A conversão de São Paulo

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terça-feira, 16 de junho de 2009

Cinzas do Norte – Milton Hatoum

Editora: Companhia das Letras
ISBN: 978-85-3590-685-1
Opinião★★★☆☆
Páginas: 312


“Ou a obediência estúpida, ou a revolta.”


“Toda mãe conhece pelo menos um homem na vida: o filho.”


“Ranulfo ia ajudá-lo? Conhecia os moradores... podia convencer o pessoal a participar, seria um protesto de todos, um trabalho coletivo. E então?
“Tua mãe acha melhor adiar para depois da tua formatura”. Ranulfo passou a mão na boca e fechou os olhos: “Medo de mãe é sempre pertinente”.
“Medo...”, repetiu Mundo, com impaciência. “Só se fala nisso... Toda frase começa com essa palavra. Tanto medo assim, melhor morrer”.”


“Ouvi o sino da igreja bater onze vezes. Estava enfastiado de estudar leis, de ler processos maçantes sobre crimes variados. Recordei as estocadas de tio Ran: “Tanta lei para nada! Os militares jogaram todas as leis no inferno”.
“O governo militar é mais efêmero que as leis”, eu replicava, com um fiapo de esperança que faltava ao meu tio.”


“No dia sete de dezembro, seu aniversário, Naiá lhe entregou um buquê de flores do marido com umas palavras ternas de Jano. Ramira caiu em êxtase. O único buquê enviado por um homem em quase meio século de vida. Ela passou a remoer a ilusão de algo parecido com o amor. E então costurou para ele uma calça azul-marinho, caprichando no corte e no acabamento. Perguntei se não era preciso tirar a medida da altura e da cintura. “Claro que não”, respondeu minha tia. “Uma boa costureira não tira a medida de quem admira”.”


 “‘E as chicanas judiciais? Já começaste a aplicar as leis?’.
Como eu não respondia, continuava: ‘Não tem lei porra nenhuma, rapaz. Tudo depende das circunstâncias: o réu tem ou não tem grana. Amigo togado também serve. Essa é a lei, o princípio e o fim de todas as sentenças’.
Essas palavras davam uma certa dignidade a tio Ran: a grandeza de um ser revoltado.”


“Por Deus, Lavo, o mau gosto assaltou o universo, e a uniformidade vai matar a alma do ser humano”.


“Mas, neste mundo, quem vive é que vê o pior.” 
  

“Eu implorei pra ele tirar aquele ódio da alma. Ele disse que não ia tirar o que sobrara da vida...”

Um comentário:

Vítor Pádua disse...

Essa última frase do ódio foi animal!!!