quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Anne de Ingleside, de Lucy Maud Montgomery

Editora: Ciranda Cultural

ISBN: 978-65-550-0210-2

Tradução: Rafael Bonaldi

Opinião: ★★★☆☆

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Páginas: 336

Sinopse: Em Ingleside, a vida é bem agitada, cheia de descobertas dos cinco filhos de Anne. Com um sexto a caminho, ela não poderia estar mais assoberbada, até que a inconveniente tia Mary Maria faz uma inoportuna visita. Gilbert está sempre ocupado com o trabalho e Anne atarefada com os filhos, o que a leva a pensar que o amor do marido esfriou. Mas Anne está disposta a reacender o amor que existe entre eles desde a infância.

 


– Todos cresceram – disse Diana, com um suspiro. – Quando olho para o jovem Fred! Todos mudaram... Só você que não. Você não muda, Anne. Como se mantém tão magra? Olhe para mim!

– Você ganhou ares de matrona – riu Anne. – Todavia conseguiu escapar das garras da velhice, por ora, Di. Quanto a eu não ter mudado... Bem, a senhora H. B. Donnell concorda com você. Ela me disse no funeral que não pareço nem um dia mais velha. Já a senhora Harmon Andrews discorda. Ela disse: “Minha nossa, Anne, como o tempo passou para você!”. A beleza está nos olhos de quem vê ou na consciência. O único momento em que sinto que estou ficando velha é quando vejo as fotos nas revistas, os heróis e as heroínas estão começando a parecer jovens demais para mim, mas não se preocupe, Di. Amanhã voltaremos a ser garotas. É o que eu vim lhe dizer. Vamos tirar um fim de tarde para revisitarmos todos os nossos fantasmas, cada um deles. Passearemos pelos campos e atravessaremos o velho e frondoso bosque repleto de samambaias. Nada parece impossível na primavera, sabe? Deixaremos de nos sentir maternais e seremos tão imprudentes quanto a senhora Lynde ainda acha que sou no fundo do coração dela. Não é nada divertido ser sensata o tempo inteiro, Diana.”

 

 

Anne já tinha voltado a ser ela mesma quando a senhorita Cornelia se foi. No entanto, ela sentou-se pensativamente diante da lareira por algum tempo, não contara tudo para a senhorita Cornelia e nunca havia contado nada daquilo para Gilbert. Eram tantas miudezas...

– Tão miúdas que não posso reclamar delas – pensou Anne. – Ainda assim, são as miudezas que abrem buracos na trama da vida, como traças, arruinando-a.”

 

 

– Não precisamos ser econômicos na nossa imaginação, graças a Deus.”

 

 

– Tenho que ir andando. Creio que uma ninhada de perus vai sair dos ovos ainda hoje. Gostei muito do nosso papo e gostaria de poder ficar mais. Ser uma viúva é muito solitário. Um homem pode não ser lá grande coisa, mas faz falta quando parte.”

 

 

Diga o que quiser, mas é melhor aguentar os pesares com a barriga cheia do que vazia.”

 

 

– A única coisa que eu tinha contra o senhor Dawson eram as orações excessivamente longas nos funerais. Eram tão exaustivas que as pessoas chegavam a ficar com inveja do morto.”

 

 

“É possível acreditar em qualquer coisa à noite.”

 

 

“– Ah, não acho que ela esteja muito gorda – disse Anne, caridosamente. – E certamente é uma mulher muito bonita.

– Mais ou menos. E os traços do rosto perderam um pouco do viço... Tem a mesma idade que a sua, mas parece dez anos mais velha.

– E você falando com ela sobre juventude eterna!

Gilbert mostrou um sorriso culpado.

– Foi preciso dizer amabilidades. A civilização não pode existir sem um pouco de hipocrisia.”

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