o árbitro soviético Miroslav Stupar acatou a reclamação do xeque e depois de oito minutos de reclamação, anulou o gol. Porém, a França veio a fazer o quarto novamente. Stupar foi suspenso pela Fifa e o xeque condenado a pagar uma multa de 11 mil dólares – irrelevante para um magnata do petróleo.

– A Espanha só se classificou para a segunda fase da Copa devido a um generoso auxílio do juiz. A Iugoslávia jogava melhor e já vencia por 1 a 0 quando o árbitro dinamarquês Henning Sorensen apitou um pênalti de uma infração cometida fora da área. O goleiro iugoslavo Pantelic defendeu-o, porém, o árbitro mandou voltar porque ele teria se adiantado – era a primeira vez que um árbitro marcava tal infração numa Copa. A Espanha converteu, se animou em campo com o gol e acabou virando a partida.

– A Irlanda precisava ganhar da anfitriã Espanha para passar de fase, porém, não acreditava que isto fosse possível, tanto que reservou o voo de volta para o dia seguinte a partida. Calhou que a Irlanda venceu e se classificou para a segunda fase da Copa, e os dirigentes irlandeses tiveram que correr ao aeroporto para remarcar os bilhetes.

– O Brasil precisava somente de um empate contra a Itália, mas Telê manteve a formação ofensiva. Quando o jogo estava 1 a 1, o Brasil poderia ter passado a frente quando Zico foi agarrado escandalosamente pela camisa dentro da área, mas o árbitro ignorou a penalidade – a blusa do jogador brasileiro chegou a ser rasgada. Ainda no primeiro tempo Zico deixou Serginho na cara do gol, porém, este isolou a bola. O Brasil deu 27 finalizações a gol, a Itália 9. Em lances fortuitos a Itália fez outros dois gols – um numa falha individual de Toninho Cerezo. Os italianos acabaram vencendo a partida com três gols do até então contestado Paolo Rossi, uma derrota que marcou o Brasil pela beleza do futebol que a seleção apresentava.

– “Quando a Itália fez o segundo gol, olhei para o Cerezo e ele estava chorando. Fiquei louco de raiva. Fui até ele e disse: ‘se você não parar de chorar agora, meto-lhe a mão na cara. Este é um jogo para homens, Toninho. Se você esta com medo, saia logo’.” – disse o lateral Júnior, depois da falha do volante brasileiro que resultou no segundo gol italiano.

– O goleiro Schumacher foi eleito o grande vilão da Copa, devido a uma entrada criminosa que deu no francês Battiston, uma voadora quando o adversário entrava na área sem marcação – o goleiro sequer foi advertido. Enquanto isto, o francês desmaiou, teve uma concussão e perdeu dois dentes. Até a mãe do agressor veio a público condenar a atitude do filho. Mas Battiston perdoou Schumacher, e até convidou-o para o seu casamento.

– O técnico brasileiro Tim, que comandava a seleção peruana, passou aperto com uma CPI aberta para investigar as causas do mau resultado da seleção na Copa. A CPI foi aberta pelos mesmos congressistas que concederam a Tim uma homenagem pela classificação para a Copa, ao deixar para trás o tradicional Uruguai.

– O árbitro brasileiro Arnaldo Cezar Coelho apitou a final Itália 3 X 1 Alemanha. Foi a primeira vez que um brasileiro apitou a final de uma Copa.


1986 – Local: México – Campeã: Argentina
– A Copa deveria ser realizada na Colômbia, porém, devido a problemas econômicos e sociais (cartéis de drogas instalados em Bogotá, Cali e Meddellín, além das Farc), o país desistiu de ser a sede e a Fifa deliberou que o torneio deveria ser realizado em outro país americano, pregando o revezamento de continentes. O país escolhido foi o México, que havia sido sede 4 Copas atrás – e também sofreu um grande terremoto poucos meses antes do torneio, assim como o Chile em 1962.

– Entre as desistências de participar das eliminatórias estão a da Jamaica, que foi excluída por dar calote nas taxas exigidas pela Fifa e a do Irã, que se recusou a jogar somente fora de casa.

– Todos os campeões mundiais (Alemanha, Argentina, Brasil, Inglaterra, Itália e Uruguai) participaram do torneio, o que nunca havia acontecido.

– Oito jogadores saíram numa noite de folga da concentração brasileira na Toca da Raposa. Seis pularam o muro, mas Leandro, trôpego, não conseguiu e Renato Gaúcho carregou-o pela porta da frente. Telê cortou somente Renato Gaúcho, mas Leandro não apareceu no aeroporto, em solidariedade a Renato. Telê também cortou Éder, que havia agredido um jogador adversário num jogo – coisa que não fez com Serginho em 1982.

– Diversos jogadores brasileiros foram à Copa em mau estado físico. Júnior, Falcão, Sócrates e Cerezo não estavam em suas melhores condições. Zico, machucado, chegou a pedir para ser cortado, mas como era o referencial da equipe, foi mantido.

– 4 grandes jogadores uruguaios atuavam no Brasil: o goleiro Rodolfo Rodríguez, o meia Rubem Paz e os zagueiros Dario Pereira e De Leon. Este último sequer foi convocado. Os outros três amargaram o banco – obra do técnico Omar Borrás.

– A base da União Soviética era o dínamo de Kiev, cidade próxima a Chernobyl, onde ocorrera o acidente na usina nuclear. Como a URSS goleou a Hungria por 6 a 0 na estréia, correu a piada que os jogadores soviéticos usavam doping radioativo.

– No jogo contra a Escócia, o zagueiro uruguaio José Batista fez uma falta violenta aos 55s de jogo, ocasionando a mais rápida expulsão em Copas do mundo.

– O craque inglês Bryan Robson foi alvo de polêmica. O gerente de futebol do Manchester United e ex-jogador Bobby Charlton, disse que Robson não deveria ser utilizado até estar completamente curado de uma lesão que o atormentava desde antes de a Copa. O técnico Bobby Robson não deu ouvidos, e além de comprar briga com o ex-craque, perdeu Bryan Robson para o resto da Copa.

– Nas oitavas de final a Bélgica, com uma atuação fenomenal do goleiro Pfaff e uma bela ajuda do árbitro sueco Erik Fredriksson – que validou dois gols irregulares dos diabos vermelhos – conseguiu superar a URSS, e chegaria até as semifinais, melhor colocação da história do time.

– Nas quartas-de-final em que a Argentina derrotou os ingleses com um gol de mão do craque Diego Maradona, o meia saiu-se com a famosa frase em uma das entrevistas: “O gol foi marcado com a minha cabeça e a mão de Deus”. Só dezenove anos depois admitiu o óbvio – que o gol foi irregular.

– A Alemanha derrotou em finais em Copas dois times superiores e que entraram para a história, a Hungria em 1954 e a Holanda em 1974. Porém, na final de 1986 prevaleceu o melhor time e a Argentina foi a campeã.

– O esquema tático era o 4-3-3, com atacantes que não guardam posição – os pontas estão em desuso.

– O árbitro brasileiro Romualdo Arppi Filho apitou a final Argentina 3 X 2 Alemanha. Contestado no Brasil, onde era alcunhado de “Roubualdo”, apitou bem e não se intimidou com Maradona.


1990 – Local: Itália – Campeã: Alemanha
– O técnico chileno Orlando Avarena instigou um clima de guerra nos jogos entre Brasil e Chile pelas eliminatórias. No último jogo, em casa, o Brasil precisava do empate e ganhava por 1 a 0, quando aos 24m do segundo tempo o goleiro chileno Rojas fingiu que se machucou com um foguete sinalizador que estourou a um metro dele e se cortou com uma lâmina que trazia na luva. Os chilenos abandonaram o campo alegando falta de segurança. Os brasileiros temeram uma punição e a exclusão da Copa, porém, a Fifa detectou a fraude, e o Chile foi suspenso da Copa seguinte, 1994. O goleiro Rojas foi banido do futebol, e o técnico chileno Orlando Avarena e o zagueiro Astengo tomaram cinco anos de suspensão.

– O técnico brasileiro Sebastião Lazaroni não levou meio-campistas criativos, como os meias Neto e Raí, além do veterano Zico.

– No jogo Brasil X Escócia, o lateral Branco acertou uma de suas bombas em cheio na cabeça do escocês MacLeod. O jogador desmaiou em campo e foi substituído – ele passou anos sentindo dores de cabeça por causa da bolada. Correram insistentes boatos de que ele teria morrido, o que não é verdade. MacLeod jogou até os 37 anos e encerrou a carreira em 1996, como jogador e técnico (concomitantemente) do Patrick Thistle, da Escócia.

– A despeito de ter dominado o jogo (três bolas na trave e outros gols desperdiçados), o Brasil perdeu para a Argentina por 1 a 0 nas oitavas-de-final. Depois da derrota, muitos reservas cobraram de Lazaroni um lugar no time, chegando a chamar o técnico de desonesto, dentre outros termos menos elegantes, e atacaram indiretamente os próprios colegas. “Vim disputar a Copa e o máximo que consegui foram promessas”, reclamou o zagueiro Aldair. “Lazaroni foi desonesto comigo”, chorou Bebeto. “O Brasil não perdeu a Copa de 90 fora do campo. Perdeu dentro, por incompetência de alguns jogadores”, alfinetou Romário. “Iríamos mais longe com onze Renatos. Falta tesão para muito jogador. Eu não sou um acomodado. O dia em que eu encostar o corpo, eu me aposento”, criticou Renato Gaúcho. Já o meia Maradona disse após a partida: “O Brasil merecia ganhar, mas o futebol é assim mesmo”.

– Branco reclamou na época que se sentiu tonto após tomar uma água oferecida pelos argentinos. Aqui mesmo no Brasil disseram que era desculpa de perdedor. 15 anos depois, bêbado, em um jantar, Maradona confessou que a água tinha anestésicos e que ele mesmo a teria oferecido para Branco. Quando um argentino foi beber, o Pibe falou “dessa aí, não! Da outra”. O fato ganhou os jornais em 2005. Já o técnico Carlos Bilardo deu a entender que a prática era comum. Em seu programa de entrevistas, Maradona confessou o pecado a Pelé, mas negou que fosse ele o autor do feito.

– A Iugoslávia apresentava uma talentosíssima geração de jogadores – os defensores Mihajlovic e Jarni, os meias Boban, Mijatovic e Boksic, os atacantes Suker, Prosinecki e Savicevic. Com essa equipe conquistaram o Mundial de Juniores em 1987, e, no ano seguinte ajudariam o Estrela Vermelha de Belgrado a se tornar campeão europeu e mundial. Mal sabiam eles que este seria o último mundial da Iugoslávia. O país se desintegrou numa sangrenta guerra civil nos anos 90, e acabou se dividindo em seis países independentes: Sérvia, Montenegro, Croácia, Eslovênia, Bósnia e Macedônia.

– Nas quartas de final entre Camarões e Inglaterra o árbitro mexicano Edegardo Codesal foi bastante elogiado pela imprensa por ter a coragem de marcar três pênaltis – todos existentes. Acabou sendo escalado para apitar a final pelo desempenho.

– Esperava-se que, dentro de casa, a Itália tivesse toda a torcida a seu favor. Porém, em Nápoles, na semifinal entre os anfitriões e a Argentina não foi o que se viu. Historicamente, a cidade localizada no sul da Itália se sentiu marginalizada. Além disso, muitos apreciavam Maradona, craque do Napoli. Calhou que os dois fatores somados fizeram com que a torcida se dividisse no estádio San Paolo.

– O pegador de pênaltis Goycochea levou a Argentina a frente em decisões de pênaltis tanto nas quartas-de-final contra a Iugoslávia quanto na semifinal contra a Itália. Na final, a Alemanha jogou melhor, mas perdeu inúmeras chances de gol. O juiz mexicano Edgard Codesal não deu um pênalti claro do próprio Goycochea quando este derrubou Augenthaler na área, e depois, marcou um pênalti controverso, quando Völler levou um encontrão de Sensini. Brehme bateu bem e conseguiu vencer o goleiro argentino. A Alemanha era tricampeã.

– O meia alemão Lothar Matthäus foi eleito o craque da Copa – disputava seu terceiro torneio, era o capitão e a peça-chave da equipe. Naquele mesmo ano foi eleito o melhor futebolista do planeta pela revista inglesa World Soccer e, em 1991, tornou-se o primeiro “melhor do mundo” eleito pela Fifa. Nos anos seguintes Matthäus teve problemas físicos que o levaram a jogar como líbero. Ele ainda disputaria as Copas de 1994 e 1998, e se tornaria o jogador com mais partidas em mundiais, 25.

– No grupo alemão a amizade não era o forte. O meia Matthäus e o atacante Klinsmann, por exemplo, eram desafetos declarados.

– Franz Beckenbauer tornou-se o segundo na história a ser campeão como técnico (1990) e jogador (1974). O primeiro foi Zagallo, campeão como jogador em 1958 e 1962 e como técnico em 1970.

– A vice-campeã Argentina registrou o pior desempenho de todos os finalistas em Copas do mundo da história: apenas duas vitórias e cinco gols marcados em sete jogos – também foi a primeira seleção a não marcar gol na final.

– Até a final Alemanha X Argentina, as finais registraram pelo menos 3 gols. Esta final, com apenas um, foi a menos efetiva em gols da história até então. O mundial também registrou a menor média de gols por partida de todos: 2,21 por jogo.

– Titulares absolutos do Brasil em 1994, Bebeto e Romário amargaram o banco em 1990. “Pode anotar, foi a minha primeira e última Copa”, disse Romário quando chegou ao Brasil depois da eliminação. Mas Bebeto já pensava diferente: “Estaremos juntos na Copa do Mundo de 94”.

– João Saldanha, ex-treinador da seleção brasileira e que deixou um time pronto para Zagallo em 1970 (saiu devido a problemas políticos com a ditadura), estava na Itália como comentarista de uma emissora de TV, porém, teve problemas de saúde nas vésperas da final e foi internado. Acabou falecendo na Itália, no dia 12 de julho.

– A seleção estadunidense temia um ataque terrorista durante a Copa. Por via das dúvidas ficou concentrada em Tirrenia, cidade a 70 km de Florença e a 350 km de Roma, locais dos jogos. Se era longe de onde jogavam, ficava ao lado da base naval de Camp Darby.

– Para abranger o maior número possível de turistas em Roma, o Vaticano rezava missas em cinco idiomas durante a Copa.

– O jogador mais faltoso do mundial foram o alemão Buchwald e o argentino Maradona: fizeram 21 faltas. Se este último bateu bem, último também foi o que mais apanhou: sofreu 53.


1994 – Local: Estados Unidos – Campeão: Brasil
– Apesar de apoiar a Copa, o governo dos EUA não deu um centavo de dinheiro público para a realização do torneio. Como praticamente tudo já estava pronto (rede hoteleira, infra-estrutura, grandes estádios de outros esportes – que só teriam de ser adaptados), apenas algumas melhorias tiveram de ser feitas – ainda assim ao custo de 200 milhões de dólares em valores da época.

– O baixo nível da Copa de 1990, tanto técnico quanto em gols, fez com que até mesmo os conservadores integrantes da International Board se mexessem e diversas regras do futebol fossem alteradas: o jogador que estivesse na mesma linha do penúltimo defensor não estaria mais impedido; tornou-se obrigatório o uso de caneleiras (com receio de contágio do vírus da Aids); os árbitros foram instruídos a punir com cartão vermelho o jogador que usasse a mão para impedir uma chance clara de gol; criou-se a área técnica, um espaço fora de campo onde os técnicos podem passar instruções aos seus comandados; cada vitória passou a valer três pontos (até então só valiam dois); autorizaram a terceira substituição, desde que um substituído fosse o goleiro (em 1995 liberariam as três substituições para todas as posições); as camisas dos jogadores passariam a ter seus nomes estampados nas costas, e os números também seriam estampados na frente dos uniformes; e a mais substancial de todas – o goleiro não poderia mais pegar com as mãos uma bola recuada por seu companheiro, sob pena de ter contra si um tiro em dois lances, o que atrapalhava em muito a catimba nas defesas. 

– O primeiro registro do futebol americano é de 1867, num duelo entre as universidades deHarward e Yale. Os de Harward jogavam algo parecido com o futebol, já os de Yale seguiam as regras do rugby. Sem a existência de regras universais, era normal que cada time vencesse quando jogasse com as suas regras. Mas os jogadores de Harward gostaram da ideia de jogar com as mãos e foi este jogo que se desenvolveu naquele país. As regras foram redesenhadas entre 1890 e 1910, para evitar a comum morte de jogadores em campo, e aí se formou o futebol americano como hoje o conhecemos.

– Países com tradição em Copas, como França, Inglaterra e Uruguai não conseguiram se classificar para a de 94.

– Possivelmente o time mais forte que iria à Copa, a Iugoslávia foi eliminada pela Fifa devido a terrível guerra civil que ocorria no país.

– Num amistoso entre Brasil e Alemanha (3 X 1, respectivamente), Romário reclamou por ter viajado 12 horas da Holanda ao Rio Grande do Sul para jogar apenas 20 minutos e discutiu asperamente com Zagallo: “Problema seu” – respondeu o coordenador técnico. “Na seleção as coisas agora são assim”. Irritado, Zagallo mandou Parreira colocá-lo no limbo. Correu a eliminatória e no último jogo o Brasil precisava do empate contra o Uruguai, no Maracanã. Isso já havia acontecido uma vez, quase 50 anos antes, no famoso Maracanazo e Romário foi convocado, depois de muita pressão da imprensa e da torcida. Em seu retorno, o baixinho marcou dois gols e o Brasil foi classificado. Anos depois, numa entrevista, Romário afirmou que sua convocação foi uma imposição do presidente da CBF Ricardo Teixeira.

– O Brasil possuía uma forte seleção, porém, a parte ofensiva do meio de campo iria muito mal, pois Raí e Zinho chegaram à Copa em má condição técnica. Para levá-los, Parreira deixou de fora da convocação Edmundo, Evair, Rivaldo, Edílson, Giovanni e Neto.

– A seleção jogava num criticado esquema 4-4-2. Numa conta que não fazia nenhum sentido, Parreira convocou cinco jogadores para o meio de campo onde jogavam quatro – havia apenas um reserva. Já para o ataque, chamou seis onde jogavam apenas dois – havia quatro reservas. Sem um meio de campo com qualidade técnica na parte ofensiva, o Brasil viria a depender da genialidade da dupla Romário-Bebeto.

– Os Estados Unidos dominaram a partida e ganharam por 2 a 1 da Colômbia num jogo em que o zagueiro Escobar fez um gol contra. De volta à Colômbia, o zagueiro foi assassinado num bar por supostos torcedores descontentes: “Se soubéssemos que o gol contra provocaria isso, preferíamos ter perdido aquele jogo”. Palavras do volante norte-americano Dooley, sobre o assassinato do jogador colombiano.

– Os jogadores camaroneses achavam que não tinham mais chances de se classificar – mas tinham, desde que vencessem a Rússia que estava praticamente eliminada. Acabaram saindo para uma noitada e na hora do jogo se arrastavam em campo. A Rússia se aproveitou e goleou por 6 a 1, com incríveis 5 gols do atacante Salenko – o maior número de gols já feito por um jogador numa partida de Copa do mundo. Também houve outro recorde neste jogo, do camaronês Roger Milla, que aos 42 anos fez o de honra da seleção africana – o mais velho jogador a fazer gol numa Copa. O russo foi contratado pelo Valencia da Espanha logo depois da Copa, entretanto sofreu uma fratura séria na perna direita e nunca mais conseguiu jogar um futebol de alto nível – tanto que não voltou a ser convocado pela seleção de seu país.

– O jogo Bulgária 1 X 1 México estava empatado quando o mexicano Bernal, depois de cortar uma bola pelo alto, apoiou-se na rede, o que fez desabar a barra que a sustenta. Não seria possível prosseguir o jogo sem uma trave, obviamente. Porém, os precavidos estadunidenses possuíam uma trave reserva e trocaram a baliza em rápidos oito minutos.

– Debaixo de um calor de 46ºC a Alemanha abriu 3 a 0 no primeiro tempo do jogo contra a Coreia do Sul. O goleiro sul-coreano Choi In-Young, que falhou em dois gols, pediu demissão no intervalo e foi substituído. A temperatura extenuante cansou os alemães, que sofreram dois gols e só conseguiram uma apertada vitória.

– Maradona foi pego no exame antidoping pelo uso de cinco substâncias proibidas: efedrina, nor-efedrina, pseudoefedrina, nor-pseudoefedrina e meta-efedrina. Todas elas estimulam os batimentos cardíacos, dão fôlego e lucidez, além de causar perda de peso. O meia argentino foi excluído pelo resto da Copa.

– Na Copa de 1990 o jogador Prosinecki fez um gol pela seleção da Iugoslávia contra a seleção dos Emirados Árabes. Em 1994 fez um gol pela Croácia, sendo o primeiro jogador a marcar gols em Copas por dois países diferentes.

– McGrath, zagueiro da Irlanda, nunca treinava com a equipe, somente jogava. Ele foi operado oito vezes no joelho devido a uma artrite. Para manter a forma, pedalava ferozmente numa bicicleta ergométrica.

– O goleiro Preud’homme, estrela do time belga, foi à área da Alemanha tentar fazer um gol num cruzamento – algo inédito até então. Até hoje, nenhum goleiro conseguiu fazer gol em Copas do mundo.

– O goleiro italiano Gianluca Pagliuca foi o primeiro goleiro – e até hoje o único – a tomar um cartão vermelho em Copas do mundo, no jogo contra a Noruega.

– Irritado com a avalanche de críticas depois de quatro partidas de péssimo desempenho na Copa, o meia Zinho retrucou dizendo que estava jogando fora de posição. E foi ainda mais criticado por dizê-lo. O craque Zico, por exemplo, disse que jogar fora de posição é diferente de não mostrar personalidade em campo. As estatísticas corroboravam a opinião pública sobre Zinho: ele era o jogador que mais errava passes na seleção, além de reter vários contra-ataques ao dominar a bola e fazer um círculo conduzindo-a – motivo pelo qual foi apelidado de “enceradeira”.

– No lugar do suspenso Leonardo – autor de uma cotovelada que fraturou o malar do jogador estadunidense Tab Ramos – foi escalado o contestado lateral Branco contra a Holanda. O meio de campo brasileiro marcava muito bem com Dunga, Mauro Silva e Mazinho, mas nada criava com Zinho. Deste modo, em lançamentos da defesa, Romário e Bebeto abriam dois a zero no placar – este último na comemoração do gol fez gestos de quem nina uma criança, acompanhado de Romário e Mazinho, em cena que se tornaria histórica. Porém, em duas falhas da defesa a Holanda empatou. No decorrer do jogo Branco cavou uma falta e a bateu com perfeição – Romário desviou milimetricamente da bola – calando os críticos. O Brasil ganhava por 3 a 2, em sua melhor apresentação na Copa.

– Romário prometeu que levaria o Brasil ao título e cumpriu: fez 5 gols, deu assistências para outros dois e participou da jogada de outros três. Seu único erro, que poderia ter custado muito caro, foi ter desperdiçado um gol feito na prorrogação contra a Itália – errou a bola quase em cima da risca depois de um cruzamento rasteiro. A partida terminou empatada e nos pênaltis Dunga, Branco e o próprio Romário converteram, e o Brasil sagrou-se campeão depois que Roberto Baggio chutou por cima. O jogador italiano, também crucial na campanha da azzurra e que também fez 5 gols, disputava com Romário quem seria o craque da Copa. Acabou com esse lance decidindo tudo: o Baixinho foi eleito o craque e o Brasil se tornou o primeiro tetracampeão da história.

– Ninguém supunha que a Copa fosse fazer sucesso nos Estados Unidos, já que os esportes favoritos daquele país são outros, porém, a Copa nos EUA teve a maior média de público da história: 68.413 pessoas por jogo.

– O avião que trouxe a delegação brasileira de volta dos Estados Unidos veio “recheado” com 17 toneladas de bagagem – grande parte formada por compras que deveriam – como ocorre com qualquer cidadão – ser taxadas na alfândega. Porém, o presidente da CBF Ricardo Teixeira ameaçou cancelar o desfile da seleção caso a carga fosse vistoriada pela Receita Federal e tudo ficou por isso mesmo.

– Após a vitória brasileira na final, os jogadores estenderam uma faixa: “Senna, aceleramos juntos. O tetra é nosso”. O piloto brasileiro, um dos maiores heróis do esporte nacional, havia falecido num acidente durante uma corrida dois meses antes, em maio de 94 – quando também buscava o tetracampeonato.


1998 – Local: França – Campeã: França
– O número de seleções aumentou de 24 para 32. Os críticos diziam que João Havelange – que presidia a federação desde 1974 – dependia deste aumento para garantir votos para suas seguidas reeleições, que dependiam de votos de asiáticos e africanos. Platini, ex-jogador francês e presidente da UEFA disse que “32 países já é demais”. A Fifa argumentava que houve um aumento no número de países. A Iugoslávia, por exemplo, se dividiu em seis países, a União Soviética em onze, todos concorrendo a vagas como países independentes.

– A Suécia, terceiro lugar em 1994, e seleção que mais marcou gols naquele mundial, que empatou com o Brasil na primeira fase (tendo saído na frente) e a quem o Brasil teve grande dificuldade para ganhar na semifinal, não conseguiu se classificar para a Copa de 1998.

– Outras mudanças nas regras aconteceram: o time que fizesse um gol na prorrogação sagrar-se-ia vencedor – a famosa “morte súbita”; o impedimento passivo, ou seja, o jogador que estivesse em impedimento, mas não participasse da jogada, não invalidaria o gol; liberaram a disposição de bolas com os gandulas (para que a bola retornasse mais rapidamente ao jogo); o tempo de acréscimo deveria ser mostrado numa placa à beira do gramado; os “carrinhos” por trás deveriam ser punidos com cartão vermelho.

– Nas eliminatórias da Ásia, as Maldivas levaram 59 gols em seis jogos, uma média de quase 10 por jogo.

– Parreira treinava a seleção da Arábia Saudita e já havia perdido o primeiro jogo. Dias antes do segundo jogo foi criticado por alguns jogadores pelo esquema muito defensivo (coisa que já vimos por aqui). Ele não cedeu, armou um time retranqueiro e levou de 4 da França. Foi o primeiro técnico a ser despedido durante a própria Copa. No terceiro jogo, os sauditas já estavam desclassificados, mas jogaram sem Parreira, e assim conseguiram um empate – e só não venceram porque tomaram um gol de pênalti aos 49m do segundo tempo.

– Dunga coordenava a equipe de dentro de campo, e uma discussão sua com Bebeto rendeu muitas críticas. O franzino atacante já estava em fim de carreira, mas era assim mesmo escalado por Zagallo, deixando o inquieto Denílson no banco. Como resultado das críticas, Dunga não disse uma palavra no jogo contra a Noruega, e o Brasil acabou perdendo por 2 a 1. Depois da partida alguns jogadores ainda trocaram farpas públicas. O zagueiro Aldair puxou, então, uma reunião com os jogadores. Um ponto consensual era que deveriam parar de bater-boca via imprensa. E outro, era que o capitão Dunga precisava voltar a comandar o time em campo – em outros termos, os jogadores pediam para voltar a tomar esporro.

– A Copa da França registrou diversos casos de parentes em campo. O técnico da Itália, Cesare Maldini, era pai do lateral Paolo Maldini; a Dinamarca tinha os irmãos Michael e Brian Laudrup; a Bélgica, Emile e Mbo Mpenza; os holandeses tinham os gêmeos Frank e Ronald de Boer; já a Noruega tinha um caso triplo: Havard Flo era primo dos irmãos Jostein Jlo e Tore Andre Flo.

– A seleção brasileira tentava esconder as desavenças entre os jogadores antes e durante o torneio. O caso mais destacado foi o de Edmundo, que cobiçava abertamente uma vaga no ataque desde antes de a Copa começar. Por isto, ele entrou em atrito com o titular Bebeto, acusando-o de boicotá-lo durante os treinos. Leonardo tentou apaziguar a situação, mas Edmundo reagiu: “Você sempre que dar uma de bom moço. Vai tomar no cu”. O atacante foi forçado a se desculpar em público, mas um zagueiro que prefere permanecer incógnito disse entre dentes: “Não deviam ter trazido esse cara”...

– Ronaldo teve uma convulsão na madrugada anterior a final. “Só se pensava em algo pior. Ninguém dormiu mais. Ali começamos a perder a Copa. Não houve tranquilidade, nem para os reservas”, frase do volante Emerson, sobre o ambiente na seleção depois de Ronaldo ter passado mal. No meio do jogo, Roberto Carlos mandou desnecessariamente a bola pra fora e arranjou um escanteio que resultou num gol de Zidane, que era marcado pelo meia-atacante Leonardo – um erro. No segundo gol, Zidane empurrou Dunga (em falta que o juiz não assinalou) e cabeceou, e a bola passou entre as pernas de Roberto Carlos – em nova falha do lateral. Já nos acréscimos, com o time todo no ataque, o Brasil levou o terceiro e a França foi – de maneira justa – a campeã.

– Nenhum jogador se destacou muito perante os outros na Copa, porém, a Fifa escolheu Ronaldo como o melhor jogador do torneio, em decisão que só ela mesma pôde compreender.


2002 – Local: Japão e Coreia do Sul – Campeão: Brasil
– A maior goleada até então entre seleções foi um 20 a 0 da China sobre o Butão, na Copa da Ásia de 2000. Mas nas eliminatórias da Oceania, a Austrália goleou Tonga por 22 a 0. Dois dias depois, massacrou a Samoa Americana por 31 a 0. A Austrália ganhou facilmente o grupo do continente, mas, curiosamente, não conseguiu ir à Copa, pois teve de disputar a vaga com o Uruguai na repescagem da América do Sul e a Celeste acabou prevalecendo.

– Luiz Felipe Scolari testou depois da Copa América quase todas as opções viáveis para o ataque. Quase, excetuando uma: Romário. O atacante não compreendia porque não era convocado, e o técnico sofria pressão da imprensa e torcida para que o chamasse. Depois de muito ser questionado, Felipão disse porque não o convocava: Romário se recusou a participar da Copa América argumentando que faria um tratamento no olho. Porém, foi jogar com o Vasco um torneio caça-níqueis no México.  O técnico considerou a atitude uma traição e não o convocou mais. A ausência gerou protestos em todo o país, chegando a ponto de um advogado entrar na justiça com um mandado de segurança para que o atacante fosse convocado. O pedido foi negado pelo juiz que analisou o caso – embora o próprio juiz se declarasse favorável a presença de Romário na seleção. O atacante não foi chamado.

– A Argentina precisava vencer a Suécia para não ser desclassificada logo na primeira fase, mas continuou seguindo o confuso estilo de jogo das partidas anteriores, baseado em cruzamentos: foram 57 bolas erguidas na área sueca. Os nórdicos contra-atacavam rápido e abriram 1 a 0. Os portenhos só chegaram ao empate devido a uma grande ajuda do árbitro estadunidense Ali Bujsaim. Ele ignorou falta clara em Larsson – que resultaria na expulsão de Chamot –, deu um pênalti inexistente para os argentinos, além de ignorar o gol irregular de Crespo na sequência. Ainda assim o jogo terminou em 1 a 1, e os sul-americanos choraram em campo a eliminação precoce.

– O atacante argentino Caniggia conseguiu um feito inédito em Copa do mundo no jogo contra a Suécia: ser expulso do banco de reservas, devido às falas pouco amistosas ditas ao auxiliar – isto porque o árbitro ajudou e muito os portenhos.

– A Coreia do Sul, que jogava em casa, teve franco apoio da arbitragem para seguir no mundial. Nas oitavas de final contra a Itália, na prorrogação, o árbitro equatoriano Byron Moreno expulsou o atacante Toti por suposta simulação dentro da área, quando na verdade ele havia sofrido um pênalti claro. Afora isto, anulou um gol legítimo do meio-campista italiano Tommasi. A Coreia se aproveitou e marcou o dela e passou de fase. Nas quartas-de-final, depois do escândalo, pensou-se que a arbitragem fosse melhorar, mas o egípcio Gamal Ghandour e seus auxiliares foram ainda mais complacentes com os anfitriões. A Espanha dominou o jogo, mas teve dois gols incorretamente invalidados. No primeiro, o juiz anulou alegando falta de ataque quando os sul-coreanos já lamentavam o gol. No segundo, que foi na prorrogação – e portanto seria o gol de ouro – o bandeira assinalou que a bola havia saído na linha de fundo, quando ela sequer chegou a tocar a risca. Como se não bastasse, o juiz parou um lance limpo do atacante espanhol Luis Enrique que havia ficado cara a cara com o goleiro coreano. O jogo foi para os pênaltis e o juiz ainda conseguiu ajudar os anfitriões: o goleiro Won-Jae estava um metro adiantado quando conseguiu defender a penalidade, o que levou a Coreia as semifinais. Lá ela se encontraria com a Alemanha – e com uma arbitragem idônea – perderia por 1 a 0.

– Muito criticados pela imprensa de seu próprio país depois da derrota para o Brasil, os jogadores da Turquia se recusaram a falar com os jornalistas de seu país à medida que avançavam na Copa. Porém, não tinham restrições em conversar com a imprensa estrangeira.

– O atacante da Turquia Sükür, considerado o melhor jogador da história do país foi uma decepção ao longo do torneio. Porém, na disputa pelo terceiro lugar entre a Turquia e a Coreia do Sul, o atacante fez um gol aos onze segundos de jogo, o gol mais rápido em Copas já marcado – e a bola ainda havia saído com a Coreia.

– Diversas seleções não tiveram climas lá muito tranquilos na Ásia. Os suecos Ljungberg e Mellberg trocaram socos num treino. O argentino Veron incitou e ofendeu os ingleses antes do confronto entre ambos na Copa – o detalhe é que ele jogava na Inglaterra, no Manchester United. Já o senegalês Fadiga tentou furtar um colar numa loja na Coreia do Sul – foi flagrado pelas câmeras do circuito interno.

– A Itália teve 5 gols anulados durante a Copa do mundo. Um contra a Coreia – que seria o gol de ouro – e dois contra a Croácia, injustamente invalidados. Os outros dois, corretamente anulados, foram contra o Equador e o México.

– O sul-coreano Ahn Jung-Hwan foi demitido do Perugia, clube italiano pelo qual jogava por ter feito o gol de ouro que desclassificou os italianos da Copa. Porém, o presidente do clube acabou voltando atrás.

– A Alemanha, que veio a ser finalista da Copa, perdeu seis titulares absolutos antes do torneio devido a lesões.

– A Fifa escolheu o goleiro alemão Oliver Kahn como craque da Copa antes mesmo de a final acontecer. O goleiro havia salvado sua seleção inúmeras vezes durante o torneio. Porém, na final, bateu roupa num chute defensável de Rivaldo e Ronaldo aproveitou o rebote. Já o meia brasileiro, além de participar do primeiro gol, fez um corta-luz no lance do segundo gol, deixando passar a bola por entre suas pernas para Ronaldo, o que matou a defesa alemã. Ao longo dos anos Rivaldo foi bastante criticado por não repetir na seleção suas atuações no Barcelona, porém, fez um torneio impecável, e para o técnico brasileiro Felipão foi o melhor jogador da Copa. O Brasil sagrou-se pentacampeão, deixando as outras seleções bem para trás em número de títulos.


2006 – Local: Alemanha – Campeã: Itália
– Seis seleções estrearam nesta Copa: Ucrânia, Trinidad e Tobago, Angola, Costa do Marfim, Gana e Togo. Além disso, República Tcheca e Sérvia e Montenegro (que herdaram o espólio de Tchecoslováquia e Iugoslávia) foram ao mundial, mas com sua nova configuração.

– Nos dois jogos das eliminatórias, das Américas Central e do Norte, Bermudas anotou 20 gols em dois jogos contra Montserrat. Ainda assim, não chegou sequer a semifinal das eliminatórias daquela região.

– Na Copa das confederações, um ano antes da Copa do mundo, o Brasil não levou os veteranos Cafu e Roberto Carlos, além de Ronaldo. Parreira escalou Cicinho – que estava em ótima fase – na lateral direita. Afora isto, escalou o meia-atacante Zé Roberto (que na seleção era insistentemente escalado como volante – o que não era sua especialidade e desperdiçava o talento do jogador) como lateral esquerdo, sua posição de origem. Num time que ainda tinha Ronaldinho Gaúcho, Kaká, Robinho e Adriano, o Brasil massacrou a Argentina na final por 4 a 1, numa das melhores apresentações da história da seleção. O quarteto do ataque foi apelidado de quadrado mágico. Na Copa, retornaram Cafu, Roberto Carlos e Ronaldo – o quadrado se desmanchou, e jamais retornaria. O Brasil apresentou um futebol bem pouco convincente em todo o torneio (exceto quando os reservas jogaram contra o Japão).

– O futebol apresentado por Cafu e Roberto Carlos era bem fraco, mas a arrogância não: o primeiro disse “Seleção boa é a que ganha” – referindo-se à equipe de 1982. Já Roberto Carlos afirmou que Cafu tinha mais importância na história da seleção brasileira que Pelé – o único tricampeão mundial da história.

– Nas oitavas de final Portugal 1 X 0 Holanda houve de tudo: empurrões, cabeçadas, cotoveladas, toques de mão, trombadas, cera e carrinhos assassinos por todos os lados. O árbitro russo Valentim Ivanov distribuiu 16 cartões amarelos e quatro vermelhos – no que foi a partida com mais cartões da história das Copas.

– Alguns jogadores brasileiros caçavam recordes: Ronaldo queria ser o artilheiro da história das Copas, e Cafu o brasileiro que mais atuou pela seleção em Copas e o jogador com maior número de vitórias no torneio. Enquanto conseguiam seus recordes individuais – que diferentemente dos títulos, podem ser quebrados – o Brasil afundava a olhos vistos.

– Kaká apresentou um futebol muito aquém do esperado na Copa e Parreira tinha o substituto ideal no banco para a posição: Juninho Pernambucano. Porém, quando o escalava, sempre o selecionava como volante, ocasionando o mesmo problema que ocorria com Zé Roberto: não tinha o tino de marcador, e não conseguia utilizar seu talento no ataque, já que estava preso taticamente a um esquema que prejudicava sua qualidade.

– Nas quartas-de-final entre Alemanha e Argentina, o goleiro alemão Lehmann pegou duas das quatro penalidades, além de ter acertado o canto em todas as cobranças. Não era sorte. Os alemães tinham uma planilha detalhando como todos os jogadores argentinos batiam os pênaltis – contribuía para tanto o fato de os sul-americanos baterem as penalidades em treinos abertos ao público.

– Quando assumiu o comando da seleção portuguesa, o técnico Luiz Felipe Scolari barrou o goleiro titular Vítor Baia, ídolo além-mar, porém, desagregador de grupos, em atitude similar a que teve com Romário em 2002 – e como cá, comprou briga com a imprensa. Na EuroCopa de 2004 Felipão apostou em Ricardo para a posição, e ele ajudou a derrotar a Inglaterra nas quartas-de-final nos pênaltis. Na sétima cobrança, defendeu (sem luvas) a cobrança de Vassel e converteu a sua, classificando Portugal. Na Copa, novamente Portugal e a Inglaterra se encontraram nas quartas-de-final, novamente o jogo foi para as penalidades, e novamente Ricardo contribuiu para o avanço da equipe, que superou os ingleses. O goleiro defendeu três penalidades, estabelecendo o recorde de defesas em pênaltis da história das Copas (e olhe que somente quatro tiros foram necessários para desclassificar a Inglaterra). 

– No jogo contra a França ocorreu o esperado: o Brasil, que não apresentava um futebol convincente acabou sendo derrotado por 1 a 0, e pode-se considerar que foi pouco, pois a França desperdiçou outras chances de marcar. No jogo Kaká errou absolutamente tudo. No cruzamento que resultou no gol apenas três defensores correram para marcar o ataque francês: Lúcio, Juan e Gilberto Silva (que ficou perdido o jogo inteiro). Roberto Carlos, ao invés de marcar Henry que estava ao seu lado, ficou ajeitando as meias, em lance que ficaria (negativamente) histórico. O lateral argumentou que em lances como aquele o Brasil fazia linha de impedimento – no que foi desmentido por vários colegas, como Cicinho, Rogério Ceni e Zé Roberto. O próprio Parreira desmentiu a prática.

– Na semifinal em que Portugal perdeu por 1 a 0 para a França, o técnico brasileiro Felipão havia acumulado um recorde significativo para um treinador: 12 jogos seguidos sem perder em Copas do mundo.

– Na final o craque francês Zidane – que havia destruído o Brasil – converteu um gol de pênalti, e na prorrogação, após ser provocado pelo zagueiro italiano Materazzi com palavras de baixo calão sobre sua irmã, lascou uma cabeçada no meio de seu peito. O lance marcou a final irremediavelmente, até porque era o último jogo da carreira do craque francês – que diferentemente de outros jogadores brasileiro, soube parar no auge.

– A Itália tinha uma maldição particular com penalidades em Copas, porém, aproveitando-se do erro do atacante francês Trezeguet que chutou a bola no travessão, sagrou-se campeã mundial depois de converter todas as cinco penalidades.

– O óbvio excesso de peso de Ronaldo foi assunto durante toda a Copa. O jogador brasileiro se recusava a dizer seu peso – que dirá mostrar-se sem blusa ante as câmeras. Antes do jogo contra o Japão o preparador Moraci Sant’Anna revelou que Ronaldo estava com 90,4kg, e que chegara na Copa com 94 kg, distribuídos em 1,83m. Com índice de massa corporal (IMC) superior a 27, Ronaldo era proporcionalmente o jogador mais gordo da Copa – o que era evidente para quem o observasse.


2010 – Local: África do Sul*
– O único país estreante em Copas foi a Eslováquia.

– A Oceania foi palco de uma confusão geográfica nas eliminatórias. Cansada de ser a primeira seleção do grupo continental e depois ser eliminada por um sul-americano, a Austrália se desfiliou da Oceania e pediu inscrição na Ásia, onde havia quatro vagas em disputa – e, portanto, a chance de classificação era bem maior. Ironicamente, a Fifa decidiu que o primeiro colocado da Oceania deveria disputar com o quinto da Ásia – e não com o quinto sul-americano. Calhou que a Austrália conseguiu se classificar para a Copa, juntamente com outro país da Oceania, a Nova Zelândia.

– A Holanda disputou oito jogos nas eliminatórias. Ganhou os oito. Já a Espanha disputou dez jogos. Também ganhou os dez.

-->
– *: Quando o livro foi escrito, a Copa ainda não havia ocorrido, mas apenas as eliminatórias.

_________________________________________________________________

Melhores goleiros da história
1934 – Zamora (ESP): foi a primeira lenda a ocupar o gol, mesmo antes da camisa 1 ser estabelecida para os goleiros.
1958 – Yashin (URSS): revolucionou a posição, ao sair para cortar cruzamentos e pelo chão. Defendeu 150 pênaltis em sua carreira.
1966-70 – Banks (ING): foi o melhor na Copa de 1966 e executou na Copa de 1970 a defesa que até hoje é considerada a mais difícil de todas, numa cabeçada de Pelé.
1974 – Maier (ALE): risonho e brincalhão, fugia do estereótipo alemão. Mas no campo jogava sério e segurou o carrossel holandês
1978 – Fillol (ARG): apelidado de “pato”, o goleiro foi fundamental para segurar a Holanda na final e dar o título para a Argentina.
1982 – Dassaev (URSS): impressionou a todos no mundial de 1982, sendo eleito diversas vezes o melhor do mundo na década de 80.
1986 – Pfaff (BEL): destaque do time belga desde 1980, com ele sua seleção realizava o sonho histórico de derrotar times mais poderosos.
1994 – Preud’Homme (BEL): apesar da baixa estatura (1,79m), era muito ágil e seguro.
2002 – Kahn (ALE): levou a limitada seleção alemã à final, sendo por conta disso o primeiro goleiro a ser considerado o melhor jogador de uma Copa pela Fifa.

_________________________________________________________________

Recordes de público
1950: Brasil 1 X 2 Uruguai – 173.830 pessoas (a capacidade do estádio era de 155.00 torcedores) – Maracanã – Rio de Janeiro - Brasil.
1950: Brasil 6 X 1 Espanha – 153.000 pessoas – Maracanã – Rio de Janeiro - Brasil.
1950: Brasil 2 X 0 Iugoslávia – 142.000 pessoas – Maracanã – Rio de Janeiro - Brasil.
1950: Brasil 7 X 1 Suécia – 139.000 pessoas – Maracanã – Rio de Janeiro - Brasil.
1986: Argentina 3 X 2 Alemanha – 114.600 pessoas – Azteca – Cidade do México – México.

_________________________________________________________________

Maiores ausências da história
– O meia soviético Alexei Mikhailichenko surgiu para o mundo em 1988, ao sagrar-se vice-campeão europeu e levar o time olímpico à conquista da medalha de ouro em Seul, na final contra o Brasil. Machucou-se pouco antes da Copa de 1990, e não pôde participar das seguintes devido à desintegração da União Soviética.

– Alfredo Di Stéfano, um dos melhores jogadores da história, nunca jogou uma partida em Copas. A Argentina não quis jogar em 1950. Naturalizado espanhol, a Fúria estava mansa e não conseguiu se classificar para as Copas de 1954 e 58. Pouco antes da Copa de 1962 se machucou. Foi mantido na delegação esperando-se que melhorasse no meio do mundial, mas a Espanha foi eliminada na primeira fase.

– O brasileiro Arthur Friedenreich tinha 38 anos, mas ainda jogava muito pelo São Paulo da Floresta e acabou não sendo convocado para a Copa de 1930, devido à desavenças entre cartolas. Diz-se que teria marcado 1.329 gols, mas o pesquisador Alexandre Costa mostrou que eram “somente” 556.

– O meia alemão Bernd Schuster destacou-se na Copa de 1980, mas sua presença rachava a equipe. Pediu despensa pouco antes da Copa de 1982. Motivo: ficar com a mulher Gabi, dez anos mais velha e famosa por ter pousado nua na revista Stern. Ele largou a seleção em 1984, aos 25 anos.

– Considerado uma das maiores lendas do futebol britânico (senão a maior), o norte-irlandês George Best não conseguiu ir à Copa porque o resto do time não ajudava e seu país não conseguia a classificação. Quando seu país conseguiu voltar ao torneio, em 1982, ele estava com 36 anos, mas ainda havia quem defendesse sua convocação. Entretanto, a indisciplina que marcou sua carreira pesou contra, e ele não foi chamado.

– O liberiano George Weah foi eleito o melhor do mundo em 1995, quando jogava pelo Milan. Porém, a Libéria não conseguia montar um time bom o suficiente para passar das eliminatórias e ele nunca disputou uma Copa.

– O inglês Kevin Keegan viveu sua fase áurea no momento em que a Inglaterra não passava das eliminatórias. Quando sua seleção retornou à Copa, em 1982, ele já estava com 31 anos e uma lesão crônica nas costas. Entrou no sacrifício contra a Espanha e sua participação no torneio foi de apenas 27 minutos.

– O goleiro uruguaio Rodolfo Rodríguez era o capitão da seleção e o melhor goleiro sul-americano na década de 80. Porém, por teimosia, o treinador Omar Borras deixou-o na reserva na Copa de 86, quando o goleiro vivia o auge da forma. Rodolfo disparou: “Não fui escalado porque falta ao técnico o que tenho de sobra: coragem”.

_________________________________________________________________

Os números
Das 10 maiores series invictas de partidas em Copas do mundo, o Brasil detém 4: três vezes 11 jogos (entre 70 e 74, 78 e 82 e 2002 e 2006) e uma de 13 jogos, a maior de todas, entre 1958 e 1966. Já nas series com o maior número seguido de vitórias, o Brasil possui 3 entre os 5 melhores resultados: duas com 6 vitórias entre 70-74 e 78-82. E o maior de todos, com 11 vitórias, entre 2002 e 2006. O Brasil também é o maior detentor de títulos (5), o único a participar de todas as Copas (18), é a seleção com o maior número de vitórias (64) e gols marcados (201).*
-->
*: Desconsideram-se os resultados de 2010 em diante, pois o livro ainda não havia sido lançado à época – o Brasil, porém, permanece em primeiro lugar em todos os dados citados.

_________________________________________________________________

O time dos sonhos brasileiro
Só cabem onze, e o autor enumera:
1 – goleiro – Gilmar
2 – lateral – Djalma Santos
3 – zagueiro – Domingos da Guia
4 – zagueiro e lateral – Carlos Alberto Torres
6 – lateral – Nilton Santos
5 – meia – Zico
8 – meia – Didi
7 – atacante – Garrincha
9 – atacante – Ronaldo
10 – atacante – Pelé
11 – atacante – Romário

Com esta escalação, deixa-se de fora:
Goleiros – Leão e Taffarel.
Zagueiros – Aldair, Juan, Lúcio e Oscar.
Laterais – Jorginho, Júnior e Leandro.
Volantes – Clodoaldo, Dunga, Falcão e Zito.
Meias – Gérson, Sócrates, Rivellino e Ronaldinho Gaúcho.
Atacantes – Éder, Jairzinho, Leônidas da Silva, Reinaldo, Vavá e Zizinho.

3 comentários:

Doney disse...

Abro alas para um comentário. Muitos reclamam da derrota de 1982, mas, para mim, que só acompanho desde 1994, a maior derrota brasileira foi em 2006. E tem um culpado específico: Parreira.

Com uma soberba do tamanho do mundo (talvez porque soubesse que tinha os melhores jogadores em sua seleção), o técnico errou tudo em que poderia errar e mais um pouco. Não treinava (só dava espetáculos para a torcida), deixou os melhores no banco, escalou jogadores fora de forma, não escutava críticas justas, etc.

Parreira demonstrava grande soberba e empáfia nas respostas, porém, deixou que Roberto Carlos e Cafu, veteranos com a carreira em franco declínio se auto-escalassem. No ataque sacou Robinho – que estava voando – para escalar dois centro-avantes simultaneamente: Adriano e Ronaldo. Adriano já não atravessava sua melhor fase, e Ronaldo estava totalmente fora de forma, sem pique e com um severo problema de peso – que jamais conseguiria reverter novamente.

Julio César no gol, os laterais Cicinho e Zé Roberto, os zagueiros Lúcio e Juan, os volantes Emerson e Gilberto Silva, os meias Ronaldinho Gaúcho e Juninho Pernambucano e os atacantes Robinho e Fred, constituíam, a meu ver, uma seleção imbatível.

Paciência.

Doney disse...

Outra coisa: o livro é realmente muito bom, porém, a quantidade de erros de português é impressionante, chega a incomodar.
Faltou uma revisão mais caprichada por parte da editora.

Doney Stinguel disse...

Aproveito o ensejo para inserir mais um comentário, este bem polêmico, escolhendo os melhores jogadores brasileiros que já vi jogar.
Minha escalação seria a seguinte:

Goleiro: Zetti.
Reservas: Velloso e Júlio César.

Laterais direito e esquerdo: Jorginho e Zé Roberto.
Reservas: Belletti e Roberto Carlos.

Zagueiros: Lúcio e Juan.
Reservas: Aldair e Mauro Galvão.

Volantes: Leandro Ávila e Dunga.
Reservas: Mauro Silva e Emerson.

Meias: Ronaldinho Gaúcho e Rivaldo.
Reservas: Juninho Pernambucano e Robinho (recuando-o um pouco).

Segundo atacante: Neymar.
Reserva: Bebeto.

Centroavante: Romário
Reserva: Ronaldo.