A conversão de São Paulo

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quarta-feira, 16 de março de 2011

A mulher marcada – Håkan Nesser

Editora: Suma de letras
ISBN: 978-85-60280-21-6
Opinião: ***
Páginas: 288


     “O dia prometia apenas uma neve branda. Mas, perto da hora do almoço, os intensos ventos marítimos transformaram a garoa em uma torturante chuva inclinada da pior espécie. O vento atravessava a medula e os ossos e fez com que os donos dos bares do cais do porto fechassem as portas uma hora mais cedo que o habitual. (...)
     Para piorar, o cemitério ficava na região sudoeste, em um terreno cheio de elevações e buracos, sujeito a todo tipo de intempérie. Quando o pequeno grupo finalmente chegou à cova recém-cavada e enlameada, alguns pensamentos vieram-lhe à mente.
     Lá embaixo, pelo menos, estaria abrigada do vento. Dentro da cova não era preciso suportar esse vento e essa maldita chuva. Há um lado bom em tudo.”


      “Não chore! Seja lá o que fizer, não chore no meu enterro. Lágrimas nunca me ajudaram em nada, acredite em mim. Chorei rios na minha vida. É melhor agir, minha filha!”.


      “Quando estava na metade do caminho da delegacia, teve outro problema. Tinha começado a chover novamente e ele entendeu que se não consertasse aquele maldito limpador de para-brisas, algo poderia acontecer.
     Ao mesmo tempo, ele sabia que assim que resolvesse um dos problemas, logo surgiria outro.
     Era simplesmente um desses carros.
     Lembrava um pouco a própria vida.”


     “– Acho que não posso ajudar muito. Não encontro nenhum elo entre eles. Acho que Maasleitner andava um pouco com Van Der Heukken e Biedersen. Pelo menos é o que eu me lembro. A senhorita entende que faz mais de trinta anos?
     – Claro – a policial respondeu. – Mas sempre tive a impressão de que o serviço militar deixa marcas permanentes em todos os rapazes.
     Tomaszewski sorriu.
     – Certamente em alguns – respondeu. Mas a maioria de nós tenta esquecer o mais rápido possível.”


     “– Por que você resolveu ser policial? – perguntou Ewa moreno.
     – Quem não consegue ser nada na vida vira policial – disse Jung.”

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