A conversão de São Paulo

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quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Derrotista* - Joe Sacco

Editora: Conrad
ISBN: 978-85-7616-428-9
Opinião: ***
Páginas: 224


     “Maria, mãe de Deus, o que esta acontecendo? O quê? Eu não consigo me mexer desde novembro, setembro foi horrível também, eu me mexi naquele mês?, sim, uma cagada fenomenal, uma das grandes, massa eu acho, tá tudo voltando, água, um bule, água fervendo pro chá, claro, tudo isso me levou até a cozinha, onde fica o fogão, e o banheiro, quando ainda me masturbava, esquece a cagada, tá, a cagada foi em outubro, não o fogão, quero dizer, onde eu estava em setembro, no banheiro tocando uma na pia, outra na cozinha, também não vai ficar pensando merda, enxaguando copos de chá, tudo a mesma coisa, eu tava fingindo orgasmos, esse tipo de coisa, enganando a si mesmo, é vergonhoso, eu sabia que devia parar, isso foi em setembro ou agosto você sabe que o mês de agosto foi quente, em celsius, suor pingando em poças, ainda pinga, deve ser agosto de novo, ou nunca foi. Apesar de qualquer coisa sou um bebedor de chá, a qualquer hora, embora às sete seja um pouco duvidoso, cair no sono como eu caio, tão cedo no sofá, de onde não saio, só mesmo pelo chá, a menos que eu esteja dormindo, nesse caso posso mijar na cama bonito, eu não sou disso, tenho sono leve, qualquer bombinha e já é bom dia, não um Luftwaffe*, isso foi em 1942, chutando, agora, lá fora, blem!, ouviu? Tem uma igreja fazendo blem-blem-blem! Fogos de artifício! Cores! Um inferno no céu! Um grupo de ingleses em excursão vibrando, batendo palmas, em pé, nas pontas dos dedos, eles nunca viram nada assim! Turistas seguem a fumaça, eu levo pro lado pessoal, estamos falando sobre o meu sono, blem-blem-blem! Cultura, eu suponho, padres fazendo o sinal da cruz, tocando o sino, transubstanciação, estátuas levantadas dentro e fora das igrejas, duas ou três bandas marchando por todo o trajeto, blem-blem-blem! Dois milênios de fuligem caindo, deixa o devoto sujo, todo mundo usa segunda-pele, eu não sou ligado em moda, tô muito feliz no meu sofá, obrigado, blem-blem-blem! Ok, uma confissão, estou caçoando de quem?, isso é desenho puro, então, anos atrás, eu vibrava, meu primo e eu, nós seguíamos a fumaça com o nariz, ficávamos bêbados, perseguíamos as meninas, muitas noites suando uísque, “Calma aí! Você vai nos matar! Haha”, eu tenho histórias. Agora ele me faria cair no choro, vamos pular essa parte, é simples, eu mudei, todo mundo muda, a primeira coisa que se percebe é o meu cabelo, mas vamos pular essa parte, eu ainda não mudei nada, “você ainda anda por aí, se divertindo, a vida é assim”. Eles cheiram a rato, algo estranho, meu cabelo, eu não tô brincando, meu antebraço, também, o antebraço de uma garota, se eles pudessem ver meu pau, minhas mãos, você entende?, o checklist todo, sou eu, eu não tô deixando uma rodela de sujeira em volta da banheira, eu sem nenhum par honesto de sapatos fedidos, eu que nunca trabalhei numa fábrica, e meu tio diz que, na opinião dele, se eu nunca trabalhei numa fábrica, eu nunca trabalhei. Ele começou nas Forças Armadas da Inglaterra matando ratos a pauladas, terminou cozinhando para os estadunidenses, não ratos, ele pode me arrumar um trampo de pintor de carros, e eu quero esse trampo?, sim ou não?, vamos pular essa parte, eu calo minha boca, fico de boca calada, boca fechada não entra mosquito, eles tentam, me manipulam com chá, me colocam num campo minado verbal – “O que você vai cozinhar pra hoje à noite?” – difícil atracar! – Tô indo em ziguezague – “Sério mesmo, e o seu cabelo?” – Arrepios! Esticado nas barreiras! – “Já encontrou uma garota?” – Um flash de seus olhos azuis e o mar jorrando água! Da sala de controle pra sala de máquinas: as bombas trabalham rápido! Quase! A chaleira apita, outra xícara, vapor, calmaria, eu tomo um gole, suspiro, estou praticamente ao lado do cais, e aí bam! Eu escorrego! Uma palavra ou duas! Sobre o tempo talvez! Eles dão o bote! O que eu fiz de errado! Os erros no meu caminho! Toda a minha educação me pegou! Um martelo bate, meu navio se desfaz, eu pulo de qualquer jeito, nado cachorrinho, eles me jogam uma corda, me pescam, dão tapinhas na minha cabeça, “não foi culpa dele, tadinho... tão novinho... nunca teve uma chance”, logo mais, estávamos chorando, tô perdoado, a chaleira apita, outra xícara, eles são muito gentis, me abençoam, eu balanço a cabeça, todo mundo ainda chora, vão dar um jeito em mim, trabalho difícil e sacrificado, todo santo dia, uma pequena folga uma vez por mês, um passeio aos domingos, sorteio da loteria às quartas-feiras, e, se deus quiser, nenéns também, isto é amor, contrai, empurra, neném! Contrai, empurra, neném! Junte-se a nós! Junte-se a nós! Me chamam feito sirenes do calvário, minha cabeça tá rodando, balançando cada vez mais rápido, eu deixei minha cera na cozinha, tô pedindo uma caneta, tô procurando pela linha pontilhada, e então! Um grito! A chaleira! Como a fada da morte! Outra xícara, tem gosto de placenta, minha boca enche, eu vomito no avental, eles querem me trocar, me limpar, me dar o peito, eu rastejo, tô fora de lá, de volta ao meu sofá, junto meus caquinhos, tem um pedaço faltando – provavelmente caiu no ônibus. Estas coisas não têm suspensão, uma desgraça nacional, mas de volta ao meu sofá, custei a relaxar, coberto por uma manta de lã, cheira mal quando você transpira nela, eu durmo com as luzes acesas, é mais fácil ler assim, eu fecho as venezianas cedo, é simbólico, eles sabem que estou em casa, eu também sei, então tá legal, juvenal, ha ha ha, caralho, estarei melhor quando ela me amar, mas não vou começar a falar nela, seus olhos azuis, cala a boca! Quando foi a última vez que eu bati punheta? Onde fica? Aqui esta! Só isto? Bom, esquece tudo isso de novo, pula, ao menos que Sérgio, não, ele não aparece por aqui desde – ao menos que Sérgio venha com a moto roncando, os curiosos vão grudar nas venezianas, eles gostam de saber o que tá pegando, pegar a estrada, haja o que houver, se ele emprestar o capacete reserva, aquele bar de roqueiros, aquelas garotas roqueiras, uau! Vamos ficar fedendo a uísque, eu pago. Bon Jovi? Claro! Eu e Bon Jovi somos assim, ó, se é que você me entende, eu te mando um vídeo, ha ha, mas que vadia, aquelas garotas roqueiras me adoram, embora o Sérgio não tenha aparecido por aqui desde sei lá quando, eu vou deitar no meu sofá, vou ler até ele não chegar, espero que com o capacete reserva – eu acordo! Um grito! Pesadelo? Sim, não, merda, o peixeiro gritando feito louco, “vivos!, os peixes ainda estão vivos!” Estão é, seu viado? Vá parar o seu carrinho de peixe na lua, “vivos!” Cubro a cabeça, cadê meus carneirinhos? 63, 64, 65, mas eu que me fodo, porta de garagem enferrujada raspando, motores engasgados, 64, 63, 62, cachorros acorrentados latindo e uivando, mulher no andar de cima estapeando o filho, espingardas exterminam toda esperança, muito em breve as crianças estarão aqui, elas enfiam o dedo na minha campainha, correndo pela rua, pra cima e pra baixo, as mães correndo atrás deles, “se você cair e se machucar, eu te arrebento”, esquece os carneirinhos, enche a chaleira, ferve, baby, ferve, depois do chá, mais chá, então vou até o telhado, ver as roupas sendo penduradas, tá tudo ali, eles realmente se organizam, das menores pras maiores, das mais claras pras mais escuras, a sociedade vive sob algumas convenções, não penduram uma meia entre duas blusas, não dão sopa pro azar, aqui é um lugar perigoso, bam-bam-bam! Não é uma espingarda 42, penas, um outro pássaro migrante que nunca deveria ter se incomodado, enfiado com os outros no mostruário do meu primo, meu primo me dá uma olhada, fora do barco, pego um táxi, o filho-da-puta me cobra o que custa pra atravessar meia Itália. Bem, eu tenho cabelo comprido, ele me dá uma olhada, tô fora da Sicília, sabe né: “Tem aqueles que vão arrancar a tua cabeça”, é o que ele diz, ele mesmo teria feito isto. Minha mãe e a mãe dele sobreviveram à mesma desgraça, é isto que o faz ir com calma, família é a coisa mais importante, agradeça à virgem Maria por isto. Anos atrás seguimos nossa intuição até a fumaça, e isto queima queima queima, o sol endurece o telhado, e algo acontece no dia, uma hora ou duas ouvindo carteiros parados em frente de casa, chá vem, chá vai, apontando os lápis, sem pensar nos olhos azuis dela, tusso quando a vejo novamente, ela esta encharcada, nunca me perdoa pelo tempo, você ficaria surpreso, algo acontece no dia, mais tarde rola um show de striptease, um canal italiano, dá um tempo, talvez eu esteja me superando, mas acho que não, quero dizer, sobre o tempo, talvez fosse eu, mas ela riu das piadas, eu sempre causo uma boa impressão, uma maneira estranha de fechar as venezianas cedo, e é isto o que acontece no dia, preciso de descanso, nos Alpes, uma rede de borboletas, eu sei, eu deveria sair mais, eu saio quando não tem mais chá, o mercadinho, minhas tias, já tentei mudar de rumo, museus, catedrais, eu li os panfletos, circulei os pontos de meu interesse, girei minha cabeça pra um lado, claro-escuro, quase um Caravaggio tosco, não, obrigado, e o guia me dizendo que é vidro tcheco e ganhando mais 50 pilas por isto, pode ficar com tudo, o pacote todo e, diabos, com o Grand Harbor**, também, este lugar sagrado, anos atrás, olha só, onde você me encontraria, onde soldados drogados atacaram, onde os bombardeiros Stuka*** gemiam, olha, até isso, leva, vai, sai da minha frente, e pelo amor de Deus, não pense que tentei, com os olhos apertados, fazendo tanta força que pensei que fosse me borrar emocionalmente, onde uma vez, olha, me transformei em alguma coisa (o quê?), olha aqui, nada, nada, e se houvesse ao menos um turno, e não há turnos, acabado, irrecuperável, quando, não me pressione, velho, rezo por um ex-estivador, um longo caso para me desestruturar como há anos, ele me levanta e me oferece a mão, olha, a mão dele no meu pinto, fui claro, masturbação, e os soldados foram abatidos, os Stuka esmagaram aos montes, e eu rolei de alguma coisa (o quê) que eu tive há anos, pra sempre, para o ônibus, o ônibus que chacoalha, cai nos buracos, perdendo mais um pedaço, eu tropecei, e então, então – ai, meu Cristo, não contei nada ainda, NADA – Lá estão eles, perto de você. você esta entre eles, cuidado! eles parecem bonzinhos, caçando mosquito, desfiando o terço, mediterrâneos da cabeça aos pés, o National Geographic inteiro, e quando você passa eles aprovam com a cabeça, cuidado! Não é uma saudação desejando saúde, é uma advertência, é uma advertência, é uma advertência, e eles vão te botar no chão num segundo e chutar o seu saco, se escurecer um pouco mais, fica sob medida se você nasceu aqui, de novo, se seu pai tocava clarinete na banda do clube, eles separaram o joio do trigo, e no meu sofá, alívio! Estou ofegante feito um cachorro, e meus olhos fechados, e os olhos azuis dela abertos, ela ficou encharcada, e eu estou encharcado, eu culpo o tempo. Agosto? Cheira mal quando você transpira nela, eu fecho as venezianas cedo, apago as luzes, também, uma nova tática, ninguém saberá que estou em casa, ninguém além do Sérgio, ele vai saber. Ele deveria usar a campainha, mas pode ser que não pense nisso, eu acendo as luzes de novo, e ele nem vai aparecer, mas ele vai saber que estou em casa, espero que com o capacete reserva.

*: Força aérea alemã antes e durante a II guerra mundial.
**: Porto estratégico na ilha de Malta.
***: Os junkers Ju-87 ou Stuka eram os famosos aviões bombardeiros alemães na II guerra mundial.


Quando boas bombas acontecem para pessoas más

Bombardeio britânico à Alemanha, 1940-45

      “Constatamos os inconvenientes que o ataque à população britânica nos causou e não há motivo para que o inimigo fique livre de todos esses constrangimentos.”
Primeiro-ministro Churchill ao ministério da aeronáutica, novembro de 1940

      “Esses bombardeios não são uma retaliação selvagem... é uma política calculada com um objetivo em vista: forçar a rendição do governo alemão no momento mais precoce possível e com o menor número de mortes... guerra total significa isso. Uniformes não diferenciam mais combatentes. Não existem não-combatentes.”
Senior Scholastic, abril de 1944 (uma explanação aos estudantes americanos intitulada “Por que bombardeamos a Alemanha”).

      “No comando de bombardeiros sempre trabalhamos com a premissa de que bombardear qualquer coisa na Alemanha é melhor do que não bombardear nada.”
Harris*, outono de 1944. Em março de 1945, Harris declarou “Eu não considero a Alemanha inteira digna dos ossos de um único granadeiro britânico.
*: Marechal-do-ar, comandante-em-chefe de bombardeios.

      “Na noite passada não perguntei sobre os planos de tumultuar a retirada alemã de Breslau. Pelo contrário, perguntei se Berlim, e sem dúvida outras grandes cidades da Alemanha Oriental, não deveriam ser consideradas alvos particularmente atrativos. Fico feliz de que isso esteja em estudo. Peço relatarem a mim, amanhã, o que será feito.”
Nota de Churchill ao secretário de estado da aeronáutica, Sir Archibald Sinclair, em Janeiro de 1945, ativando o ataque infame a Dresden. Sinclair percebera que a rendição alemã aos soviéticos seria mais bem conduzida por forças táticas soviéticas e não por pesados bombardeios britânicos ou americanos. De acordo com notas do comando de bombardeios, parte da justificativa do ataque a Dresden (“De longe a maior área habitada não-atingida que o inimigo teve”) foi “mostrar de maneira não intencional aos russos, quando eles chegassem, o que um comando de bombardeiro pode fazer”. Quando Dresden se tornou um símbolo de bombardeio injustificado de civis, Churchill tentou dissociar sua imagem dos ataques. Embora ele e alguns outros fossem responsáveis pela crueldade e estratégias britânicas, o transparente Harris carregou a cruz histórica sozinho.


      “Mortos nos ataques a Dresden: de 25.000 a 135.000”


      “Os comandantes aliados tomaram a tão esperada decisão de adotar bombardeios deliberadamente terroristas aos centros urbanos alemães, como expediente cruel para acelerar a derrocada de Hitler.”
Associated Press, 18 de fevereiro de 1945.


Bombardeio dos Estados Unidos ao Japão, 1944-45

      “As cidades (do Japão) são construídas com madeira e papel para resistirem à devastação pelos terremotos, e, com isto se tornam o maior alvo aéreo que o mundo já viu... projéteis incendiários queimam as cidades todas muito rapidamente.”
General “Billy” Mitchel, 1931.

      “O subcomitê considerou um ótimo resultado o caos total em seis cidades (do Japão), que matou 584 mil pessoas.”
Coronel John F. Tuner, subcomitê incendiário, comitê de análise de operações
 
      “Posso dizer, com moderação, que isto parece bom do nosso ponto de vista e horrível do ponto de vista do inimigo. Há um inferno em Tóquio esta noite.”
General Lemay, 10 de março de 1945.

      “Ao meio-dia, Lemay certificou-se de que tinha o que gostava de chamar de “Filme de terror”.”
Fortune, outubro de 1945.

      “Na semana passada, os pilotos do exército americano realizaram um sonho: tiveram a chance de largar avalanches de bombas de fogo em Tóquio e Nagóia, e provaram que, devidamente acesas, as cidades japonesas queimarão como folhas de outono.”
Time, março de 1945.

      “Resultado do ataque de 10 de março de 1945:
     de 80.000 a 130.000 mortos
     41.000 feridos
     1.000.000 desabrigados.”
“Tostadas, fervidas e assadas até a morte” é como o general Lemay descrevia as vítimas.”

      “Não ouvimos nenhuma reclamação do povo americano acerca do bombardeio em massa ao Japão; na verdade, acho que eles sentiram que fizemos o melhor.”
General Carl Spaatz

      “Não há civis inocentes. É o governo deles e você esta lutando contra um povo, não esta mais tentando lutar contra uma força armada. Logo, não me aborrece tanto matar espectadores inocentes.”
General Lemay

      “A população inteira do Japão é um alvo militar correto... não há civis no Japão.”
5ª revista semanal da inteligência da força aérea

      “Civis! Saiam imediatamente!
     Esses folhetos são lançados para comunicar que sua cidade foi relacionada para ser destruída por nossa poderosa força aérea. O bombardeio começará em 72 horas. Este aviso prévio dará tempo suficiente para que suas autoridades militares tomem as medidas necessárias para protegê-los dos ataques inevitáveis. Observem o quanto elas são impotentes para protegê-los...
     De um folheto lançado pelos B-29, verão de 1945


      “Ok, nós combinamos, sem palestinos neste gibi e aqui estão eles de novo!
     Barulhentos e odiosos como sempre!
     E desta vez aplaudindo os scuds do Iraque!
     Batendo palmas para qualquer dano aos invasores israelenses, mesmo que – blamo! – signifique a própria morte deles!
     Porque os Scuds podiam cair na cabeça dos palestinos, também!
     Você tá ligado!
     Loucura, cara!
     E não ajuda muito a causa palestina ficar aplaudindo os Scuds.
     Irracionalidade nunca pegou muito bem no Ocidente.
     E eles aplaudindo é mais do que irracional...
     A palavra certa é odioso.
     Porra, alguém tem que perguntar aos palestinos por que eles são tão cheios de ódio.
     Digo, mentes inquietas querem saber.
     Não querem?
     Mas, até que nos preocupemos em saber, ficamos com o ódio deles.
     O que nós sabemos sobre esse tipo de ódio?
     Vou passar a bola pra alguém mais qualificado para o assunto:
      “Devemos odiar a humilhante desgraça de sermos um povo sem-teto.
      “Devemos odiar – como qualquer nação digna de um nome deve e sempre odiará – o governo de estrangeiros, injusto e injustificável per se,
      “governo estrangeiro na terra de nossos ancestrais,
      “em nosso próprio país.
     “Devemos odiar o fechamento dos portões de nosso próprio país para nossos irmãos, pisoteados, sangrando e implorando por socorro em um mundo moralmente surdo...
      “Quem irá condenar o ódio ao mal que brota do amor pelo que é bom e justo?...
      “E, em nosso caso, tal ódio não tem sido nada mais do que uma manifestação do mais elevado sentimento humano:
      “Amor.
      “Porque, se você ama a liberdade, deve odiar a escravidão.
      “Se você ama o seu povo, não tem escolha a não ser odiar os inimigos quer buscam sua destruição.
      “Se você ama seu país, não tem escolha a não ser odiar aqueles que buscam anexá-lo”.
Menachem Begim, primeiro-ministro de Israel, sobre o domínio britânico na Palestina antes de 1948, em seu livro The Revolt.”



*: Romance gráfico.

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