A conversão de São Paulo

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quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Sistema das Contradições Econômicas ou Filosofia da Miséria - J.P. Proudhon (Tomo I)

Editora: Escala
ISBN: 978-85-7556-893-4
Opinião★★★☆☆
Páginas: 394


“Obrigar-me ao devotamento é me assassinar! Deus! Não conheço Deus, é mais um misticismo. Comecem por riscar esta palavra de seus discursos se quiserem que os escute, pois, três mil anos de experiência me ensinaram que qualquer um que fale de Deus deseja minha liberdade ou minha bolsa.”


“Quando o povo não tem mais vingança, não tem mais providência.”


(aos detentores do monopólio): “Se seu suplício devesse durar tanto quanto o meu desprezo, deveriam acreditar na eternidade do inferno.”


“Ó justiça dos homens, cortesã estúpida, até quando sob teus ouropéis de deusa, beberás o sangue do proletário degolado?”


“Os juros, ou direito de ganhos inesperados, é ao mesmo tempo a expressão e a condenação do monopólio; é a espoliação do trabalho pelo capital organizado e legalizado; de todas as subversões econômicas é a que acusa mais frontalmente a antiga sociedade e cuja escandalosa persistência justificaria a expropriação brusca e sem indenização de toda a classe capitalista.”


“Não há nada no socialismo que não se encontre na economia política; e este plágio perpétuo é a condenação irrevogável de ambos.”


“O socialismo, desertando da crítica para entregar-se à peroração e à utopia, mesclando-se nas intrigas políticas e religiosas, traiu sua missão e menosprezou o caráter do século. A revolução de 1830 nos havia desmoralizado, o socialismo nos efemina. Com a economia política, cujas contradições apenas repisa, o socialismo é impotente para satisfazer o movimento das inteligências; não é mais, naqueles que subjuga, senão um novo preconceito a destruir e, naqueles que o propagam, um charlatanismo a desmascarar, tanto mais perigoso porque quase sempre é praticado de boa-fé.”


“Graças ao imposto, o ano inteiro é quaresma para o trabalhador; e sua ceia pascal não chega perto do café da manhã de sexta-feira santa do senhor bispo.”


“É igualmente impossível que numa sociedade fundada sobre o princípio de propriedade não se termine pela distinção de castas, que numa democracia não chegue ao despotismo, que uma religião seja razoável e que o fanatismo se mostre tolerante. É a lei da contradição, quanto tempo será ainda necessário para entendê-la?”


“É uma triste verdade que na sociedade o bem geral nunca é o efeito de uma conspiração das vontades particulares!”


“A justiça criminal (...) se tornou para a sociedade um princípio de existência tão necessário como o pão é para a vida do homem; mas com a diferença de que o homem vive do produto de suas mãos, ao passo que a sociedade devora seus membros e se alimenta de sua própria carne.”


“De fato, a partir do momento em que as condições constitutivas do poder, isto é, a autoridade, a propriedade, a hierarquia, são conservadas, o sufrágio do povo nada mais é que o consentimento do povo a sua opressão; o que revela o mais torno charlatanismo.”


“Essa é a guerra que têm que sustentar: guerra do trabalho contra o capital, guerra da liberdade contra a autoridade, guerra do produtor contra o improdutivo, guerra da igualdade contra o privilégio. O que pedem, para conduzir a guerra a bom termo, é precisamente contra que devem combater. Ora, para combater e reduzir o poder, para colocá-lo no lugar que lhe convém na sociedade, de nada serve mudar os depositários do poder, nem trazer alguma variante em suas manobras: é necessário encontrar uma combinação agrícola e industrial por meio da qual o poder, hoje denominador da sociedade, se torne seu escravo.”


“O povo é o primeiro a acusar os pobres de vagabundagem.”


“O homem é tirano ou escravo por vontade, antes de sê-lo pela sorte; o coração do proletário é como aquele do rico, um esgoto de sensualidade fervilhante, um lar de crápulas e de impostura.”


“Já se viu um capitalista, cansado de ganhar, conspirar para o bem geral e fazer da emancipação do proletariado sua última especulação?”


“O homem, súmula do universo, resume e sintetiza em sua pessoa todas as virtualidades do ser, todas as cisões do absoluto; é o topo onde essas virtualidades, que só existem por sua divergência, se reúnem em feixe, mas sem se penetrar nem se confundir.”



“Deus, que a fé apresenta como um pai terno e mestre prudente, nos entrega à fatalidade de nossas concepções incompletas; cava o fosso sob nossos pés; ele nos faz caminhar como cegos e depois, a cada queda, nos pune como celerados. Que digo? Parece que seja apesar dele que, no fim, totalmente contundidos pela viagem, reconhecemos nossos caminhos, como se fosse ofender sua glória nos tornarmos, pelas provas que ele nos impõe, mais inteligentes e mais livres. (...) Certamente, creio ter provado que o abandono da providência não nos justifica, mas, qualquer que seja nosso crime, não somos culpados diante dela e, se há um ser que, antes de nós e mais que nós, tenha merecido o inferno, é realmente necessário que o diga: É Deus.”

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