A conversão de São Paulo

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quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Metallica: a biografia - Mick Wall

Editora: Globo
ISBN: 978-85-250-5018-2
Tradução: Daniela Pires, Leandro Woyakoski e Marcelo Barbão 
Opinião: ***
Páginas: 448
     “Quando comecei a tocar música, decidi devotar minha vida a ela sem me deixar levar por todas as outras baboseiras que a vida tem a oferecer”. (Cliff Burton)


      “Depois de tomar o voo noturno de San Francisco para Nova York, Kirk Hammett chegou à casa de Jonny e Marsha poucas horas depois de eles terem levado Dave Mustaine à rodoviária. Hammett comentou sua entrada no grupo: “Naquele momento, ainda estávamos no comecinho de nossas carreiras musicais. E quando entrei na banda nos demos muito bem... Literalmente, eu entrei, me sentei, e eles falaram: ‘Muito bem, você está na banda, vamos começar daqui’”. Determinados, no entanto, a não se meterem na mesma batalha pela liderança de que tinham acabado de se livrar com Mustaine, Lars e James foram bem objetivos com ele – atitude que Lars mais tarde contou aos leitores da Rolling Stone nos seguintes termos:  “Não vamos nos enganar, James e eu mandamos na parada. Nós fizemos as gravações e as músicas”. Kirk simplesmente deu um sorriso chapado e fez que sim com a cabeça. “Eu não tinha nenhum problema com aquilo. Estava claro que era a banda do Lars e do James.” Mesmo assim, era uma rigidez tirânica que se tornaria evidente na música, talvez mais do que fosse necessário para a banda, à medida que os anos passavam e o domínio de Lars e James sobre os rumos musicais do Metallica se consolidava mais e mais. “Tomávamos as grandes decisões em conjunto. Mas sempre que tinha de defender uma ideia era necessário assumir o papel de diplomata. Eu tinha de vender meu peixe a eles.” Cliff, por sua vez, tinha algo melhor do que um argumento. Podia ser a banda de Lars e James, mas os dois foram atrás dele, não o contrário. Como músico, Cliff sabia que estava muito à frente dos novos colegas, mas também compreendia as políticas internas melhor do que os outros. Eles que falem com o público, que fiquem com os principais créditos de composição; ele confiava no seu taco, sabia quem era e não desejava competir nesse nível. Os testes para valer teriam início depois que o primeiro álbum estivesse pronto e o grupo tivesse de seguir adiante, fazendo turnês, compondo, transformando-se numa banda de verdade – com Cliff Burton como epicentro.”


      “Ainda mantendo em segredo as dúvidas sobre sua permanência a longo prazo na frente da banda, mas fortalecido pelas dez semanas ininterruptas de turnê, Hetfield também tinha a confiança extra proporcionada pelo lançamento do primeiro álbum. Ao levar a “fique longe de mim, porra” para o palco, ele aprendeu, durante a turnê, a se esconder atrás daquela máscara e a manipular a plateia para que ela visse somente o que ele quisesse. James se tornou feroz, imitando a abordagem destemida de Mustaine ao provocar o público, quase o desafiando a desmascarar o blefe: “Quando criança, a intimidação era uma grande defesa para não ter de me aproximar das pessoas nem comunicar ou expressar meus medos e fraquezas. Assim, ao entrar no Metallica como um frontman firme, esse fator de intimidação ressurgiu e foi uma grande arma defensiva. Eu podia manter as pessoas à distância, sem revelar o que necessitava de verdade”.”


      “‘Você não se esgota por ir rápido demais, mas por ir devagar e se aborrecer’.” (Cliff Burton)


      “Embora só fossem se conscientizar do fato anos depois, a maneira apressada, aparentemente superficial, com que Lars Ulrich e James Hetfield lidaram com a morte de Cliff Burton teria consequências duradouras, que iriam muito além da história do Metallica. A decisão de encontrar um novo baixista e prosseguir com os planos da banda assim que possível pode ter parecido correta em teoria, mas o papel de Burton no Metallica ia além de tocar baixo. Mesmo com essa parte resolvida, a maneira violenta como fora arrancado da banda era um dano irreparável. Os outros três não tinham perdido apenas um integrante. Perderam o seu mentor, o irmão espiritual mais velho – tinham perdido o melhor amigo do Metallica. Aquele que jamais mentiria, jamais deixaria alguém na mão, o único que podia protegê-los deles mesmos.
     Como disse Malcolm Dome: “Cliff tinha uma grande personalidade. Se estivesse vivo, poderia ter conduzido o Metallica por alguns caminhos bem interessantes, ele tinha a cabeça aberta, era o cara em quem os demais se inspiravam porque era um pouco mais velho, mais maduro e seguro. Do jeito dele, era o líder da banda. Embora Lars e James fossem os donos do grupo, estava claro que Cliff era o cara a quem podiam recorrer quando precisavam de conselhos. Era ele quem dizia: ‘Não acho que devamos fazer assim, devíamos fazer assado’. Ele não parecia pertencer a uma banda de thrash, e era essa a questão – ele não sentia a obrigação de se adaptar”.” 

Um comentário:

Sugestão de Livros disse...

Casos interessantes de uma banda tão famosa. Gostei do trecho: "Eu podia manter as pessoas à distância, sem revelar o que necessitava de verdade”