quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

O melhor livro sobre nada – Jerry Seinfeld

Editora: Frente
ISBN: 8586166200
Tradução: Ronald Fucs
Opinião: ***
Páginas: 160 

    “Deve ser frustrante trabalhar numa livraria. Você vê alguém entrar, ficar duas horas por ali e sair com nada. Dá vontade de explodir, dar um safanão no cliente quando ele estiver saindo e dizer: “Então você acha que sabe tudo? Não há nada que você precise aqui? Deve haver alguma coisa em que você esteja pelo menos interessado. Por que você veio para cá? Nós não precisamos de você!”
     De certa forma, é isso que uma livraria é. Uma loja “mais esperta do que você”. E é por isso que as pessoas ficam intimidadas. Porque para entrar numa livraria, você precisa admitir que há algo que você não sabe.
     E o pior é que você nem sabe o que é. Você entra e tem de perguntar às pessoas: “Onde esta isso? Onde esta aquilo? Eu não só não tenho conhecimento como nem sei onde conseguir." Portanto, é só entrar numa livraria e você esta admitindo para o mundo que você não é muito sabido. Coisa impressionante.”


     “É isso aí. Desisto. Não sei mesmo o que as mulheres estão pensando. Já falei com elas, estudei-as, pedi a elas que me estudassem. E tenho de admitir que voltei à estaca zero.
     Não que eu me queixe da estaca zero. É a única estaca que tem um número, pelo menos você sabe qual é a sua posição. Não tem isso de alguém se dar mal e voltar para a estaca sete.”


     “Um encontro é pressão e tensão. Afinal, o que é mesmo um encontro, senão uma entrevista de emprego que dura a noite toda?
     Talvez precisemos de algum ritual pré-encontro. Talvez o primeiro encontro seria numa daquelas salas em que você visita prisioneiros. Tem aquele vidro entre os dois. Vocês falam por aqueles telefones. A gente pode ver como isso funciona antes de tentar um encontro de verdade. Desta forma, a única tensão sexual é decidir se você deve botar a mão no vidro ou não. E se em algum momento você se sentir desconfortável, é só acenar para o guarda e ele leva a outra pessoa para fora.
     O encontro, na época atual, é um grande aperfeiçoamento em relação às antigas civilizações. Nas antigas culturas tribais, eles sacrificariam uma virgem. É verdade. Eles achavam que iam conseguir alguma coisa dessa maneira. Pegavam uma garota que nunca tinha saído com ninguém e jogavam num vulcão. Esse é um primeiro encontro que ela nunca esqueceria.


     É comum que os piores encontros sejam o resultado de armações. Por que nós armamos encontros para as pessoas? Porque achamos que elas vão gostar? Quem somos nós? Estamos brincando de Deus?
     Aliás, Deus foi mesmo o primeiro a armar um encontro para outras. Armou para Adão e Eva. Estou certo de que ele disse para Adão: “Não, ela é legal, muito descontraída... usa pouca roupa. Estava saindo com uma cobra, mas acho que os dois romperam”.


     O que você pode fazer ao acabar um encontro, se sabe que nunca mais vai querer ver aquela pessoa, em toda a sua vida? O que você diz? Não importa o que for, é mentira. “A gente se vê por aí.” Por aí? Onde é que fica isso? “Se você estiver por aí e eu estiver por aí, então a gente vai se ver. Você vai estar por aí em algum lugar e eu vou estar por aí em outro lugar, não vai ser o mesmo por aí”.”


     “As mulheres, naturalmente, têm poderes muito acima dos homens mortais.
     Uma mulher deixou, um recado na minha secretária eletrônica, outro dia, com uma voz sussurrada. Não importa o que a mulher diz, se é naquela voz sussurrada, é sempre muito atraente. Uma aeromoça pode se debruçar para mim e sussurrar no meu ouvido: “Quer colocar o cinto? Vamos dar de cara numa montanha.” E eu responderia: “É mesmo? E o que você vai fazer depois que sair da fuselagem destroçada? Que tal a gente comer uns amendoins sentados na caixa preta? Eu trago duas almofadas”.”


     “Acho que o conflito básico entre homens e mulheres, sexualmente, é que os homens são como bombeiros. Para nós, sexo é uma emergência, e não importa o que estejamos fazendo, ficamos prontos em dois minutos. Já as mulheres são como o fogo. São muito excitantes, mas só acontecem quando as condições estão certas.
     Homens e mulheres de modo geral, se comportam como nossos elementos sexuais básicos. Se você observa homens solteiros numa noite de fim de semana, eles agem como espermatozoides: desorganizados, esbarrando nos amigos, nadando na direção errada.
     “Cheguei primeiro.”
     “Deixa eu passar.”
     “Você esta pisando no meu rabo.”
     “Isso aí é meu.”
     Somos Três Bilhões de Patetas.
     Mas o óvulo é tranquilão: “Então, quem vai ser? Eu posso me dividir. Posso esperar um mês. Não estou nadando para parte alguma”.”


     “A nudez é coisa séria para os homens. Vivemos para isso. Seja o que for que você não quer nos mostrar, é isso que queremos ver.”


     “Quando você começa a sair com alguém, é a mesma coisa que dirigir um carro novo pela primeira vez na sua vida, sem nada escrito nos controles. De repente, o limpador de para-brisa começa a funcionar, o carro morre... E o pior é que às vezes encontramos gente sem direção hidráulica, sem freios, precisando de amortecedor novo, com os faróis tortos, a mala cheia demais, o capo não fecha direito, sem gasolina. É por isso que as pessoas, quando se casam, escolhem o transporte mais simples. É fácil, confiável e te leva para onde você quer ir. Isso é que é importante numa viagem longa.
     Qual é o problema? Por que se comprometer é um problemão grande para o homem? Acho que, por algum motivo, quando um homem esta viajando na autoestrada do amor, a mulher com quem ele esta envolvido é como uma saída, mas ele não quer ir para lá. Ele quer continuar na estrada. Já a mulher é assim: “Olha, gasolina, comida, alojamentos, esta é a nossa saída, tem tudo que você precisa para ser feliz... Saia já, agora!” Mas o homem esta concentrado no sinal mais embaixo que diz: “Próxima saída, 45 quilômetros”, e pensa: “Dá para ir até lá.” Às vezes dá, às vezes não dá. Às vezes, o carro acaba no acostamento, com o capô levantado e fumaça saindo do motor. E ele, sentado no meio-fio, sozinho: “Acho que era mais longe do que eu pensei”.”


     “A cerimônia de casamento é uma coisa linda. O juramento, as roupas. Acho que a ideia daquele terno alinhado é o ponto de vista da mulher, de que se “os homens são todos iguais, por que não vesti-los assim?”
     Por isso é que, para mim, um casamento é a união de uma noiva linda, exuberante, e um cara lá. O terno é um dispositivo de segurança, criado pelas mulheres, porque elas sabem que não dá para confiar num homem. Portanto, caso o noivo caia fora, basta pegar um outro cara qualquer e pronto.
     É por isso que o juramento não é “Você aceita Valdemar de Oliveira...” e sim “Você aceita este homem...””


     “Tenho um amigo que vai se casar. A despedida de solteiro e o chá de panela vão ser no mesmo dia. É possível que, enquanto as amigas da noiva estão dando a ela uma lingerie sexy, o noivo esteja num show de strip-tease vendo uma mulher vestindo exatamente a mesma lingerie. Acho que para os dois vai ser um momento muito especial.


      Para mim, a diferença entre ser solteiro e casado é a forma de governo. Quando você é solteiro, você é o ditador de sua própria vida. Você tem poder total. Quando eu dou a ordem para pegar no sono no sofá com a TV ligada, no meio da tarde, ninguém vai me desobedecer! Quando você é casado, você faz parte de um grande órgão tomador de decisões. Antes de fazer qualquer coisa é preciso haver reuniões, a situação tem de ser estudada por comitês.
     E é por isso que os casamentos funcionam. Acho que é por isso que os divórcios são tão dolorosos. Você recebeu o impeachment e nem era o presidente.”


     Não há maneira fácil de acabar um relacionamento. É como a mussarela numa boa fatia de pizza. Por mais que você puxe a fatia para longe da sua boca, ela vai ficando mais fina e mais comprida, mas nunca arrebenta.
     Uma forma de acabar um relacionamento é o adultério. Adultério é uma coisa braba. Não se faz simplesmente um adultério, comete-se um adultério.”


     “Fumar é, certamente, uma das mais antigas e estúpidas idiossincrasias humanas.


     “Adoro fazer exercício, mas não posso deixar de rir disso. Você vai à academia, vê aquela gente toda se exercitando, entrando em forma. Mas ninguém vai ficar em forma para fazer alguma coisa. Na sociedade moderna, você não precisa ser fisicamente forte para fazer coisa nenhuma. O único motivo para eles ficarem em forma é conseguir fazer todo aquele exercício. Então a gente malha para ficar em forma para quando for a hora de malhar. Isso é comédia.
     Outra coisa que eu não entendo a respeito de malhar é por que somos tão cuidadosos ao guardar nossas toalhas sujas, shorts imundos e tênis fedorentos. Qual será o valor de mercado dessas mercadorias repelentes?
     Entrego o meu carro a qualquer cara em frente a um restaurante porque ele tem um paletó vermelho — “Deve ser o manobrista.” Nem penso duas vezes. Mas para aquelas roupas hediondas, putrefatas da academia, arranjo um desses cadeados que pode levar um tiro e não abre. Aquela coisa esta segura.”


     “Eu já tive um casaco de couro que se estragou na chuva. Mas como é que a água pode estragar o couro? As vacas não ficam lá fora quase o tempo todo?
     Será que quando esta chovendo as vacas correm para a casa da fazenda: “Deixa a gente entrar! Estamos todas usando couro! Abra a porta! Vamos estragar nossa roupa!” É couro? “Eu sou couro! Tudo isso é couro! Não posso botar para lavar, é tudo que eu tenho!””


     “O que eu acho maravilhoso a respeito de homens e mulheres é como nós temos interesse por essas pessoas com quem não temos nada em comum. Os homens estão obcecados com decotes, as mulheres com sapatos. E sempre a mesma obsessão. Não interessa quantas vezes tenhamos visto essas coisas, toda vez que elas aparecem, temos de olhar. Não podemos não olhar.”


     “O lado ruim dos recados é que geralmente eles significam que alguém quer alguma coisa de você.
     Há dois tipos de favor: o grande favor e o pequeno favor. Você pode medir o tamanho do favor pela pausa que a pessoa faz, depois que diz: “Você pode me fazer um favor?”
     Favor pequeno, pausa pequena. “Me faz um favor, passa aquele lápis.” Esse nem tem pausa. Já os favores grandes... “Você pode me fazer um favor?” Oito segundos se passam e nada. “Posso, o quê?” “Bem...” Quanto mais tempo ele demora para dizer, mais vai doer.”


     “Há toda uma indústria de maus presentes.
     Nada se compara com o peso para papel em matéria de mau presente. Para mim, não há maneira melhor do que um peso para papel para se dizer a alguém: “Recusei-me a fazer o menor esforço para comprar um presente.” E onde é que essa gente esta trabalhando que o vento leva todos os papéis das mesas deles? A escrivaninha esta em cima de algum caminhão na autoestrada ou coisa parecida? Eles estão datilografando alguma coisa naquela torre no mastro principal de um navio? Para que eles precisam de um peso para papel? De onde vem tanto vento?
     Alguém me deu um rádio para o chuveiro. Muito obrigado. Será que eu quero mesmo música no chuveiro? Acho que não há melhor lugar para dançar do que um chuveiro com o chão escorregadio, junto de uma porta de vidro.”


     “A vaga para deficientes é a miragem no deserto do estacionamento. Você conhece esta sensação. Você vê a vaga de longe, lá esta ela. É difícil de acreditar nos próprios olhos. “É bom demais para ser verdade. Uma vaga grande, larga, junto da entrada. Por algum motivo ninguém reparou nela.” E quando você vai estacionando — epa, não tem vaga nenhuma. Nada. Foi como uma alucinação. “Ei, eu pensei que tinha uma vaga aqui... Não sei o que aconteceu...””


     “Outro dia, eu passei por uma ambulância e reparei que eles escrevem a palavra ao contrário na frente. Que coisa inteligente! A gente olha no retrovisor e vê a palavra ambulância. É claro que, enquanto a gente lê, a gente não pode ver para onde esta indo e bate num poste, e aí precisa mesmo de uma ambulância. Acho que eles estão só querendo arranjar alguns clientes enquanto voltam do almoço.”


     “Você acha que as pessoas que administram as lojas no aeroporto fazem ideia de quais sejam os preços em qualquer outra parte do mundo? Ou será que eles têm seu próprio país ali e por isso podem cobrar o que quiserem?
      “Esta com um pouco de fome? Quer um sanduíche de atum? São 28 dólares. Se não gostar, pode voltar para seu país”.
     Acho que todo esse complexo aeroporto/companhias aéreas é um golpe para vender os sanduíches de atum. Na minha opinião, o que sustenta toda a indústria de viagens aéreas é o lucro com o atum. Os aviões poderiam voar vazios, e mesmo assim, eles fariam dinheiro. Os terminais, os aviões, o estacionamento, as lojas de presentes, tudo isso é só para te distrair, para você não notar que estão te roubando no atum.”


     “Outro dia, eu estava num avião e fiquei pensando: “Esse avião tem chave? Eles precisam de uma chave para dar a partida no motor?”
     Estou no avião, partimos com atraso e o piloto diz: “Vamos tentar ganhar algum tempo para compensar.” Aí, eu penso: “Interessante. Eles compensam o atraso. Como? Fazem tempo.” É por isso que a gente tem de acertar o relógio quando aterrissa.
     É claro, quando eles dizem que vão ganhar tempo, estão só aumentando a velocidade do avião. O que eu quero saber é: se eles podem ir mais rápido, por que não vão sempre o mais rápido possível? “Vamos lá, pessoal, não tem guarda de trânsito aqui em cima! Pé na tábua!”
     Eu adoro aqueles banheirinhos de avião. É como o seu próprio apartamentozinho no avião. Você entra, fecha a porta, a luz se acende sozinha. É como uma festinha-surpresa toda vez que você entra.
     E adoro o cartaz no banheiro. “Como cortesia para o próximo passageiro, por favor, limpe o assento com a toalha de papel”. Bom, sejamos corteses de verdade. Desculpe, mas esqueci de trazer minha escova de limpar o vaso. Quando foi que começou essa Irmandade de Passageiros? “Você perdeu sua bagagem? Leve a minha. Somos todos passageiros. Por falar nisso, o banheiro ficou bem limpinho para você? Eu não achei o desinfetante, senão deixaria o vaso brilhando.”
     Tudo nos aviões é pequenininho. É sempre comida pequenininha, garrafinhas de licor pequenininhas, travesseiros pequenininhos, banheiro pequenininho, pia pequenininha, sabonete pequenininho. Todo mundo fica numa poltrona apertada, trabalhando num computador pequenininho. Há sempre “um pequeno problema, vai haver um pequeno atraso, chegaremos um pouquinho atrasados, por favor, tenham um pouquinho de paciência. Estamos tentando arranjar um desses caminhõezinhos, para nos puxar um pouquinho mais perto daquela minhoquinha fininha. Ali estará um funcionário com uma jaquetinha vermelha que lhes dirá que vocês têm muito pouquinho tempo para fazer sua conexão. Portanto, mexam-se!”


     “As pessoas gostam de recomendar seu médico aos outros. Não sei o que elas ganham com isso, mas ficam mesmo pressionando.
     “Ele é bom?”
     “É o melhor de todos. É o melhor.”
     Não pode haver tantos melhores. Alguém se formou com as piores notas da turma. Onde é que ele esta? Alguém deve estar dizendo para um amigo: “Você devia ver o meu médico, ele é o pior. É absolutamente o pior que existe. Não importa o que você tenha, depois de vê-lo, vai piorar. O cara é um perfeito açougueiro.”
     E sempre que um amigo se refere a um médico, diz: “Não se esqueça de dizer que você me conhece.” Por quê? Qual é a diferença? O cara é um médico!
     “Ah, você conhece o António Carlos? Ah, esta bem, nesse caso vou te dar um remédio de verdade. Para os outros eu estou dando pastilhas de hortelã”.”


     “Como é que a gente pode deixar de pensar sobre a prisão? Toda noite, na televisão, tem gente indo para lá. E sempre que estão levando algum terrorista, psicopata, serial killer, a gente repara que ele esta cobrindo o rosto com um jornal, um paletó, um chapéu.
     O que tem de tão importante na reputação de um homem, para ele se preocupar com esse tipo de coisa? Será que ele esta a ponto de receber uma boa promoção no emprego? Esta com medo de que o chefe veja isso na televisão e diga: “Ei, esse não é o Eribaldo, do departamento de vendas? Ele estava lá em cima daquela torre atirando nas pessoas. Acho que não é o homem certo para chefiar aquela nova seção. Acho que ele ficaria melhor na cobrança”.”


     “Para mim, a pior coisa da televisão é que todo mundo que você vê na tela esta fazendo alguma coisa melhor do que você. Você nunca vê ninguém na televisão esparramado no sofá com farelo de batata frita na camisa.
     Algumas pessoas se divertem demais na televisão. Esse pessoal dos anúncios de refrigerantes — onde é que eles arranjam tanto entusiasmo? Você já viu? “Temos refrigerante, temos refrigerante, temos refrigerante!” Pulando, rindo, se atirando no ar. É só uma lata de refrigerante!
     Você já ficou ali sentado, olhando a TV, e repara que esta bebendo o mesmo refrigerante que estão anunciando? E eles estão jogando vôlei, andando de jet-ski, com as garotas de biquíni. Você sentado ali, pensando: “Vai ver que estou botando gelo demais. Não consigo nada”.”


     “Coisa detestável na TV é aquele “continua”. É horrível quando você percebe que vem um “continua” por aí. Você esta vendo o programa, acompanhando a história, então só faltam uns cinco minutos e você percebe: “Ei, eles não vão conseguir. O garoto ainda esta preso na caverna. Não tem como eles resolverem tudo em cinco minutos.” Ora, você só assiste a um filme na televisão porque ele acaba. Se eu quiser uma história comprida, chata, sem fim, eu já tenho a minha vida.”


     “Há muitas coisas que você pode mostrar como prova de que os seres humanos não são inteligentes. Mas a minha prova favorita é que nós precisamos inventar o capacete. Pelo visto, o que estava acontecendo é que estávamos praticando numa porção de atividades que estavam quebrando as nossas cabeças. Decidimos não parar de fazer essas atividades e inventar um negócio para que pudéssemos continuar a gozar do nosso estilo de vida racha-crânios. O capacete. E nem isso funcionou, porque nem todo mundo usava o capacete, de modo que tivemos de inventar a lei do capacete obrigatório. O que é uma coisa ainda mais besta, porque é uma lei que visa proteger um cérebro cujo juízo é tão torto que nem tenta evitar que a cabeça onde ele esta instalado se rache ao meio.”


     “Os estudos mostram que o maior medo das pessoas é falar em público. O número dois é a morte. A morte é número dois? Isso não parece lógico. Quer dizer, se um cara vai a um enterro, ele prefere estar dentro do caixão do que fazer a oração fúnebre?”


     “O que eu não entendo a respeito dos caras que se suicidam é que tem uns que tentam se matar, mas não conseguem, e pronto. Param de tentar. Por que não continuam tentando? O que foi que mudou? A vida deles melhorou agora? Não. Na verdade, piorou, porque agora tem mais uma coisa em que eles são uma merda. Acho que é por isso que eles não têm sucesso na vida. Desistem rápido demais.
     Quer dizer, os comprimidos não deram certo? Tente se enforcar. O carro não quer pegar na garagem? Arranje um revólver. Nada é mais recompensador do que você alcançar a meta que você fixou para si.”


     “No meu quarteirão, uma porção de gente leva seus cachorros para passear, e sempre andam com aqueles saquinhos de plástico para cocô. Para mim, essa é a atividade mais baixa do ser humano. Andar atrás de um cachorro com um saquinho para pegar coco. Esperando que ele faça cocô para você pegar e ficar andando com um saquinho cheio de cocô. Se houver alienígenas observando a Terra com telescópios, eles vão pensar que os cachorros são os líderes do planeta. Se você vê duas formas de vida, uma faz cocô e a outra carrega o cocô, quem é que você pensaria que esta por cima?
     É o que eu digo. Se depois de 50 mil anos de civilização chegamos a este ponto, é melhor desistir. Estou falando sério, vamos cair fora. Não vale a pena. Digamos que a raça humana é uma ideia que não deu certo. De início parecia boa, a gente ficou se esforçando um tempo, mas acabou não funcionando. Fomos até a lua, mas acabamos carregando saquinhos com cocô de cachorro. Em alguma hora as coisas deram errado. Vamos dar a vez agora aos insetos, ou quem for o próximo na fila.”


     “Todos os escoteiros são sempre amigos, não importa o que sejam quando crescem. Se você usou aquela roupinha, nunca esquece. Lembro bem: calças azuis, camisa azul, amarelo, aquela fivela enorme de metal para prender o lenço no pescoço. Aí, eu saía, apanhava dos outros garotos, voltava para casa e botava a roupa normal. Não dava para ir para a escola vestido daquele jeito. Por isso é que a gente vivia em grupos: para sobreviver. É por isso também que a gente acampava no mato. Se a gente se vestisse normalmente, ia se hospedar num hotel como todo mundo. Mas vestido daquele jeito, você prefere se esconder no mato.”

Um comentário:

Sugestão de Livros disse...

Interessante, mas nem tão engraçado.