A conversão de São Paulo

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quinta-feira, 27 de setembro de 2007

O Castelo de Âmbar - Mino Carta

Editora: Record
ISBN: 8501060208
Opinião: ****
Páginas: 400

     “Lembro que certa vez Deus entrou na nossa conversa, com todos os adendos e contornos possíveis, imortalidade da alma inclusive, e você riu quando sentenciei: Deus é o Grande Humorista. Falamos também de Cristo e duvidamos que ele pudesse se apresentar como um filho de um Deus tão pouco interessado no destino dos homens.


     “De todo modo, meu pai me instruiu: “A questão é a seguinte: Maomé não somente veio à montanha, mas também tratou de se tornar, prontamente, montanhês”.


     “Então, naquele retorno ondeante e clangoroso para casa, pensava muito na morte, como, creio, convém aos jovens, sem encontrar consolo no rosto do cobrador.


     “Outro editor judeu estabelecido no Brasil, Adolpho Bloch, reprochava os Civita com vitupério, por se terem convertido. Em lugar de lhes pronunciar o sobrenome, dizia “os cagões” como se fosse sinônimo. O pai de Mino (Carta) os via de outra maneira. “Este Roberto”, observava, “é um dos poucos judeus néscios que conheci na vida”.


     “Se o lago de Tiberíades fosse igual ao Tietê, a caminhada de Cristo sobre a água não seria um milagre.


     “A pasta da justiça é de importância vital no Brasil, onde se recomenda tecer o imbróglio jurídico sempre que a oligarquia quer justificar legalmente seu enésimo desmando.


     “Se os militares me pedirem para arriar as calças, eu executo – proclama Victor Civita. Volta a sentar-se, e soletra, absurdamente solene: - Quero deixar bem claro aos senhores!”


     (Mino Carta)... – “porque esta claro nesta editora não trabalho mais, (...) é impossível conviver com seu filho, um cretino...
      Não diga isso implorou Vici (Victor Civita) –, diga ingênuo.


     “Reparem: a nossa imprensa serve ao poder porque o integra compactamente, mesmo quando, no dia-a-dia, toma posições contra o governo ou contra um ou outro poderoso. As conveniências de todos aqueles que têm direito a assento à mesa do poder entrelaçam-se indissoluvelmente.


     “No fundo, mesmo os que chamamos de elite tem consciência de escravo, os militares também.


     “Atrás do palco é que NH (FHC) se notabiliza até a excelência, mestre das manobras do conchavo, piloto das águas manhosas, tecelão impagável das urdiduras inefáveis para subir na vida. “Tirem este homem de perto de mim, é a maior goela da política”, disse Diamantino (Tancredo Neves) quando lhe sugeriram NH para ministro.


     “De hábito – dizia meu pai –, homens que não se permitem dúvidas em relação a si mesmos tendem a considerar seus semelhantes um bando de cretinos.


     “Não sei se é o caso de dar conselhos a esta hora, mas, de hábito, recomendo lutar, lutar sem esmorecimento, contra o medo e a esperança, são os males que afligem o homem, neles se alinha o coração tenebroso da nossa escravidão. (...) Repare: o medo é hostil à razão, a qual, por seu lado, é uma bomba atirada contra o império político-tecnológico. Quanto a esperança, costuma ser fuga do mundo, álibi da ignorância, instrumento de resignação e obediência.

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