quinta-feira, 28 de maio de 2015

Guerra e Paz (Volume IV) – Leon Tolstói

Editora: L&PM
ISBN: 978-85-2541-674-2
Tradutor: Isabel da Nóbrega e João Gaspar Simões
Opinião★★★★☆
Páginas: 408

“O amor? Que é o amor?”, pensava ele. “O amor é o inimigo da morte. O amor é a vida. Tudo, absolutamente tudo que me é dado compreender, graças ao amor eu o compreendo. Tudo que é, tudo que existe, pelo amor existe. O amor é Deus; morrer é regressar, eu, parcela desse amor, à fonte geral e eterna”.”


“A razão humana não pode compreender a correlação das causas e dos acontecimentos, mas a necessidade de em tudo achar uma causa é inerente ao espírito humano. Eis porque a inteligência, incapaz de penetrar as razões infinitas e infinitamente complicadas dos acontecimentos, as quais, cada uma de per si, podem fazer figura de causa, lança mão da primeira que lhe aparece, seja a mais acessível das coincidências, e proclama: Esta é a causa! Nos fatos históricos que têm por objeto de estudo as ações humanas, a mais vulgar coincidência costuma ser a vontade dos deuses, e depois a dos homens colocados em situação de destaque, os chamados “heróis da história”. Basta, no entanto, aprofundar um pouco qualquer fato histórico, isto é, ver agir as massas de homens que tomaram parte nele, para nos persuadirmos de que não é a vontade deste ou daquele herói que conduz as massas, mas, muito pelo contrário, é essa mesma massa que a todo o momento é conduzida. Dir-se-á ser indiferente que os acontecimentos se expliquem desta ou daquela maneira.”


“É bem verdade o que se costuma dizer: sem ter com quê, nem a pulga um homem pode matar.”


“– Os velhos têm razão. Mão suada é dadivosa, mão enxuta é avara.”


“André pensava e dizia que a felicidade apenas tinha caráter negativo, e isto não sem que o dissesse e pensasse com um misto de amargura e ironia. Pensando assim, parecia querer dizer que todas as aspirações do homem à felicidade positiva lhe não tinham sido dadas senão para o atormentar, insatisfeitas que sempre eram. Sem qualquer pensamento reservado, Pedro adotara esta maneira de pensar. A ausência da dor, a satisfação de todas as necessidades, e, como consequência, a liberdade da escolha das suas próprias ocupações, isto é, do gênero de vida que mais lhe quadrava, afiguravam-se-lhe, a Pedro, incontestavelmente, o ideal da felicidade humana. Mas agora compreendera pela primeira vez o prazer de comer quando se tem fome, de beber quando se tem sede, de dormir quando se tem sono, de se aquecer quando se tem frio, de falar quando apetece ouvir uma voz humana. A satisfação das necessidades, uma boa alimentação, o asseio, a liberdade, agora, que estava privado de tudo isso, apareciam-lhe como o suprassumo da felicidade, e a liberdade da escolha das suas ocupações, isto é, a própria vida, agora, que tão limitada lhe estava essa escolha, parecia-lhe coisa tão fácil que esquecia que o próprio excesso das comodidades da existência destrói toda a felicidade que resulta da satisfação das necessidades e que uma perfeita liberdade de ação, essa liberdade que lhe proporcionara a instrução, a fortuna, a posição na sociedade, torna a escolha das ocupações excessivamente difícil e por isso mesmo destrói a necessidade e o desejo de ação.”


“Kutuzov sabia que quando se deseja muito qualquer coisa, pode uma pessoa acabar por preparar as notícias de sorte a que elas confirmem o que se deseja, tendo o cuidado de guardar silêncio sobre tudo que contradiga o que se pretende.”


“Pedro, como sempre costuma acontecer, só sentiu o peso das privações a que estivera sujeito durante o cativeiro no dia em que as desventuras acabaram. Assim que foi posto em liberdade, dirigiu-se a Orel e no dia seguinte, na altura de se meter a caminho para Kiev, adoeceu. Três meses ficou de cama em Orel. Segundo os médicos, sofria de uma febre biliosa. Apesar de todos os cuidados que lhe dispensaram, não obstante as sangrias e os remédios, conseguiu recuperar a saúde.”


“Pretender-se que a vida dos homens seja sempre dirigida pela razão é destruir toda a possibilidade de vida.”



“Os criados são os juízes mais fiéis dos seus amos, pois os julgam não por conversas ou manifestações exteriores, mas pelos seus atos e conduta.”

3 comentários:

Kemmy Oliveira disse...

Eu já ouvi falar tanto dessa obra, mas nunca nem sequer procurei saber mais sobre ela.
Os quotes me chamaram muito a atenção em uma postagem do G+ e vim aqui pra saber mais.
Adorei! Já coloquei na lista de livros que preciso ler!

Beijos,
Duas Leitoras

Fabiane Daz disse...

Está na minha lista. Vou adquirir os volumes e voltar para comentar com mais propriedade depois da leitura.
Não deixe de postar, eu adoro seu blog, entro sempre procurando por dicas. Estou lendo todos as suas indicações com ******* (quanto mais melhor, rs)

Beijo

Doney Stinguel disse...

Valeu, Kemmy e Fabiane.
Espero que gostem, abração!