sábado, 5 de março de 2016

O Homem Medieval – Jacques Le Goff (org.)

Editora: Editorial presença
ISBN: 978-97-2231-314-8
Tradução: Maria Jorge Vitar de Figueiredo
Opinião: ****
Páginas: 260
Textos: O Homem Medieval – Jacques Le Goff, Os Monges – Giovanni Miccoli, O Guerreiro e o Cavaleiro – Franco Cardini, O Camponês e o Trabalho no Campo – Giovanni Cherubini, O Citadino e a Vida na Cidade – Jacques Rossiaud, O Intelectual – Mariateresa Fumagalli Beonio Brocchieri, O Artista – Enrico Castelnuovo, O Mercador – Aron Ja. Gurevich, A Mulher e a Família – Christiane Klapisch-Zuber, O Santo – André Vauchez, O Marginal – Bronislaw Geremek.


     “Esse homem, que o dogma e a prática do cristianismo medieval tendem a transformar em tipo universal, reconhecível seja qual for a sua condição, é um ser complexo. Em primeiro lugar, é constituído pela união contrastante entre a alma e o corpo. Qualquer que tenha sido o desprezo que o cristianismo medieval nutrisse pelo corpo, “esse abominável revestimento da alma”, segundo Gregório Magno, o homem medieval vê-se obrigado — e não apenas pela sua própria experiência de vida, mas também pelos ensinamentos da Igreja — a viver na dualidade corpo/alma. Cada parte do corpo, cada sintoma carnal é um sinal simbólico que remete para a alma. É através do corpo que se concretiza a salvação ou a condenação, ou melhor, a alma atinge o seu destino através do corpo. Como recentemente foi recordado por Piero Camporesi, “o dogma da ressurreição da carne, ‘o mais extraordinário tipo de dogma’ (Chesterton) levava até às mais insuportáveis tensões as sensações materiais de dor e de terror”.”


     “Na viragem do século XIII para o século XIV, o intelectual medieval empenha-se na política, o que significa optar pelo papa ou pelo imperador.”


     “O homem da Idade Média vive obcecado pelo pecado, que ele comete quando se entrega ao Demônio, quando se declara vencido perante os portadores do pecado, os vícios. Para ele, esses vícios têm a forma de animais simbólicos, de alegorias ameaçadoras, encarnação dos pecados capitais que, no século XX, se constituíram em septenário: o orgulho, a avareza, a gula, a luxúria, a ira, a inveja e a preguiça. Ou então, adoptam a forma falsamente sedutora das filhas do Diabo, casadas com os “estados” da sociedade.
     O Diabo tem nove filhas que ele casou da seguinte forma:
a simonia desposou os clérigos seculares
a hipocrisia desposou os monges
a rapina desposou os cavaleiros
o sacrilégio desposou os camponeses
o fingimento desposou os oficiais de justiça
a usura desposou os burgueses
o luxo mundano desposou as matronas.
     Tem ainda uma nona filha* — a luxúria — que ele não quis casar, mas que oferece a todas as pessoas como amante comum.”

*: Texto — que omite uma filha — anotado na guarda de um manuscrito florentino do século XIII.


     “O homem de hoje, mesmo aquele que consulta videntes e cartomantes, convoca os espíritos em mesas “de pé de galo” ou participa de missas negras, reconhece que existe uma fronteira entre o visível e o invisível, entre o natural e o sobrenatural. Com o homem medieval não se passa o mesmo. Para ele, o visível é apenas um rasto do invisível e o sobrenatural irrompe a cada instante na vida de todos os dias: o homem medieval vive rodeado de “aparições” constantes. Não existe qualquer linha divisória, não existem quaisquer barreiras entre este mundo e o outro. Há aparições que provam a existência do purgatório, onde se chega através de cavidades terrestres: crateras sicilianas ou grutas irlandesas. Mesmo os mortos não salvos, os fantasmas do paganismo e do folclore, impelidos por Satanás, aparecem. A aparição aterroriza, mas não surpreende.”


     “Desejo de Deus, desejo de cheirar e saborear antecipadamente as coisas eternas, a opção monástica reclama uma relação privilegiada com o absoluto. A divisa é a renúncia ao mundo, a tudo o que é transitório. Por isso aquela “pobreza” nada tem em comum com a situação dos pobres da época, privados de meios e de bens, com escassas garantias e destituídos de todos os poderes. É, antes, abandono da sociedade profana e dos seus centros habituais, recusa do seu dia-a-dia e das suas perspectivas, opção por uma disciplina individual de ascese e obediência, um privilegiar da procura de Deus na oração e na contemplação, o restabelecimento de uma ordem e de uma escala de valores que fora perturbada e violada pelo pecado e pelas constantes insídias de Satanás: “Longe do tumulto das disputas, evitam pacientemente as seduções enganadoras dos demônios. Aplicados na Escritura, primeiros em obediência, fervorosos na caridade, contemplam da antecâmara os prazeres da cidade santa”.”


     “O mundo do século X (e, já antes, o da segunda metade do século IX) é duro e perigoso; sobreviver constitui, por si só, uma preocupação constante e um desejo obsessivo.”


     “A oração, os combates e o trabalho nos campos eram considerados, embora a um nível diferente de dignidade, como os três aspectos fundamentais da vida civil, os três pilares do mundo cristão.”


     “A questão mais geral do conhecimento da consciência e da mentalidade camponesas parece estreitamente ligada à questão do conhecimento da religiosidade popular e das relações do mundo camponês com as hierarquias eclesiásticas e com as próprias seitas heréticas. É sabido — e aplica-se a todo o continente — que muitas das crenças camponesas tinham as suas raízes na época pré-cristã ou em domínios não-cristãos. A Igreja teve de assimilar, sobretudo ao nível paroquial, muitos ritos propiciatórios, práticas animistas, formas de magia simpática. O próprio pároco não escapava, em certos casos, à prática das artes mágicas, o que não provocava nenhum escândalo nas almas simples dos seus paroquianos, que interpretavam tal fato como uma das manifestações da sua função sagrada. Para a mentalidade camponesa, muitas dessas atividades da Igreja relacionavam-se com a repetição dos ciclos da produção agrícola e a própria ligação que o camponês mantinha com os santos era francamente contratual, ou seja, de teor mágico, de do ut des, de ofertas que eram feitas para garantir uma boa colheita ou a clemência do céu ou a saúde dos homens e dos animais. A igreja da aldeia não era apenas o local da oração, era uma espécie de coração da comunidade, o que era realçado pela própria saliência física do edifício (partilhada, em certos casos, com as torres e os palácios senhoriais) sobre os casebres dos habitantes. Na igreja, no adro ou no cemitério, reunia-se a assembleia da comunidade, pelo menos até à construção de um edifício apropriado; era na igreja que o pároco fazia os mais variados avisos de interesse coletivo; era na igreja que, nos momentos de perigo, pessoas e bens encontravam refúgio; e era também na igreja que se efetuavam muitas festas nem sempre, ou não exclusivamente, de caráter sagrado. A igreja e o cemitério vizinho alimentavam a memória coletiva da comunidade. Os sinos, cujo nome uma fantasiosa etimologia de inícios do século XIII fazia derivar “a rusticis qui habitant in campo, qui nesciant indicare horas nisi per campanas”, não chamavam apenas à oração, davam também as horas visto que os camponeses não utilizavam ainda o novo “tempo do mercador” — e serviam igualmente para combater os temporais, para manter os lobos longe da aldeia, davam o sinal de incêndio e anunciavam os perigos da guerra. A participação na vida da paróquia, tal como a participação na vida civil da comunidade, constituía, por assim dizer, uma educação política do camponês.”


     “Aprende-se vivendo com muitos.” (Frei Paulino – 1314)


     “Capital considerável (de 100 a 150 000 liras para Reims, no século XIV), o anel de pedra, objeto de orgulho mas devorador de dinheiros, determina o conjunto da vida urbana: estrutura a população estável que divide, por setores, a guarda dos muros e das portas, marca o tempo quotidiano — as portas fecham-se ao cair da noite —, confere um caráter sagrado ao que existe no seu interior, mas, acima de tudo, dá uma nova forma ao espaço e determina, em grande parte, a originalidade da paisagem.
     Não que, ao transpor-se as suas portas, tudo mude radicalmente: o campo, muito próximo, é dominado pela propriedade e pelos capitais citadinos e, aqui e ali, há residências de burgueses; os seus habitantes vêm regularmente ao mercado, cruzam-se no caminho com os agricultores, que são sempre em grande número nas metrópoles, atravessam, intra muros, jardins e vinhedos e, ao passar, afugentam aves e porcos iguais aos da sua aldeia, mas nascidos e criados à sombra das muralhas. Há, todavia, uma grande diferença: uma cidade agrícola é mais do que uma grande aldeia e, no Ocidente, a cidade não se caracteriza pela sua produção agrícola; no século XII, em Milão, o terreno custa trinta e seis vezes mais do que nos campos limítrofes e a especulação fundiária esta na base da fortuna de muitas famílias de Gand, Génova e Pisa. A insólita concentração de pessoas num território limitado cria em Bonvicino de la Riva uma espécie de lirismo numérico e é a multidão — em especial, nas cidades mediterrânicas — que determina a estrutura da paisagem e das construções: a aglomeração de campanários, as dimensões da catedral, a abundância de torres aristocráticas, casas contíguas e cada vez mais altas, sobretudo nos quarteirões centrais (em Paris, Florença, Génova e Siena não são raras as casas de quatro ou cinco andares).
     Se se é pobre, habitar na cidade significa, em primeiro lugar, habitar com mais dois ou três um quarto no sótão, uma toca sem luz que dá para um pátio nas traseiras; se se tem algum dinheiro, há as hospedarias; se se tem família, pode dispor-se de um ou dois quartos, mas o poço e a cozinha têm de ser sempre partilhados com outros; o artesão, claro, mora em casa própria e aí tem o seu forno, a sua cave e o seu celeiro, mas os servos e os aprendizes também lá moram. À exceção de uma pequena minoria, é necessário habituar-se a viver rodeado de vizinhos de condições e ofícios muito diversos.
     Para dois habitantes em cada três, ser citadino é também depender do mercado, durante todo o ano ou uma parte do ano, comprar o vinho, o pão, o conduto. E, para todos, é sofrer os inconvenientes de se estar fechado entre muros; ter, por vezes, falta de água potável, quando os poços estão inquinados; viver no meio da imundície porque, durante os anos difíceis, muitas portas foram muradas e os lixos acumulados provocam infecções e doenças endêmicas. A municipalidade relegou os leprosos para os hospícios fora das muralhas, publicou regulamentos sanitários, mas não foi capaz de lutar eficazmente contra a peste que, em condições climatéricas favoráveis, fulmina os bairros centrais e os subúrbios industriais.
     Nesses espaços de encontro e de multidões, o contágio também pode ser mental: durante meses e anos, em situações de cerco, de guerra ou de peste, a cidade fecha-se sobre si própria e fica sujeita aos boatos, à angústia, que se propagam tão rapidamente como as doenças. “Terrores”, “emoções”, atrocidades coletivas provêm, muitas vezes, desse conjunto claustrofóbico, desse medo que atinge a multidão, tão pronta, por outro lado, a exprimir a sua alegria ou a sua dor ao ter conhecimento de uma paz ou da morte de um rei. A condição preliminar de toda a cultura urbana é começar a viver na promiscuidade e, em primeiro lugar, aceitar o confronto com gente estranha aos seus costumes e à sua língua.”


     “O dinheiro é o sangue da cidade, o seu fluido vital (L. K. Little) e o seu princípio ordenador.”


      “Muitos citadinos, embora tivessem vivido longos e difíceis períodos de tensão, escaparam aos horrores da rebelião e da repressão, mas todos tiveram de enfrentar, quase quotidianamente, uma atmosfera de violência. De que servirá multiplicar os exemplos? Em Florença, em Veneza, em Paris, em Lille, em Dijon, Avignon, Tours ou Foix, os arquivos judiciários desvendam uma série impressionante de vinganças cometidas a sangue frio, de rixas violentas, individuais ou de grupo, resolvidas à facada ou com o pau ferrado, de estupros muitas vezes coletivos, que marcam de uma forma duradoura pobres moças que são sovadas e arrancadas, de noite, dos seus quartos.
     Na maior parte dos casos, essas violências são cometidas por jovens ou adultos de condição modesta, mas que nada distingue dos bons cidadãos. “A cidade impele ao crime”, diz — e muito bem — B. Chevalier; de fato, as cidades do Loire, em finais do século XIV, parecem duas vezes mais propensas ao crime do que os campos da região e, na planície e nos campos lioneses, as condenações por violência são muito menos numerosas do que em Lyon ou em Avignon.
     O vinho — a embriaguez é uma desculpa frequente — não explica tudo, assim como não explica as armas que todos usam, apesar das ordens municipais. O exemplo vem de cima; em Reims, no início do século XIV, a justiça revela-se incapaz de impedir que as grandes famílias resolvam pelas armas os seus conflitos. Mas as violências cívicas (execuções capitais, torturas, corridas através da cidade, etc.) são oferecidas como espetáculo e a moral doméstica tem as sovas em devida conta. Aliás, não se dá muito crédito à justiça, que é mais temida do que apreciada e se revela ineficaz e cara. O indivíduo defraudado recorre, portanto, à violência imediata. Para salvaguardar a sua honra; e é em nome da honra que os jovens castigam as moças que, na sua opinião, os ofenderam. Nas sociedades urbanas, a honra — como a violência — é um fator largamente difundido (os poderosos são denominados “honoráveis”). Não há reputação sem honra e não há honra sem autoridade. O dinheiro e os amigos dos ricos fortalecem a sua honra e o operário, desprovido de meios, considera a sua reputação como um capital essencial. Eis porque, em Lille e em Avignon, a maior parte das rixas se dão entre iguais. As praças, as ruas, todos os lugares públicos se transformam em cenários onde a honra pode ser conquistada ou perdida. Nas tabernas, situadas no cruzamento de alguns bairros, deve seguir-se o conselho das fiandeiras dos Evangiles des quenouilles: “quando dois amigos comem juntos, devem beber um depois do outro, para se poderem ajudar em caso de necessidade”.”


     “Numa cidade mercantil, tudo é ratio; o citadino deve agir de uma forma razoável, após contabilização e dedução lógica. Mas a razão, capacidade de se entender o passado, analisar o presente e prever o futuro, implica também uma ordem do universo e, por conseguinte, uma medida do tempo. “Chamam-se sinos por causa dos camponeses, que vivem no campo e não sabem que horas são a não ser por intermédio dos sinos”; assim fala Jean de Garland, no início do século XIII. Não que os citadinos estejam já habituados aos relógios mecânicos e aos autômatos, mas há, pelo menos, duas gerações que têm os seus sinos no topo de uma igreja ou num campanário; o seu som marca o tempo do trabalho, assinala a abertura ou o fecho das portas, ordena o recolher obrigatório ou convoca para o conselho; em suma, os sinos da cidade marcam o ritmo de um tempo leigo e municipal. (...)
     A partir de 1300, os sinos têm apenas uma função de reforço dos relógios cujo quadrante e, depois, os ponteiros móveis indicam as horas e fazem-nas ouvir por meio do seu carrilhão ou pelas pancadas dos seus autômatos. Quanto aos relógios astronômicos — esses instrumentos maravilhosos —, indicam o momento mais propício para se rezar aos santos, fazer uma viagem ou organizar uma procissão geral.”


     “Na pregação do século XII e dos séculos seguintes, esta contida uma crítica social muito incisiva. Partindo dos princípios da ética cristã, os padres marcam sem piedade quem deles se afasta e que são, praticamente, todos: os soberanos, os cavaleiros, os citadinos, os camponeses e o próprio clero. Não há ninguém que não esteja em pecado. Todavia, as invectivas mais ameaçadoras são lançadas sobre os usurários. Nos exempla, ou seja, nas curtas histórias que, incluídas nos sermões e tendo algo a ver com o folclore ou a literatura do passado, continham um ensinamento edificante, o usurário é descrito como um monstro moral. Os exempla acerca dos usurários jogam constantemente com a mesma ideia: o usurário é inimigo de Deus, da natureza e do homem. Os frades devoravam, literalmente, o dinheiro que tinha sido ganho injustamente e que era colocado na mesma caixa que guardava as esmolas. Durante uma viagem por mar, uma macaca empoleirou-se no mastro depois de se ter apoderado da bolsa de um usurário e, cheirando as moedas, atirou ao mar as que tinham sido ganhas em atividades usurárias. O julgamento da alma do usurário efetua-se no preciso momento em que morre e há uns demônios, de aspecto terrível, que transportam a sua alma diretamente para o inferno, enquanto lhe vão extraindo da boca moedas em brasa. O usurário é o servo mais fiel do demônio e este aparece, de repente, em busca da sua alma, sem dar ao infeliz o mais pequeno prazo para reparar o prejuízo causado ou para fazer perdoar os seus pecados com orações. Recordemos as cenas das penas infernais infligidas aos usurários, no Inferno de Dante. Não há nada que possa salvar a alma do financeiro que viveu dos juros, a não ser a distribuição de toda a riqueza acumulada injustamente por aqueles que explorou em vida. Nenhuma compensação parcial o poderá ajudar.
     O usurário é repugnante aos olhos de Deus e do homem e, sobretudo, porque não existe outro pecado que não conceda um pouco de repouso: os adúlteros, os libertinos, os assassinos, os perjuros e os blasfemos cansam-se dos seus pecados, ao passo que o usurário continua a receber constantemente o seu lucro. Com a sua atividade, nega a alternância entre o trabalho e o repouso. A usura destrói os laços entre as pessoas e a sua atividade, dado que, mesmo quando o usurário come, dorme ou assiste ao sermão, os juros continuam a aumentar. O Senhor ordena ao homem que ganhe o pão de cada dia com o suor do seu rosto, ao passo que o usurário enriquece sem trabalhar. Comercializando a demora no pagamento, ou seja, o tempo, rouba o tempo, patrimônio de todas as criaturas e, por isso, quem vende a luz do dia e a calma da noite não deve possuir o que vendeu, isto é, a luz e o repouso eternos.
     O peso da maldição que caiu sobre a alma do usurário é tão grande que, no funeral de um deles, os vizinhos não tiveram força para erguer o corpo. Os padres recusavam-se a sepultar os exploradores na terra consagrada e, quando colocavam o cadáver do usurário em cima do burro, este levava-o para fora da cidade e lançava-o num montão de estrume sob a forca. Existe um exemplum em que o rico usurário, à hora da morte, tenta convencer a sua alma a não o abandonar, prometendo-lhe ouro e prata, mas, não tendo conseguido, manda-a para o inferno, indignado. Os usurários têm consciência do caráter pecaminoso da sua profissão e são por vezes assaltados por visões terríveis. Um deles, estando a dormir, viu-se inesperadamente perante o juízo final e ouviu a sentença que o entregava nas mãos dos demônios. Acordando, teve um ataque de loucura e saiu de casa, recusando arrepender-se e reparar os prejuízos que causara; então, no rio apareceu um barco que navegava velozmente e não tinha piloto. O usurário gritou que o barco estava cheio de demônios e estes imediatamente o agarraram e o levaram com eles.” 

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