A conversão de São Paulo

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quarta-feira, 30 de novembro de 2016

História da Guerra do Peloponeso (Livros terceiro ao oitavo) – Tucídides

Editora: Imesp – Unb
ISBN: 978-85-2300-204-6
Tradução: Mário da Gama Kury
Opinião: ****
Páginas: 428 

     “A razão do prestígio de Péricles era o fato de sua autoridade resultar da consideração de que gozava e de suas qualidades de espírito, além de uma admirável integridade moral; ele podia conter a multidão sem lhe ameaçar a liberdade, e conduzi-la ao invés de ser conduzido por ela, pois não recorria à adulação com o intuito de obter a força por meios menos dignos; ao contrário, baseado no poder que lhe dava a sua alta reputação, era capaz de enfrentar até a cólera popular. Assim, quando via a multidão injustificadamente confiante e arrogante, suas palavras a tornavam temerosa, e quando ela lhe parecia irracionalmente amedrontada, conseguia restaurar-lhe a confiança.”


     “Somente o respeito decorrente da igualdade de forças constitui base firme para uma aliança, pois o eventual transgressor recua diante do sentimento de que não tem superioridade bastante para atacar.”


     “Realizou-se imediatamente uma assembleia, na qual foram emitidas opiniões antagônicas por vários oradores. Um destes era Clêon filho de Cleênetos, que havia conseguido a aprovação da moção no sentido de serem mortos todos os mitilênios (que haviam se rebelado contra Atenas e haviam sido posteriormente capturados). Ele, que não era somente o mais violento dos cidadãos, mas também o mais ouvido pelo povo na ocasião, subiu à tribuna pela segunda vez e disse o seguinte:
     Habituados entre vós na vida cotidiana a não temer nem intrigar, tendes a mesma atitude diante de vossos aliados, esquecidos de que, todas as vezes que sois induzidos em erros por seus representantes ou cedeis por piedade, vossa fraqueza vos expõe a perigos e não conquista a sua gratidão; sois incapazes de ver que vosso império é uma tirania imposta a súditos que, por seu turno, conspiram contra vós e se submetem ao vosso comando contra a sua vontade, e vos obedecem não por causa de alguma generosidade vossa para com eles em detrimento de vossos interesses, mas por causa de vossa ascendência sobre eles, resultante de vossa força e não de sua boa vontade. O risco mais temível, todavia, seria a falta de firmeza em nossas decisões, e a incapacidade de ver que leis imperfeitas mas imutáveis tornam uma cidade mais forte que leis bem feitas mas sem autoridade; a ignorância combinada com a modéstia é mais útil que a astúcia unida ao atrevimento; quase sempre as cidades são melhor governadas pelos homens simples que pelas inteligências mais sutis; estas, com efeito, querem sempre mostrar que são mais sábias que as leis e dominar os debates, como se nunca mais houvesse assuntos importantes a respeito dos quais pudessem exibir o seu talento, e com essa conduta geralmente levam a sua cidade à ruína; os homens que, ao contrário, não confiando em sua sutileza, contentam-se com saber menos que as leis e ser menos competentes que outros para criticar as palavras de um orador sagaz e, por serem mais juízes imparciais que contestadores interesseiros, geralmente são bem-sucedidos. (…)
     Me admiro daqueles que propõem debater novamente a questão dos mitilênios e assim provocar delongas que só interessam aos culpados (a cólera do ofendido contra o ofensor vai-se amortecendo com o passar do tempo); quando a repressão segue imediatamente o ultraje são mantidas as proporções e a reparação é completa. (…)
     Posso ser tolerante com homens que recorrem à rebelião por serem incapazes de suportar o vosso domínio, ou por serem coagidos por vossos inimigos a agir assim, mas quanto a homens que habitam uma ilha fortificada e não temem nossos inimigos senão por mar, e mesmo sob esse aspecto nunca ficaram sem a proteção da força de suas próprias trirremes, e que além disso se governam por suas próprias leis e eram tratados por nós com a mais alta consideração, pergunto: tal conduta não constitui uma conspiração, mais uma rebeldia que uma revolta – pois revolta é recurso de quem sofre opressão – e uma tentativa deliberada de passar para o lado de nossos piores inimigos com o objetivo de causar a nossa destruição? Isto é certamente mais grave do que se eles nos houvessem declarado guerra a fim de aumentar o seu poder. As desgraças de seus vizinhos que se revoltaram contra nós e foram dominados não lhes serviram de advertência, nem a felicidade que gozaram até agora os fez recuar diante do perigo; ao contrário, tornando-se demasiadamente confiantes no futuro e nutrindo esperanças que, embora maiores que suas forças, eram menores que sua ambição, empunharam armas, querendo pôr a força acima do direito, pois no momento em que se consideraram capazes de vencer atacaram-nos sem ser provocados. Realmente, as cidades inesperadamente prósperas tendem ao orgulho; em geral o cálculo, mais que o imprevisto, dá solidez ao sucesso e, para dizer tudo, é mais fácil afastar a adversidade que manter a prosperidade. Desde o começo os mitilênios nunca deveriam ter sido tratados por nós com mais consideração que os outros aliados; assim jamais teriam demonstrado tanta insolência, pois é próprio dos homens em qualquer caso desprezar a consideração e admirar o rigor. Castigai-os, portanto, enquanto é tempo, de maneira compatível com seu crime.
     Não devemos deixar-lhes qualquer esperança, seja fundada na eloquência, seja comprada com dinheiro, de que serão perdoados porque seu erro foi humano. Na verdade, seu ato não foi um ultraje involuntário, mas uma conspiração deliberada, e a indulgência só se aplica ao ato involuntário. Insisto, portanto, como tenho feito desde o princípio, em que não haja uma reversão em nossa decisão anterior, e em que não vos deixeis levar pelos três sentimentos mais nocivos a quem exerce o império: a compaixão, o encanto da eloquência e a clemência. A compaixão pode ser estendida aos que também a sentem, mas nunca àqueles que não mostrarão piedade por seu turno e serão inevitavelmente inimigos constantes. Quanto aos oradores que encantam com sua eloquência, terão outras oportunidades de exibi-la em assuntos menos importantes, e não quando a cidade pagará por um prazer efêmero um alto preço enquanto eles ganham um bom salário por suas falas agradáveis. E será melhor reservar a clemência para os que no futuro se mostrarem aliados fiéis, em vez de usá-la com quem continua a ser o que sempre foi, ou seja inimigo.”


     “Os dois obstáculos mais contrários a uma deliberação sensata são a pressa e a paixão; com efeito, uma anda geralmente em companhia da leviandade, e a outra da obsessão e estreiteza de espírito.”


     “Quanto às palavras, quem sustenta que elas não guiam nossas ações, é ignorante ou defende algum interesse pessoal – ignorante se crê que existe outro meio de lançar luz sobre a incerteza do futuro; defensor de interesses pessoais se, desejando impingir uma proposta desonesta e não podendo falar bem de uma causa má, consegue ao menos caluniar bem e assim intimidar seus opositores e ouvintes. Os mais perigosos são exatamente os que acusam antecipadamente um orador de estar subornado, apenas para fazer uma exibição de retórica. Se lhe imputassem somente ignorância, o orador incapaz de convencer os seus ouvintes poderia ir embora com a reputação de tolo, mas não de desonesto; quando, porém, a acusação é de desonestidade, o orador bem-sucedido se torna suspeito, e o fracassado além de tolo será indigno. Tudo isto é prejudicial à cidade, privada de seus conselheiros pelo temor.”


     “Praticamente todo o mundo helênico ficou convulsionado, pois nas várias cidades os chefes das respectivas facções democráticas enfrentavam os oligarcas, já que os democratas queriam chamar os atenienses e os oligarcas os lacedemônios. Com efeito, em tempo de paz não teriam pretexto nem ousadia para pedir a intervenção, mas agora que as duas alianças estavam em guerra, cada facção nas várias cidades, se desejava uma revolução, achava fácil recorrer a aliados, para de um só golpe fazer mal aos adversários e fortalecer sua própria causa. Dessa forma as revoluções trouxeram para as cidades numerosas e terríveis calamidades, como tem acontecido e continuará a acontecer enquanto a natureza humana for a mesma; elas, porém, podem ser mais ou menos violentas e diferentes em suas manifestações, de acordo com as várias circunstâncias presentes em cada caso. Na paz e prosperidade as cidades e os indivíduos têm melhores sentimentos, porque não são forçados a enfrentar dificuldades extremas; a guerra, ao contrário, que priva os homens da satisfação até de suas necessidades cotidianas, é uma mestra violenta e desperta na maioria das pessoas paixões em consonância com as circunstâncias do momento. Assim as cidades começam a ser abaladas pelas revoluções, e as que são atingidas por estas mais tarde, conhecendo os acontecimentos anteriores, chegam a extravagâncias ainda maiores em iniciativas de uma engenhosidade rara e em represálias nunca antes imaginadas. A significação normal das palavras em relação aos atos muda segundo os caprichos dos homens. A audácia irracional passa a ser considerada lealdade corajosa em relação ao partido¹; a hesitação prudente se torna covardia dissimulada; a moderação passa a ser uma máscara para a fraqueza covarde, e agir inteligentemente equivale à inércia total. Os impulsos precipitados são vistos como uma virtude viril, mas a prudência no deliberar é um pretexto para a omissão. O homem irascível sempre merece confiança, e seu oposto se torna suspeito. O conspirador bem-sucedido é inteligente, e ainda mais aquele que o descobre, mas quem não aprova esses procedimentos é tido como traidor do partido e um covarde diante dos adversários. Em suma, ser o primeiro nessa corrida para o mal e compelir a entrar nela quem não queria é motivo de elogios. Na realidade, os laços de parentesco ficam mais fracos que os de partido, no qual os homens se dispõem mais decididamente a tudo ousar sem perda de tempo, pois tais associações não se constituem para o bem público respeitando as leis existentes, mas para violarem a ordem estabelecida ao sabor da ambição. Os compromissos tiram a sua validade menos de sua força de lei divina que da ilegalidade perpetrada em comum. Palavras sensatas ditas por adversários são recebidas, se estes prevalecem, com desconfiança vigilante ao invés de generosidade. Vingar-se de uma ofensa é mais apreciado que não haver sido ofendido. Os juramentos de reconciliação só têm valor no momento em que são feitos, pois cada lado só se compromete para fazer face a uma emergência, não tendo a mínima força, e aquele que, em qualquer ocasião, vendo um adversário desprevenido, é o primeiro a se atrever, acha sua vingança mais agradável por causa do compromisso rompido do que se atacasse abertamente, levando em conta não somente a segurança de tal procedimento, mas também a circunstância de, por vencer mediante falsidade, estar fazendo jus a elogios por sua astúcia. De um modo geral os homens passam a achar melhor ser chamados canalhas astuciosos que tolos honestos, envergonhando-se no segundo caso e orgulhando-se no primeiro.
     A causa de todos esses males era a ânsia de chegar ao poder por cupidez e ambição, pois destas nasce o radicalismo dos que se entregam ao facciosismo partidário. Com efeito, os líderes partidários emergentes nas várias cidades, usando em ambas as facções palavras especiosas (uns falavam em igualdade política para as massas, outros em aristocracia moderada), procuravam dar a impressão de servir aos interesses da cidade, mas na realidade serviam-se dela; valendo-se de todos os meios para imporem-se uns aos outros, todos ousavam praticar os atos mais terríveis, e executavam vinganças ainda piores, não nos limites da justiça e do interesse público, mas pautando a sua conduta, em ambos os partidos, pelos caprichos do momento; sempre estavam prontos, seja ditando sentenças injustas de condenação, seja subindo ao poder pela violência, a agir em função de suas rivalidades imediatas. Consequentemente, ninguém tinha o menor apreço pela verdadeira piedade, e aqueles capazes de levar a bom termo um plano odioso sob o manto de palavras enganosas eram considerados os melhores, e os cidadãos que não pertenciam a um dos dois partidos eram eliminados por ambos, por não fazerem causa comum com eles ou simplesmente pelo despeito de vê-los sobreviver.
     Assim proliferaram na Hélade todas as formas de perversidade em consequência de revoluções, e a simplicidade, que é a característica mais condizente com uma natureza nobre, provocava sorrisos de escárnio e desapareceu, enquanto florescia por toda a parte a hipocrisia combinada com a desconfiança. Já não havia palavras fidedignas, nem juramentos capazes de inspirar respeito bastante para reconciliar os homens; os mais fortes, considerando precárias as garantias, preocupavam-se mais com evitar que lhes fizessem mal do que com esforçar-se por demonstrar aos demais que podiam confiar neles. Geralmente os medíocres triunfavam, pois o sentimento de suas limitações intelectuais e o temor da inteligência do adversário, aliados ao receio de ser vencidos em debates com opositores mais hábeis no falar, os levavam direta e ousadamente à ação. Seus adversários, em sua presunção de que poderiam prever os acontecimentos e de poderem confiar mais em sua inteligência do que na crueza dos fatos, na maioria das vezes eram apanhados de surpresa e exterminados.
     Naquela crise, quando Atenas vivia na mais completa anarquia, a natureza humana, então triunfante sobre as leis e já acostumada a fazer mal mesmo a despeito das leis, comprazia-se em mostrar que suas paixões são ingovernáveis, mais fortes que a justiça e inimigas de toda superioridade; na verdade, se a inveja não possuísse uma força tão nociva não se teria preferido a vingança às regras consagradas de conduta, nem o proveito ao respeito pela justiça. Realmente, os homens, quando querem vingar-se de alguém, não hesitam em derrogar os princípios gerais observados em tais circunstâncias – princípios dos quais dependem as esperanças de salvação de cada um deles diante dos infortúnios – mostrando-se incapazes de mantê-los vigentes para invocá-los se algum perigo os forçar a isto.”
1: Havia então dois partidos, o popular, com ideais democráticos (como o que detinha o poder em Atenas) e o oligárquico, com ideais despóticos (mandatário em Esparta). Mesmo as cidades que possuíam um sistema de governo, possuíam em seu seio partidários do sistema contrário – em outros termos, possuíam uma oposição.


     “Se algum de vós alimenta convictamente a esperança de que pode obter qualquer vantagem insistindo intransigentemente em seus direitos ou apelando para a força, não vá sofrer uma amarga decepção, enleado por sua expectativa, pois deve saber que muitos homens antes, perseguindo com a vingança aqueles que os prejudicaram, ou em outros casos esperando obter alguma vantagem com o exercício do poder, no primeiro caso não somente não conseguiram vingar-se, mas perderam todas as possibilidades de salvar-se, e no segundo, em vez de ganhar mais perderam o que já possuíam. Realmente, a, vingança não tem o direito de esperar uma justa reparação apenas porque foi cometida uma injustiça, nem a força é segura de si mesma apenas por ser confiante. Em relação ao futuro prevalece geralmente a incerteza, e esta, embora seja extremamente enganadora, pode ser mais útil que qualquer outra coisa, pois sendo igualmente temida por todos, torna-nos mais prudentes antes de nos atacarmos uns aos outros.”


     “Os homens, em relação ao objeto de seus desejos, costumam entregar-se a esperanças infundadas e rejeitam por considerações arbitrárias o que lhes desagrada.”


     “– Para combater bem são necessárias três virtudes: a decisão, o sentimento de honra e a obediência aos comandantes.”


     “Aqueles que preservam a sua liberdade a devem à sua força.”


     “São as coisas mais distantes e aquelas cuja reputação foi menos posta à prova que provocam admiração.”


    “Em toda parte o perigo traz a união.”


     “As opiniões dos homens tendem a variar segundo o que ouvem dizer.”


     “Com adversários deve-se estar prevenido não somente quanto ao que eles fazem, mas até quanto às suas intenções, pois quem não for o primeiro a tomar cuidados será o primeiro a sofrer.”


     “Como diz um provérbio, a vingança é o mais doce dos prazeres.”

História da Guerra do Peloponeso (Livros primeiro e segundo) – Tucídides

Editora: Imesp – Unb
ISBN: 978-85-2300-204-6
Tradução: Mário da Gama Kury
Opinião: ****
Páginas: 154 
 
     “Quem tiver menos ocasiões para arrepender-se de haver feito favores a seus adversários estará mais seguro.”


     “Nossos inimigos serem os mesmos é a mais segura garantia de fidelidade.”


     “Quando a guerra se prolonga demais, ela tende a depender simplesmente do acaso, e sobre o acaso nenhum dos lados tem poder, pois os resultados entram na esfera do desconhecido e do precário.”


     “Com efeito, para queixas, quer de cidades, quer de indivíduos, pode haver saídas, mas quando, atendendo a interesses isolados, uma guerra cujo resultado ninguém pode prever é iniciada por toda uma coligação, não é fácil sair dela honrosamente.”


     “Não devemos continuar discutindo se estamos sofrendo injustiças, mas como vingá-las.”


     “Queixa, é contra amigos que erram, mas acusação é contra inimigos que nos injuriam.”


     “A guerra não é tanto uma questão de armas quanto de dinheiro, pois é o dinheiro que torna as armas disponíveis.”


     “Embora convenha aos homens de discernimento permanecer tranquilos se ninguém os molesta, convém aos bravos, quando ofendidos, mudar da paz para a guerra, prontos, porém, para abandonar a guerra e retornar à paz quando chegar o momento propício, não se deixando empolgar pelo sucesso na guerra, nem enamorar pela quietude da paz a ponto de tolerar ultrajes. Com efeito, aquele que fugir à guerra por causa de suas comodidades, muito provavelmente, se permanecer indiferente, bem depressa perderá os deleites da vida pacata que o levaram à omissão; da mesma forma, aquele que se empolga pelo sucesso na guerra não percebe quão enganadora é a confiança que o exalta.”


     “Ninguém executa um plano com a mesma confiança com que o concebe; ao contrário, quando formamos uma opinião sentimo-nos seguros, mas na prática sobrevém o temor e falhamos.”


     “A guerra, com efeito, menos que qualquer outra coisa se enquadra em regras fixas, mas tem de adaptar seus planos às circunstâncias na medida dos recursos disponíveis; quem a enfrentar com sangue frio, muito provavelmente estará mais seguro; ao contrário, quem for impetuoso fracassará por sua própria culpa.”


     “Ganhar virtude através de provações é nossa herança.”


     “A paz é mais firme quando se segue à guerra.”


     “Os acontecimentos podem mover-se tão imprevistamente, com efeito, quanto os planos dos homens; é por isso que em geral pomos na sorte a culpa de todos os acontecimentos contrários ao nosso raciocínio.”


     “A náutica, como qualquer outra técnica, é uma questão de exercício, e a prática neste caso não pode ser acidental, como uma atividade acessória; ao contrário, ela, mais que qualquer outra, não comporta esta marginalidade.”


     “Nos dois lados só se faziam grandes planos e todos estavam cheios de entusiasmo pela guerra; isto não é de admirar, pois é sempre no começo que se mostra mais ânimo.”


     “De um modo geral a guerra depende de discernimento e de dinheiro.”


     “De fato, elogios a outras pessoas são toleráveis somente até onde cada um se julga capaz de realizar qualquer dos atos cuja menção esta ouvindo; quando vão além disto, provocam a inveja, e com ela a incredulidade.”


     “No curso do mesmo inverno os atenienses, seguindo um costume de seus antepassados, celebraram a expensas do tesouro os ritos fúnebres dos primeiros concidadãos vítimas desta guerra. A cerimônia consiste no seguinte: os ossos dos defuntos são expostos num catafalco durante três dias, sob um toldo próprio para isto, e os habitantes trazem para os seus mortos as oferendas desejadas; no dia do funeral ataúdes de cipreste são trazidos em carretas, um para cada tribo, e os ossos de cada um são postos no ataúde de sua tribo; um ataúde vazio, coberto por um pálio, também é levado em procissão, reservado aos desaparecidos cujos cadáveres não foram encontrados para o sepultamento. Todos os que desejam, cidadãos ou estrangeiros, podem participar da procissão fúnebre, e as mulheres das famílias dos defuntos também comparecem e fazem lamentações; os ataúdes são postos no mausoléu oficial, situado no subúrbio mais belo da cidade¹; lá são sempre sepultados os mortos em guerra, à exceção dos que tombaram em Maratona que, por seus méritos excepcionais, foram enterrados no próprio local da batalha. Após o enterro dos restos mortais, um cidadão escolhido pela cidade, considerado o mais qualificado em termos de inteligência e tido na mais alta estima pública, pronuncia um elogio adequado em honra dos defuntos. Depois disso o povo se retira. São assim os funerais e durante toda a guerra, sempre que havia oportunidade, esse costume era observado. No caso presente das primeiras vítimas da guerra, Péricles filho de Xântipos foi escolhido para falar. No momento oportuno ele avançou para o local do mausoléu, subiu à plataforma, bastante alta para que a sua voz fosse ouvida tão longe quanto possível pela multidão, e disse o seguinte:
     Vivemos sob uma forma de governo que não se baseia nas instituições de nossos vizinhos²; ao contrário, servimos de modelo a alguns³ ao invés de imitar outros. Seu nome, como tudo depende não de poucos mas da maioria, é democracia. Nela, enquanto no tocante às leis todos são iguais para a solução de suas divergências privadas, quando se trata de escolher (se é preciso distinguir em qualquer setor), não é o fato de pertencer a uma classe, mas o mérito, que dá acesso aos postos mais honrosos; inversamente, a pobreza não é razão para que alguém, sendo capaz de prestar serviços à cidade, seja impedido de fazê-lo pela obscuridade de sua condição. Conduzimo-nos liberalmente em nossa vida pública, e não observamos com uma curiosidade suspicaz a vida privada de nossos concidadãos, pois não nos ressentimos com nosso vizinho se ele age como lhe apraz, nem o olhamos com ares de reprovação que, embora inócuos, lhe causariam desgosto. Ao mesmo tempo que evitamos ofender os outros em nosso convívio privado, em nossa vida pública nos afastamos da ilegalidade principalmente por causa de um temor reverente, pois somos submissos às autoridades e às leis, especialmente àquelas promulgadas para socorrer os oprimidos e às que, embora não escritas, trazem aos transgressores uma desonra visível a todos. (…)
     Somos também superiores aos nossos adversários em nosso sistema de preparação para a guerra nos seguintes aspectos: em primeiro lugar, mantemos nossa cidade aberta a todo o mundo e nunca, por atos discriminatórios, impedimos alguém de conhecer e ver qualquer coisa que, não estando oculta, possa ser vista por um inimigo e ser-lhe útil. Nossa confiança se baseia menos em preparativos e estratagemas que em nossa bravura no momento de agir. Na educação, ao contrário de outros que impõem desde a adolescência exercícios penosos para estimular a coragem, nós, com nossa maneira liberal de viver, enfrentamos pelo menos tão bem quanto eles perigos comparáveis. Eis a prova disto: os lacedemônios não vêm sós quando invadem nosso território, mas trazem com eles todos os seus aliados, enquanto nós, quando atacamos o território de nossos vizinhos, não temos maiores dificuldades, embora combatendo em terra estrangeira, em levar frequentemente a melhor. Jamais nossas forças se engajaram todas juntas contra um inimigo, pois aos cuidados com a frota se soma em terra o envio de contingentes nossos contra numerosos objetivos; se os lacedemônios por acaso travam combate com uma parte de nossas tropas e derrotam uns poucos soldados nossos, vangloriam-se de haver repelido todas as nossas forças; se, todavia, a vitória é nossa, queixam-se de ter sido vencidos por todos nós. Se, portanto, levando nossa vida amena ao invés de recorrer a exercícios extenuantes, e confiantes em uma coragem que resulta mais de nossa maneira de viver que da compulsão das leis, estamos sempre dispostos a enfrentar perigos, a vantagem é toda nossa, porque não nos perturbamos antecipando desgraças ainda não existentes e, chegado o momento da provação, demonstramos tanta bravura quanto aqueles que estão sempre sofrendo; nossa cidade, portanto, é digna de admiração sob esses aspectos e muitos outros.
     Somos amantes da beleza sem extravagâncias e amantes da filosofia sem indolência. Usamos a riqueza mais como uma oportunidade para agir que como um motivo de vanglória; entre nós não há vergonha na pobreza, mas a maior vergonha é não fazer o possível para evitá-la. Ver-se-á em uma mesma pessoa ao mesmo tempo o interesse em atividades privadas e públicas, e em outros entre nós que dão atenção principalmente aos negócios não se verá falta de discernimento em assuntos políticos, pois olhamos o homem alheio às atividades públicas não como alguém que cuida apenas de seus próprios interesses, mas como um inútil; nós, cidadãos atenienses, decidimos as questões públicas por nós mesmos, ou pelo menos nos esforçamos por compreendê-las claramente, na crença de que não é o debate que é empecilho à ação, e sim o fato de não se estar esclarecido pelo debate antes de chegar a hora da ação. Consideramo-nos ainda superiores aos outros homens em outro ponto: somos ousados para agir, mas ao mesmo tempo gostamos de refletir sobre os riscos que pretendemos correr, para outros homens, ao contrário, ousadia significa ignorância e reflexão traz a hesitação. Deveriam ser justamente considerados mais corajosos aqueles que, percebendo claramente tanto os sofrimentos quanto as satisfações inerentes a uma ação, nem por isso recuam diante do perigo. Mais ainda: em nobreza de espírito contrastamos com a maioria, pois não é por receber favores, mas por fazê-los, que adquirimos amigos. De fato, aquele que faz o favor é um amigo mais seguro, por estar disposto, através de constante benevolência para com o beneficiado, a manter vivo nele o sentimento de gratidão. Em contraste, aquele que deve é mais negligente em sua amizade, sabendo que a sua generosidade, em vez de lhe trazer reconhecimento, apenas quitará uma dívida. Enfim, somente nós ajudamos os outros sem temer as consequências, não por mero cálculo de vantagens que obteríamos, mas pela confiança inerente à liberdade.
     Em suma, digo que nossa cidade, em seu conjunto, é a escola de toda a Hélade e que, segundo me parece, cada homem entre nós poderia, por sua personalidade própria, mostrar-se autossuficiente nas mais variadas formas de atividade, com a maior elegância e naturalidade. E isto não é mero ufanismo inspirado pela ocasião, mas a verdade real, atestada pela força mesma de nossa cidade, adquirida em consequência dessas qualidades. Com efeito, só Atenas entre as cidades contemporâneas se mostra superior à sua reputação quando posta à prova, e só ela jamais suscitou irritação nos inimigos que a atacaram, ao verem o autor de sua desgraça, ou o protesto de seus súditos porque um chefe indigno os comanda. Já demos muitas provas de nosso poder, e certamente não faltam testemunhos disto; seremos portanto admirados não somente pelos homens de hoje mas também do futuro. Não necessitamos de um Homero para cantar nossas glórias, nem de qualquer outro poeta cujos versos poderão talvez deleitar no momento, mais que verão a sua versão dos fatos desacreditada pela realidade. Compelimos todo o mar e toda a terra a dar passagem à nossa audácia, e em toda parte plantamos monumentos imorredouros dos males e dos bens que fizemos4. Esta, então, é a cidade pela qual estes homens lutaram e morreram nobremente, considerando seu dever não permitir que ela lhes fosse tomada; é natural que todos os sobreviventes, portanto, aceitem de bom grado sofrer por ela.
     Falei detidamente sobre a cidade para mostrar-vos que estamos lutando por um prêmio maior que o daqueles cujo gozo de tais privilégios não é comparável ao nosso, e ao mesmo tempo para provar cabalmente que os homens em cuja honra estou falando agora merecem os nossos elogios. Quanto a eles, muita coisa já foi dita, pois quando louvei a cidade estava de fato elogiando os feitos heroicos com que estes homens e outros iguais a eles a glorificaram; e não há muitos helenos cuja fama esteja como a deles tão exatamente adequada a seus feitos. Parece-me ainda que uma morte como a destes homens é prova total de máscula coragem, seja como seu primeiro indício, seja como sua confirmação final. Mesmo para alguns menos louváveis por outros motivos, a bravura comprovada na luta por sua pátria deve com justiça sobrepor-se ao resto; eles compensaram o mal com o bem e saldaram as falhas na vida privada com a dedicação ao bem comum. Ainda a propósito deles, os ricos não deixaram que o desejo de continuar a gozar da riqueza os acovardasse, e os pobres não permitiram que a esperança de mais tarde se tornarem ricos os levasse a fugir ao dia fatal; punir o adversário foi aos seus olhos mais desejável que essas coisas, e ao mesmo tempo o perigo a correr lhes pareceu mais belo que tudo; enfrentando-o, quiseram infligir esse castigo e atingir esse ideal, deixando por conta da esperança as possibilidades ainda obscuras de sucesso, mas na ação, diante do que estava em jogo à sua frente, confiaram altivamente em si mesmos. Quando chegou a hora do combate, achando melhor defender-se e morrer que ceder e salvar-se, fugiram da desonra, jogaram na ação as suas vidas e, no brevíssimo instante marcado pelo destino, morreram num momento de glória e não de medo.
     Assim estes homens se comportaram de maneira condizente com nossa cidade; quanto aos sobreviventes, embora desejando melhor sorte deverão decidir-se a enfrentar o inimigo com bravura não menor. Cumpre-nos apreciar a vantagem de tal estado de espírito não apenas com palavras, pois a fala poderia alongar-se demais para dizer-vos que há razões para enfrentar o inimigo; em vez disso, contemplai diariamente a grandeza de Atenas, apaixonai-vos por ela e, quando a sua glória vos houver inspirado, refleti em que tudo isto foi conquistado por homens de coragem cônscios de seu dever, impelidos na hora do combate por um forte sentimento de honra; tais homens, mesmo se alguma vez falharam em seus cometimentos, decidiram que pelo menos à pátria não faltaria o seu valor, e que lhe fariam livremente a mais nobre contribuição possível. De fato, deram-lhe suas vidas para o bem comum e, assim fazendo, ganharam o louvor imperecível e o túmulo mais insigne, não aquele em que estão sepultados, mas aquele no qual a sua glória sobrevive relembrada para sempre, celebrada em toda ocasião propícia à manifestação das palavras e dos atos5. Com efeito, a terra inteira é o túmulo dos homens valorosos, e não é somente o epitáfio nos mausoléus erigidos em suas cidades que lhes presta homenagem, mas há igualmente em terras além das suas, em cada pessoa, uma reminiscência não escrita, gravada no pensamento e não em coisas materiais. Fazei agora destes homens, portanto, o vosso exemplo, e tendo em vista que a felicidade é liberdade e a liberdade é coragem, não vos preocupeis exageradamente com os perigos da guerra. Não são aqueles que estão em situação difícil que têm o melhor pretexto para descuidar-se da preservação da vida, pois eles não têm esperança de melhores dias, mas sim os que correm o risco, se continuarem a viver, de uma reviravolta da fortuna para pior, e aqueles para os quais faz mais diferença a ocorrência de uma desgraça; para o espírito dos homens, com efeito, a humilhação associada à covardia é mais amarga do que a morte quando chega despercebida em acirrada luta pelas esperanças de todos.
     Eis porque não lastimo os pais destes homens, muitos aqui presentes, mas prefiro confortá-los. Eles sabem que suas vidas transcorreram em meio a constantes vicissitudes, e que a boa sorte consiste em obter o que é mais nobre, seja quanto à morte – como estes homens – seja quanto à amargura – como vós, e em ter tido uma existência em que se foi feliz quando chegou o fim. Sei que é difícil convencer-vos desta verdade, quando lembrais a cada instante a vossa perda ao ver os outros gozando a ventura em que também já vos deleitastes; sei, também, que se sente tristeza não pela falta de coisas boas que nunca se teve, mas pelo que se perde depois de ter tido. Aqueles entre vós ainda em idade de procriar devem suavizar a tristeza com a esperança de ter outros filhos; assim, não somente para muitos de vós individualmente os filhos que nascerem serão um motivo de esquecimento dos que se foram, mas a cidade também colherá uma dupla vantagem: não ficará menos populosa e continuará segura; não é possível, com efeito, participar das deliberações na assembleia em pé de igualdade e ponderadamente quando não se arriscam filhos nas decisões a tomar. Quanto a vós, que já estais muito idosos para isso, contai como um ganho a maior porção de vossa vida durante a qual fostes felizes, lembrai-vos de que o porvir será curto, e sobretudo consolai-vos com a glória destes vossos filhos. Só o amor da glória não envelhece, e na idade avançada o principal não é o ganho, como alguns dizem, mas ser honrado. (…)
     Se tenho de falar também das virtudes femininas, dirigindo-me às mulheres agora viúvas, resumirei tudo num breve conselho: será grande a vossa glória se vos mantiverdes fiéis à vossa própria natureza, e grande também será a glória daquelas de quem menos se falar, seja pelas virtudes, seja pelos defeitos.
     Aqui termino o meu discurso, no qual, de acordo com o costume, falei o que me pareceu adequado; quanto aos fatos, os homens que viemos sepultar já receberam as nossas homenagens e seus filhos serão, de agora em diante, educados a expensas da cidade até a adolescência; assim ofereceremos aos mortos e a seus descendentes uma valiosa coroa como prêmio por seus feitos, pois onde as recompensas pela virtude são maiores, ali se encontram melhores cidadãos. Agora, depois de cada um haver chorado devidamente os seus mortos, ide embora.
     Foram estas as cerimônias fúnebres realizadas durante aquele inverno, cujo fim completou o primeiro ano desta guerra.”

1: O Cerâmico exterior, ou fora-das-muralhas, logo depois das Duas Portas (Dípylon). Essa estrada era para Atenas o que a Via Ápia era para Roma.
2: Alusão aos espartanos, cujas instituições teriam sido copiadas de ereta; veja-se Aristóteles, Político, 1271 b 23.
3: Possível alusão à embaixada vinda de Roma em 454 a.c. para examinar a constituição de Sólon; veja-se Tito Lívio, IH, 31.
4: Subentenda-se: “dos males feitos aos inimigos e bens feitos aos amigos”.
5: Subentenda-se: “palavras de louvor e atos de emulação”.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

O Que a Bíblia Realmente Ensina – Associação Torre de Vigia de Bíblias e Tratados

Editora: Associação Torre de Vigia de Bíblias e Tratados
ISBN: 85-7392-082-3
Opinião: *
Páginas: 224 
 
     “Já observou como as crianças gostam de fazer perguntas? Muitas começam a fazer perguntas assim que aprendem a falar. Com olhos bem abertos e aguardando uma resposta, elas olham para você e perguntam coisas tais como: Por que o céu é azul? De que são feitas as estrelas? Quem ensinou os passarinhos a cantar? Você talvez se esforce em responder, mas isso nem sempre é fácil. Por melhor que seja a sua resposta, ela talvez resulte numa outra pergunta: Por quê?
     Mas não são só as crianças que fazem perguntas. À medida que crescemos, continuamos a fazer perguntas. Fazemos isso para achar o nosso rumo na vida, para saber os perigos que temos de evitar ou para satisfazer a nossa curiosidade. Mas parece que muitos desistem de fazer perguntas, em especial as mais importantes. Ou pelo menos desistem de procurar as respostas.”


     “Pior ainda, instrutores religiosos às vezes levam as pessoas a pensar que Deus é insensível. Como assim? Em casos de tragédia, por exemplo, eles dizem que essa é a vontade de Deus. Na realidade, tais instrutores culpam a Deus pelas coisas ruins que acontecem. É essa a verdade a respeito de Deus? O que a Bíblia realmente ensina? Tiago 1:13 responde: “Quando posto à prova, ninguém diga: ‘Estou sendo provado por Deus.’ Pois, por coisas más, Deus não pode ser provado, nem prova ele a alguém.” Portanto, Deus jamais é o causador da perversidade que vemos no mundo ao nosso redor. (Jó 34:10-12) Ele permite que certas coisas ruins aconteçam, é verdade. Mas existe uma enorme diferença entre permitir que algo aconteça e causar isso.
     Por exemplo, pense no caso de um pai sábio e amoroso que tenha um filho adulto que ainda mora com os pais. Se esse filho se torna rebelde e decide sair de casa, o pai não o impede de fazer isso. Se ele escolhe um mau caminho na vida e se mete em dificuldades, será que o pai é o causador dos problemas do filho? Não. (Lucas 15:11-13) Da mesma forma, Deus não impediu os humanos de seguirem o mau caminho que escolheram, mas ele não é o causador dos problemas que resultaram disso. Certamente, pois, seria injusto culpar a Deus por todos os problemas da humanidade.”


     “A Bíblia é cientificamente exata e também historicamente exata e confiável.”


     “Usando mentiras e trapaças, Satanás, o Diabo, fez com que Adão e Eva desobedecessem a Deus. (Gênesis 2:17; 3:6) Em resultado disso, por fim eles morreram, como Deus havia dito que aconteceria, caso desobedecessem. (Gênesis 3:17-19) Visto que Adão se tornou imperfeito quando pecou, todos os seus descendentes herdaram dele o pecado. (Leia Romanos 5:12.) Pode-se ilustrar essa situação com uma fôrma para fazer pão. Se a fôrma tiver um defeito, o que acontecerá com todos os pães feitos nela? Todos eles sairão com defeito, ou imperfeição. Da mesma maneira, todo ser humano herda um “defeito” causado pela imperfeição de Adão. É por isso que todos os humanos envelhecem e morrem. — Romanos 3:23.”


     “Jesus jamais duvidou que Satanás fosse o governante deste mundo. De alguma forma milagrosa, Satanás certa vez mostrou a Jesus “todos os reinos do mundo e a glória deles”. Daí, ele prometeu a Jesus: “Eu lhe darei tudo isto se você se prostrar e me fizer um ato de adoração.” (Mateus 4:8, 9; Lucas 4:5, 6) Pense nisso. Se o Diabo não fosse o governante desses reinos, poderia ele ter tentado Jesus com essa oferta? Jesus não negou que todos esses governos do mundo pertencessem a Satanás. Certamente, Jesus teria feito isso se Satanás não fosse a verdadeira fonte de poder desses governos.
     Naturalmente, Jeová é o Deus todo-poderoso, o Criador do maravilhoso Universo. (Apocalipse 4:11) No entanto, em nenhum lugar a Bíblia diz que Jeová Deus ou Jesus Cristo seja o governante deste mundo. De fato, Jesus se referiu especificamente a Satanás como “o governante deste mundo”. (João 12:31; 14:30; 16:11) A Bíblia até mesmo fala de Satanás, o Diabo, como “o deus deste mundo”. (2 Coríntios 4:3, 4) A respeito desse opositor, ou Satanás, o apóstolo João escreveu: “O mundo inteiro esta no poder do Maligno.” — 1 João 5:19.
     A cada ano que passa, o mundo fica mais perigoso. Ele esta cheio de exércitos agressivos, políticos desonestos, líderes religiosos hipócritas e criminosos endurecidos. Este mundo como um todo é irreformável.”


     “Muito antes de Jesus nascer, a Bíblia predisse a vinda daquele a quem Deus enviaria como Messias, ou Cristo. Ambos os títulos, “Messias” (de uma palavra hebraica) e “Cristo” (de uma palavra grega), significam “ungido”. Esse Prometido seria ungido, isto é, designado por Deus para um cargo especial.”


     “O que acontece na morte não é mistério para Jeová, o Criador do cérebro. Ele sabe a verdade e, na sua Palavra, a Bíblia, ele explica a condição dos mortos. O ensino claro da Bíblia é: quando uma pessoa morre, ela deixa de existir. A morte é o oposto da vida. Os mortos não veem, não ouvem nem pensam. Nenhuma parte de nós sobrevive à morte do corpo. Nós não possuímos uma alma ou espírito imortal.
     Depois de mencionar que os vivos sabem que vão morrer, Salomão escreveu: “Mas os mortos não sabem absolutamente nada.” Daí ele ampliou essa verdade básica dizendo que os mortos não podem amar nem odiar e que “não há trabalho, nem planejamento, nem conhecimento, nem sabedoria na Sepultura”. (Leia Eclesiastes 9:5, 6, 10.) Também o Salmo 146:4 diz que, quando uma pessoa morre, “os seus pensamentos se acabam”. Nós somos mortais e não sobrevivemos à morte do corpo. A nossa vida é como a chama de uma vela. Quando a chama se apaga, ela não vai para nenhum lugar. Ela simplesmente acaba.”


     “O que a Bíblia ensina sobre a condição dos mortos é consolador. Como vimos, os mortos não sofrem dor nem angústia. Não há motivo para ter medo deles, pois não podem nos prejudicar. Eles não precisam de nossa ajuda, nem podem nos ajudar. Não podemos falar com eles, e eles não podem falar conosco. Muitos líderes religiosos afirmam falsamente que podem ajudar os mortos, e as pessoas que acreditam nesses líderes os pagam para que façam isso. Mas saber a verdade evita sermos enganados pelos que ensinam essas mentiras.
     Será que os ensinos de sua religião a respeito dos mortos estão de acordo com a Bíblia? Os da maioria das religiões não estão. Por quê? Porque seus ensinos têm sido influenciados por Satanás. Ele usa a religião falsa para fazer as pessoas acreditarem que, depois da morte do corpo, elas continuarão a viver no domínio espiritual. Trata-se de uma mentira que Satanás associa com outras mentiras a fim de afastar as pessoas de Jeová. Como assim?
     Como já mencionado, muitas religiões ensinam que, se a pessoa for má, após a morte irá para um lugar de tormento eterno no fogo. Esse ensino desonra a Deus. Jeová é um Deus de amor e jamais faria com que as pessoas sofressem desse jeito. (Leia 1 João 4:8.) O que você pensaria de um homem que, para castigar uma criança desobediente, pusesse a mão dela no fogo? Respeitaria tal homem? Teria vontade de conhecê-lo? Definitivamente não! Você com certeza o acharia muito cruel. No entanto, Satanás quer nos fazer crer que Jeová tortura pessoas no fogo para sempre — por incontáveis bilhões de anos!”


     “Sabendo que logo voltaria para o céu, Jesus disse a seus seguidores fiéis que lhes ‘prepararia um lugar’. (João 14:2) A esses que iriam para o céu Jesus chamou de “pequeno rebanho”. (Lucas 12:32) De quantos se comporia esse grupo relativamente pequeno de cristãos fiéis? De acordo com Apocalipse 14:1, o apóstolo João diz: “Vi o Cordeiro [Jesus Cristo] em pé no monte Sião, e com ele 144.000, que têm o nome dele e o nome do seu Pai escritos na testa.”
     Esses 144 mil cristãos, incluindo os apóstolos fiéis de Jesus, são ressuscitados para a vida no céu. Quando ocorre a ressurreição deles? O apóstolo Paulo escreveu que ocorreria durante o período da presença de Cristo. (1 Coríntios 15:23) Como veremos no Capítulo 9, vivemos agora nesse período. Assim, os poucos remanescentes dos 144 mil que morrem em nossos dias são ressuscitados instantaneamente para a vida no céu. (1 Coríntios 15:51-55) A vasta maioria da humanidade, porém, tem a perspectiva de ser ressuscitada no futuro para viver na Terra paradisíaca.”


     “O fato de Jesus ter dito a seus seguidores que orassem pela vinda do Reino deixa claro que esse Reino ainda não havia chegado naquele tempo. Será que chegou então quando Jesus subiu ao céu? Não, pois tanto Pedro como Paulo disseram que foi após a ressurreição de Jesus que se cumpriu nele a profecia do Salmo 110:1: “Jeová declarou ao meu Senhor: ‘Sente-se à minha direita, até que eu ponha os seus inimigos debaixo dos seus pés.’” (Atos 2:32-35; Hebreus 10:12, 13) Houve um período de espera.
     Quanto tempo duraria esse período de espera? Nos séculos 19 e 20, sinceros estudantes da Bíblia discerniram gradualmente que esse período terminaria em 1914. Os acontecimentos mundiais desde 1914 confirmam que o entendimento daqueles sinceros estudantes da Bíblia estava certo. O cumprimento de profecias bíblicas mostra que em 1914 Cristo tornou-se Rei, e o Reino celestial de Deus começou a operar. Portanto, estamos vivendo no “pouco tempo” que resta para Satanás. (Apocalipse 12:12; Salmo 110:2) Pode-se também dizer com certeza que o Reino de Deus agirá em breve para fazer com que a vontade de Deus seja feita na Terra.”


     “Nos milhares de anos de História, a humanidade tem tido a oportunidade de governar a si mesma, por meio de todo tipo de governo humano. A humanidade fez progresso na ciência e em outros campos, mas o quadro de injustiças, pobreza, crime e guerra piora cada vez mais. Já é evidente que o governo humano é um fracasso.”


Respeito Pelo Sangue
     Depois que Caim matou seu irmão, Abel, Jeová lhe disse: “O sangue do seu irmão esta clamando a mim desde o solo.” (Gênesis 4:10) Quando Deus falou do sangue de Abel, ele referia-se à vida de Abel. Caim havia tirado a vida de seu irmão e tinha de ser punido. Era como se o sangue, ou a vida, de Abel clamasse a Jeová por justiça. A relação entre vida e sangue ficou de novo evidente depois do Dilúvio dos dias de Noé. Antes do Dilúvio, as pessoas comiam apenas frutas, vegetais, cereais e nozes. Depois do Dilúvio, Jeová disse a Noé e seus filhos: “Todo animal que se move e que esta vivo pode servir-lhes de alimento.” No entanto, Deus impôs esta restrição: “Somente não comam a carne de um animal com seu sangue, que é a sua vida.” (Gênesis 1:29; 9:3, 4) Obviamente, Jeová estabeleceu uma relação bem estreita entre a vida e o sangue de uma criatura.
     Mostramos respeito pelo sangue por não comê-lo. Na Lei de Jeová aos israelitas, ele ordenou: “Se algum israelita... ao caçar, apanhar um animal selvagem ou uma ave que se pode comer, ele terá de derramar o sangue e cobri-lo com pó... Eu disse aos israelitas: ‘Não comam o sangue de nenhuma criatura.’” (Levítico 17:13, 14) A ordem de Deus de não comer sangue animal, originalmente dada a Noé uns 800 anos antes, ainda vigorava. O conceito de Jeová era claro: seus servos podiam comer carne animal, mas não o sangue. Deviam derramar o sangue no solo — como que devolvendo a Deus a vida do animal.
     Os cristãos estão sujeitos a um mandamento semelhante. Certa vez, os apóstolos e outros homens, que assumiam a liderança entre os seguidores de Jesus no primeiro século, reuniram-se para decidir quais os mandamentos que tinham de ser obedecidos por todos na congregação cristã. Eles chegaram à seguinte conclusão: “Pareceu bem ao espírito santo e a nós não impor a vocês nenhum fardo além destas coisas necessárias: que persistam em se abster de coisas sacrificadas a ídolos, de sangue, do que foi estrangulado [“do que foi morto sem ser sangrado”, nota] e de imoralidade sexual.” (Atos 15:28, 29; 21:25) Portanto, temos de ‘persistir em nos abster de sangue’. Aos olhos de Deus, fazer isso é tão importante como evitar a idolatria e a imoralidade sexual.
     Será que o mandamento de se abster de sangue inclui transfusões de sangue? Sim. Para ilustrar: digamos que um médico lhe recomendasse abster-se de álcool. Será que isso significaria simplesmente que você não deveria beber álcool, mas poderia injetá-lo nas veias? Claro que não! Da mesma forma, abster-se de sangue quer dizer não introduzi-lo de modo algum no corpo. Ou seja, o mandamento de se abster de sangue significa que não devemos permitir que ninguém injete sangue nas nossas veias.
     Que dizer se um cristão se ferir gravemente ou precisar de uma grande cirurgia? Suponhamos que os médicos digam que ele morrerá se não receber uma transfusão de sangue. É óbvio que o cristão não deseja morrer. Num esforço de preservar a preciosa dádiva de Deus, a vida, ele aceitaria outros tipos de tratamento que não envolvessem o mau uso do sangue. Assim, solicitaria esse tratamento médico, se disponível, e aceitaria uma variedade de alternativas à transfusão de sangue.
     Será que o cristão desobedeceria à lei de Deus apenas para viver um pouco mais neste sistema? Jesus disse: “Quem quiser salvar a sua vida a perderá, mas quem perder a sua vida por minha causa a achará.” (Mateus 16:25) Não queremos morrer. Mas, se tentássemos salvar a nossa vida atual desobedecendo à lei de Deus, correríamos o risco de perder a vida eterna. Seremos sábios, portanto, se confiarmos na lei justa de Deus, com plena certeza de que, se morrermos por qualquer motivo, Aquele que nos deu a vida se lembrará de nós na ressurreição e nos dará de volta a preciosa dádiva da vida. — João 5:28, 29; Hebreus 11:6.
     Na atualidade, os servos fiéis de Deus estão firmemente decididos a seguir as instruções divinas a respeito do sangue. Eles não o comem de nenhuma forma. Tampouco aceitam sangue por razões médicas. Eles têm certeza de que o Criador do sangue sabe o que é melhor para eles. Você acredita que Deus realmente sabe isso?”


     “Homens imperfeitos cometem erros e, em muitos casos, não são chefes de família ideais. O que a esposa deve fazer nesse caso? Não deve menosprezar o que o marido faz, nem tentar usurpar a chefia dele. Fará bem em lembrar-se de que um espírito calmo e brando é de grande valor para Deus. (1 Pedro 3:4) Por demonstrar um espírito assim ela achará mais fácil demonstrar sujeição cristã, mesmo em situações provadoras. A Bíblia diz também: “A esposa deve ter profundo respeito pelo marido.” (Efésios 5:33) Mas e se ele não aceitar a Cristo como Cabeça? A Bíblia exorta às esposas: “Esteja sujeita ao seu marido, de modo que, se ele não for obediente à palavra, seja ganho sem palavras, por meio da conduta de sua esposa, por ter sido testemunha ocular de sua conduta casta junto com profundo respeito.” — 1 Pedro 3:1, 2.
     Ao cumprir seu papel, a esposa pode contribuir muito para o bem da família. Por exemplo, a Bíblia mostra que as mulheres casadas devem ‘amar o marido, amar os filhos, ser sensatas, castas, diligentes nos afazeres domésticos, bondosas, sujeitas ao marido’. (Tito 2:4, 5) A esposa e mãe que age assim conquista o eterno amor e respeito de sua família. (Leia Provérbios 31:10, 28.) Visto que o casamento é a união de pessoas imperfeitas, porém, algumas circunstâncias extremas poderão resultar em separação ou divórcio. A Bíblia permite a separação em determinadas circunstâncias. No entanto, a separação não deve ser encarada levianamente, pois a Bíblia aconselha: ‘A esposa não deve se separar do marido e o marido não deve deixar a esposa.’ (1 Coríntios 7:10, 11) E apenas a imoralidade sexual por parte de um dos cônjuges provê base bíblica para divórcio. — Mateus 19:9.”


     “Como é possível saber qual é a maneira correta de adorar a Jeová? Não é preciso estudar e comparar os ensinos de todas as muitas religiões. É preciso apenas aprender o que a Bíblia realmente ensina a respeito da adoração verdadeira. Para ilustrar: em muitos países, existe o problema da falsificação de dinheiro. Se você fosse encarregado de identificar dinheiro falso, como faria isso? Memorizando todos os tipos de falsificações? Não. Seu tempo seria mais bem gasto se você o usasse para estudar o dinheiro verdadeiro. Depois de conhecer bem o dinheiro verdadeiro, poderia reconhecer o falso. Do mesmo modo, quando aprendemos a identificar a religião verdadeira, podemos reconhecer as que são falsas.
     É importante que adoremos a Jeová do modo que ele aprova. Muitos acham que todas as religiões agradam a Deus, mas a Bíblia não ensina isso. Também não basta apenas afirmar ser cristão. Jesus disse: “Nem todo o que me disser: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele que fizer a vontade do meu Pai, que esta nos céus.” Portanto, para termos a aprovação de Deus, temos de aprender o que ele exige de nós e pôr isso em prática. Jesus chamou os que não fazem a vontade de Deus de pessoas “que fazem o que é contra a lei”. (Mateus 7:21-23) Como dinheiro falso, a religião falsa não tem valor verdadeiro. Pior ainda, esse tipo de religião é realmente prejudicial.”


     Os adoradores verdadeiros não fazem parte do mundo. Quando estava sendo julgado perante o governante romano Pilatos, Jesus disse: “Meu Reino não faz parte deste mundo.” (João 18:36) Não importa em que país vivam, os verdadeiros seguidores de Jesus são súditos de seu Reino celestial, mantendo assim estrita neutralidade nos assuntos políticos do mundo. Eles não participam nos seus conflitos. No entanto, os adoradores de Jeová não interferem na escolha de outros quanto a entrar num partido político, concorrer a um cargo ou votar. E, ao passo que os verdadeiros adoradores de Deus são neutros em assuntos políticos, são também obedientes às leis. Por quê? Porque a Palavra de Deus ordena que “estejam sujeitos às autoridades superiores” governamentais. (Romanos 13:1) Em caso de conflito entre o que Deus exige e o que determinado sistema político exige, os adoradores verdadeiros seguem o exemplo dos apóstolos, que disseram: “Temos de obedecer a Deus como governante em vez de a homens.” — Atos 5:29; Marcos 12:17.”


     “Simplesmente crer em Deus não é suficiente para agradá-lo. Afinal, a Bíblia diz que até os demônios creem que ele existe. (Tiago 2:19) Mas eles, obviamente, não fazem a vontade de Deus e não têm sua aprovação. Para sermos aprovados por Deus, não só temos de crer na sua existência, mas também fazer a sua vontade. É preciso também cortar os laços com a religião falsa e aceitar a adoração verdadeira.”


     “A Bíblia mostra que todas as muitas formas de religião falsa são parte de “Babilônia, a Grande”. (Apocalipse 17:5) Esse nome nos faz lembrar a antiga cidade de Babilônia, onde a religião falsa começou depois do Dilúvio dos dias de Noé. Muitos ensinos e práticas que hoje são comuns na religião falsa se originaram muito tempo atrás em Babilônia. Por exemplo, os babilônios adoravam trindades, ou tríades, de deuses. Hoje, a doutrina central de muitas religiões é a Trindade. Mas a Bíblia ensina claramente que existe um só Deus verdadeiro, Jeová, e que Jesus Cristo é seu Filho. (João 17:3) Os babilônios também acreditavam que os humanos têm uma alma imortal que sobrevive à morte do corpo e pode sofrer num lugar de tormento. Hoje, a crença na alma, ou espírito, imortal passível de sofrimento num inferno de fogo é ensinada pela maioria das religiões.
     Visto que a antiga adoração babilônica se espalhou por toda a Terra, a atual Babilônia, a Grande, pode ser apropriadamente identificada como império mundial de religião falsa. E Deus predisse que esse império de religião falsa acabará de repente. Consegue ver por que é vital separar-se de qualquer parte de Babilônia, a Grande? Jeová deseja que você ‘saia dela’ rapidamente, enquanto há tempo. — Leia Apocalipse 18:4, 8.”


     “A forma de adoração de alguns pode estar contaminada com a religião falsa no que diz respeito a certos feriados ou dias santificados. Veja o Natal, por exemplo. Supostamente comemora o nascimento de Jesus Cristo, e quase todas as religiões que se dizem cristãs o comemoram. No entanto, não existe evidência de que os discípulos de Jesus do primeiro século comemorassem esse dia. O livro Sacred Origins of Profound Things (Origens Sagradas de Coisas Profundas) diz: “Por dois séculos após o nascimento de Cristo, ninguém sabia, e poucos se importavam em saber, exatamente quando ele nasceu.”
     Mesmo que os discípulos de Jesus soubessem a data de seu nascimento, eles não o celebrariam. Por quê? Porque, como diz a enciclopédia World Book, os primeiros cristãos “consideravam um costume pagão celebrar a data de nascimento de qualquer pessoa”. As únicas comemorações de aniversários natalícios mencionadas na Bíblia são as de dois governantes que não adoravam a Jeová. (Gênesis 40:20; Marcos 6:21) As celebrações de aniversários natalícios eram também realizadas em honra de deuses pagãos. Por exemplo, no dia 24 de maio os romanos comemoravam o nascimento da deusa Diana e, no dia seguinte, o de seu deus-sol, Apolo. Assim, as celebrações de aniversários natalícios estavam ligadas ao paganismo, não ao cristianismo.”


     “Jeová deseja que o adoremos publicamente junto com os cristãos verdadeiros. É por isso que a sua Palavra diz: “Pensemos uns nos outros para nos estimular ao amor e às boas obras, não deixando de nos reunir, como é costume de alguns, mas nos encorajando uns aos outros, e ainda mais ao passo que vocês veem chegar o dia.” (Hebreus 10:24, 25) As reuniões cristãs com nossos irmãos na fé nos dão uma oportunidade excelente de louvar e adorar nosso amado Deus. Além disso, edificamos e encorajamos uns aos outros.
     Ao nos associarmos com outros adoradores de Jeová, fortalecemos os vínculos de amor e amizade na congregação. É importante sempre procurar ver o lado bom uns dos outros, assim como Jeová procura ver o nosso lado bom. Não espere perfeição de seus irmãos na fé. Lembre-se de que todos estão em diferentes estágios de progresso espiritual e que todos nós cometemos erros. (Leia Colossenses 3:13.) Procure edificar uma amizade sólida com aqueles que amam intensamente a Jeová, e verá como isso contribui para seu progresso espiritual. De fato, adorar a Jeová junto com seus irmãos espirituais com certeza o ajudará a permanecer no amor de Deus.”


     “João escreveu no capítulo 1, versículo 18: “Nenhum homem jamais viu a Deus [o Todo-Poderoso].” No entanto, humanos viram Jesus, o Filho, pois João diz: “O Verbo [Jesus] se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória.” (João 1:14, Al) Como, então, o Filho poderia ser parte do Deus Todo-Poderoso? João disse também que o Verbo estava “com Deus”. Mas como pode uma pessoa estar com alguém e, ao mesmo tempo, ser essa pessoa? Além do mais, conforme registrado em João 17:3, Jesus faz uma clara distinção entre ele e seu Pai celestial. Ele chama seu Pai de “único Deus verdadeiro”. E, quase no fim de seu Evangelho, João resume o assunto dizendo: “Estes foram escritos para que vocês creiam que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus.” (João 20:31) Note que Jesus não é chamado de Deus, mas sim de Filho de Deus. Essas informações adicionais, fornecidas no Evangelho de João, mostram como João 1:1 deve ser entendido. Jesus, a Palavra, é “um deus” no sentido de que ele tem uma alta posição, mas não é o mesmo que o Deus Todo-Poderoso.”


Por que os cristãos verdadeiros não usam a cruz na adoração
     A cruz é amada e respeitada por milhões de pessoas. A The Encyclopædia Britannica chama a cruz de “principal símbolo da religião cristã”. Mas os cristãos verdadeiros não usam a cruz na adoração. Por que não?
     Uma razão importante é que Jesus Cristo não morreu numa cruz. A palavra grega em geral traduzida “cruz” é stau·rós. Significa basicamente “poste ou estaca”. A The Companion Bible (Bíblia Companheira) diz: “[Stau·rós] jamais significa duas peças de madeira transversais em qualquer ângulo . . . Não há nada no grego do [Novo Testamento] que sequer sugira duas peças de madeira.”
     Em vários textos, os escritores bíblicos usam outra palavra para referir-se ao instrumento usado para executar Jesus. É a palavra grega xý·lon. (Atos 5:30; 10:39; 13:29; Gálatas 3:13; 1 Pedro 2:24) Essa palavra significa simplesmente “madeiro”, ou “pedaço de pau, porrete ou árvore”.
     Explicando por que uma simples estaca era usada para execuções, o livro Das Kreuz und die Kreuzigung (A Cruz e a Crucificação), de Hermann Fulda, diz: “Nem sempre havia árvores disponíveis nos locais escolhidos para execução pública. De modo que um simples poste era fincado no chão. Nele os criminosos eram amarrados ou pregados com as mãos para cima, muitas vezes também com os pés amarrados ou pregados.”
     A prova mais convincente, porém, vem da Palavra de Deus. O apóstolo Paulo diz: “Cristo nos comprou, livrando-nos da maldição da Lei por se tornar maldição em nosso lugar, pois esta escrito: ‘Maldito é todo aquele pendurado num madeiro [“numa árvore”, Versão Rei Jaime, em inglês].’” (Gálatas 3:13) Aqui Paulo cita Deuteronômio 21:22, 23, que fala claramente de uma estaca, não de uma cruz. Visto que esses meios de execução faziam da pessoa uma ‘maldição’, não seria apropriado os cristãos terem em sua casa imagens de Cristo numa cruz.
     Não há evidência de que aqueles que se diziam cristãos usassem a cruz na adoração nos primeiros 300 anos após a morte de Cristo. No quarto século, porém, o imperador pagão Constantino converteu-se ao cristianismo apóstata e promoveu a cruz como símbolo deste. Qualquer que tenha sido a motivação de Constantino, a cruz nada tinha a ver com Jesus Cristo. De fato, a cruz é de origem pagã. A New Catholic Encyclopedia admite: “A cruz esta presente tanto na cultura pré-cristã como na cultura não cristã.” Várias outras autoridades no assunto têm ligado a cruz à adoração da natureza e aos rituais do sexo praticados pelos pagãos.
     Por que, então, foi adotado esse símbolo pagão? Pelo visto, para tornar mais fácil os pagãos aceitarem o “cristianismo”. No entanto, a Bíblia condena claramente qualquer devoção a um símbolo pagão. (2 Coríntios 6:14-18) As Escrituras proíbem também toda e qualquer forma de idolatria. (Êxodo 20:4, 5; 1 Coríntios 10:14) Com muito boa razão, portanto, os cristãos verdadeiros não usam a cruz na adoração.


     “Jesus disse que seu sangue foi derramado “para o perdão de pecados”. Os humanos podem assim tornar-se puros aos olhos de Deus e ser admitidos no novo pacto com Jeová. (Hebreus 9:14; 10:16, 17) Esse pacto, ou contrato, abre a oportunidade para 144 mil cristãos fiéis irem para o céu. Ali servirão como reis e sacerdotes para a bênção de todos os humanos obedientes. — Gênesis 22:18; Jeremias 31:31-33; 1 Pedro 2:9; Apocalipse 5:9, 10; 14:1-3.”


Quem é o arcanjo Miguel?
     A criatura espiritual chamada Miguel é mencionada poucas vezes na Bíblia. Mas, quando é mencionada, esta sempre em ação. No livro de Daniel, Miguel guerreia contra anjos maus; na carta de Judas, ele tem uma disputa com Satanás; e em Apocalipse, guerreia contra o Diabo e seus demônios. Por defender o governo de Jeová e lutar contra os inimigos de Deus, Miguel faz jus ao significado de seu nome: “Quem É Semelhante a Deus?” Mas quem é Miguel?
     Há casos em que as pessoas são conhecidas por mais de um nome. Por exemplo, o patriarca Jacó é conhecido também como Israel, e o apóstolo Pedro, como Simão. (Gênesis 49:1, 2; Mateus 10:2) Da mesma forma, a Bíblia indica que Miguel é outro nome de Jesus Cristo, antes e depois de sua vida na Terra. Vejamos algumas razões bíblicas para chegarmos a essa conclusão.
     Arcanjo. A Palavra de Deus fala de Miguel, “o arcanjo”. (Judas 9) Esse termo significa “anjo principal”. Note que Miguel é chamado de o arcanjo. Isso sugere que existe apenas um anjo assim. De fato, a palavra “arcanjo” ocorre na Bíblia apenas no singular, nunca no plural. Além do mais, o cargo de arcanjo se relaciona com Jesus. Sobre o ressuscitado Senhor Jesus Cristo, 1 Tessalonicenses 4:16 diz: “O próprio Senhor descerá do céu com uma chamada de comando, com voz de arcanjo.” A voz de Jesus é descrita aqui como de arcanjo. Portanto, esse texto indica que o próprio Jesus é o arcanjo Miguel.
     Líder militar. A Bíblia diz que “Miguel e os seus anjos batalharam contra o dragão... e os seus anjos”. (Apocalipse 12:7) De modo que Miguel é o Líder de um exército de anjos fiéis. Apocalipse também se refere a Jesus como Líder de um exército de anjos fiéis. (Apocalipse 19:14-16) E o apóstolo Paulo menciona especificamente o “Senhor Jesus” e “seus anjos poderosos”. (2 Tessalonicenses 1:7) Portanto, a Bíblia fala tanto de Miguel e “seus anjos” como de Jesus e “seus anjos”. (Mateus 13:41; 16:27; 24:31; 1 Pedro 3:22) Visto que a Palavra de Deus em nenhuma parte indica que existem dois exércitos de anjos fiéis no céu — um comandado por Miguel e outro por Jesus —, é lógico concluir que Miguel não é outro senão o próprio Jesus Cristo no seu papel celestial.


O que é “Babilônia, a Grande”
     O livro de Apocalipse contém expressões que não devem ser entendidas literalmente. (Apocalipse 1:1) Por exemplo, menciona uma mulher que tem o nome “Babilônia, a Grande”, escrito na testa. Informa-se que essa mulher esta sentada sobre ‘multidões e nações’. (Apocalipse 17:1, 5, 15) Visto que nenhuma mulher literal seria capaz disso, Babilônia, a Grande, só pode ser simbólica. Então, o que essa prostituta simbólica representa?
     Em Apocalipse 17:18, essa mesma mulher simbólica é descrita como “a grande cidade que tem um reino sobre os reis da terra”. O termo “cidade” indica um grupo organizado de pessoas. Visto que essa “grande cidade” controla “os reis da terra”, a mulher chamada Babilônia, a Grande, só pode ser uma organização influente de alcance internacional. Pode-se corretamente chamá-la de império mundial. Que tipo de império? Um império religioso. Veja como alguns textos relacionados, no livro de Apocalipse, nos levam a essa conclusão.
     Um império pode ser político, comercial ou religioso. A mulher chamada Babilônia, a Grande, não é um império político, porque a Palavra de Deus diz que “os reis da terra”, ou os elementos políticos do mundo, ‘cometem imoralidade sexual’ com ela. Ela comete imoralidade sexual por formar alianças com os governantes da Terra, e faz qualquer coisa para ganhar poder e influência sobre eles. É por isso que ela é chamada de “grande prostituta”. — Apocalipse 17:1, 2; Tiago 4:4.
     Babilônia, a Grande, não pode ser um império comercial porque “os comerciantes da terra”, que representam os elementos comerciais, prantearão quando ela for destruída. De fato, menciona-se que tanto os reis como os comerciantes observam Babilônia, a Grande, “à distância”. (Apocalipse 18:3, 9, 10, 15-17) Portanto, é razoável concluir que Babilônia, a Grande, não é um império político nem comercial, mas sim religioso.
     A identidade religiosa de Babilônia, a Grande, é confirmada também pela declaração de que ela engana as nações por meio de suas “práticas de ocultismo”. (Apocalipse 18:23) Visto que todas as formas de ocultismo são religiosas e têm origem demoníaca, não é de admirar que a Bíblia chame Babilônia, a Grande, de “morada de demônios”. (Apocalipse 18:2; Deuteronômio 18:10-12) Menciona-se também que esse império se opõe ativamente à religião verdadeira, perseguindo os “profetas” e os “santos”. (Apocalipse 18:24) De fato, o ódio de Babilônia, a Grande, contra a religião verdadeira é tão grande que ela persegue com violência e até mata as “testemunhas de Jesus”. (Apocalipse 17:6) Assim sendo, essa mulher chamada Babilônia, a Grande, simboliza claramente o império mundial de religião falsa, que inclui todas as religiões que se opõem a Jeová.