A conversão de São Paulo

A conversão de São Paulo
A conversão de São Paulo

quarta-feira, 24 de março de 2010

Reevolução – Válter Nunes

Editora: Phorte
ISBN: 978-85-7655-107-2
Opinião★☆☆☆☆
Páginas: 424

“E a versão oficial – definida por ele como “a verdade aceita pela maioria” – não lhe era nada favorável.”


Nunca confie absolutamente em alguém quando o assunto é o poder.


“– E o que você tem a dizer da “Liberdade, Igualdade e Fraternidade” que o povo francês impôs aos nobres e exportou para o mundo? – tentou ela.
– Seu exemplo ratifica tudo o que estou falando. Liberdade, igualdade e fraternidade para quem? Para a burguesia. Ou seja, para uma classe que se fortaleceu, acumulou recursos e que não tinha direitos garantidos pela legislação da época. Era a luta pela sua sobrevivência. Ou a burguesia derrubava o regime ou era oprimida por ele.
– Mas o povo foi às ruas!
– Veja quem foram os beneficiados. Derrubou-se o privilégio do nascimento e criou-se o privilégio do dinheiro, ou de quem o possuía. Certa vez, eu li um texto escrito pelo abade Sieyés, uma das figuras mais interessantes da Revolução Francesa, onde ficava claro o que a burguesia queria e o que a motivou a encabeçar o movimento. Ele afirmou que os burgueses – ou seja, os comerciantes, fabricantes, banqueiros, juízes, professores – queriam “ser alguma coisa”... Ser alguma coisa! Você consegue entender a profundidade desta afirmação? Eles não tinham direitos de fato. (...) Se a Revolução Francesa estivesse revestida de todo esse caráter popular que você invoca, as legislações posteriores a ela teriam sido completamente diferentes. O Código Napoleônico, por exemplo, com mais de dois mil artigos, reservou apenas sete para regular questões do trabalho e mais de oitocentos para proteger a propriedade privada. A propriedade da burguesia. Sem contar que as greves e as organizações sindicais eram proibidas, enquanto se permitia a criação de associações de empregadores.
– Esta história não consta dos livros – comentou ela.
– Os livros até contam os fatos como eles aconteceram. Só que com ênfase para o que interessa às classes dominantes ou vitoriosas. A Revolução da França foi a pá de cal no feudalismo e marcou o surgimento do capitalismo.
– O sistema que acabou se transformando na causa de todas as coisas ruins que estamos vivenciando!”


“Todo aquele que possui coisas de que não precisa é um ladrão.” (Gandhi)


“Como diziam os detentos, “quando o advogado é muito ruim, até suborno a juiz dá problema”.


Se você não concorda com o mundo que está aí, junte-se a nós. Queremos redesenhar a História da humanidade, partindo de um novo marco, construindo novos paradigmas e buscando soluções definitivas para velhos problemas.
Não temos fórmulas prontas. Tudo precisa ser reconstruído. As velhas certezas que nortearam gerações seguidas sucumbem por absoluta ineficiência no trato das questões do ser humano. Miséria, fome, exploração, doenças que poderiam ter sido erradicadas há anos, guerras, racismo, violência, entre tantos outros males, sobrevivem e ganham proporções maiores a cada dia. Chegou a hora de darmos um basta a tudo isso!
Com a convicção de que tudo o que acontece no mundo é problema nosso, participe do Movimento pela Reevolução Humana. Como? Fazendo sua parte. Não se omita e combata tudo o que contrariar os interesses da humanidade. Você saberá o que fazer! Busque aliados e monte uma rede para a consecução de nosso ideal. A ajuda aparecerá no momento correto, se seus princípios forem honestos à causa.



         “– Não há como nos iludirmos. Cada um seguirá seu caminho. Em pouco tempo, os contatos entre nós diminuirão de intensidade, conheceremos novas pessoas, iniciaremos outros relacionamentos e, quando menos percebermos, nossa amizade não passará de lembrança. Pode ser que alguns de nós não percamos o vínculo, mas isso será exceção. (...) Mas valeu a pena. Vivemos intensamente este período e fizemos a nossa parte. Saio com o sentimento de dever cumprido.”

Nenhum comentário: