terça-feira, 1 de julho de 2014

1776: A história dos homens que lutaram pela independência dos Estados Unidos – David McCullough

Editora: Jorge Zahar
ISBN: 978-85-7110-921-6
Tradução: Roberto Franco Valente
Opinião: ★★★☆☆
Páginas: 424



“George III tinha 22 anos quando, em 1760, subiu ao trono, ali permanecendo – fato notável – como um homem de gostos simples e de poucas pretensões. Gostava da comida caseira, bebia pouco – somente vinho. Desafiava a moda, recusando-se a usar perucas. De modo algum incomodava-se com o fato de que o palácio de Saint James já estava um tanto antiquado. Ele o preferia assim. Sentia-se constrangido na corte – muitos se decepcionavam com ele, achando-o maçante – e preferia perambular pelas fazendas de sua propriedade, em Windsor, vestido com roupas de camponês. E, em notável contraste com a elegante sociedade, onde as amantes e as infidelidades eram não só um aspecto geralmente aceito da vida, mas também até alardeado, o rei permaneceu solidamente fiel à desgraciosa rainha – a princesa alemã Charlotte Sophia de Mecklemburg-Strelitz – com quem tivera dez filhos até então (mas que no final seriam 15). Diziam os boatos que os principais prazeres do fazendeiro George consistiam num pernil de carneiro e na sua pequena e pouco atraente esposa.
Mas não era bem assim. E tampouco era ele esse homem desprovido de atrativos e abobado, que mais tarde seus críticos proclamaram. Alto, relativamente bonito, olhos azuis claros e uma expressão quase sempre alegre, George III sentia um genuíno amor pela música, e tocava violino e piano. (Seu compositor favorito era Haendel, mas também adorava a música de Bach e, em 1764, deliciara-se ao ouvir o menino Mozart apresentar-se ao órgão.) Gostava de arquitetura, tendo mesmo vários desenhos técnicos de sua autoria. Dotado de discernimento para a arte, logo começou a fazer a sua própria coleção, até ali com obras de Canaletto, um pintor italiano contemporâneo, e também com aquarelas e desenhos dos antigos mestres Poussin e Rafael. Colecionava livros avidamente, a ponto de reunir uma das melhores bibliotecas do mundo. Adorava os relógios, maquetes de barcos, tinha um grande interesse pelas coisas práticas, pela astronomia, e fundou a Royal Academy of Arts.”


“Quando os interesses de um grande povo estão envolvidos, deve-se superar as dificuldades, e não se curvar a elas.” (John Dyke Acland)


“Aos 33 anos, Nathanael Greene era o general mais jovem do que então constituía o exército norte-americano. E, se a sua mocidade era um fato óbvio, a Gloriosa Causa era, em grande parte, a causa dos moços: o comandante-chefe do exército, George Washington, era um homem de apenas 43 anos; John Hancock, presidente do congresso continental, tinha 39; John Adams, 40; Thomas Jefferson, 32 – mais moço ainda que o jovem general de Rhode Island.”


“‘O exército de Washington’, escreveu um jovem da Nova Inglaterra de tendências legalistas, chamado Benjamim Thompson, ‘era o mais esfarrapado do mundo, e era um bando tão sujo de seres mortais que chegava a envergonhar a própria patente de soldado... Era melhor deixar que as roupas apodrecessem no corpo, do que se dar ao trabalho de lavá-las’. Segundo Thompson, todas aquelas ‘desordens pestilentas, infecciosas e malignas’, cujo preço pago foi tão alto (em mortes) deviam-se àquele ‘asqueroso modo de vida' (...).
Era perfeitamente compreensível que tantos deles estivessem assim tão cobertos de imundícies, uma vez que quando não estavam participando de alguma expedição, passavam o dia inteiro a cavar trincheiras, a transportar pedras e juntar grandes montes de terra para a trincheira. Em determinado momento, no início do cerco, quatro mil homens estavam trabalhando, só em Prospect Hill. Era um trabalho sujo e árduo, e quase não havia tempo ou meios para se tomar um banho sequer, ou se dar ao luxo de trocar de roupa.
Poucos homens possuíam algo que se pudesse chamar de uniforme. Era impossível distinguir os oficiais superiores dos soldados que comandavam. Não só a maioria dos homens vivia sem banho, e quase sempre barbados, como também todos se vestiam com uma variedade incrível de tudo o que se pudesse imaginar, na maior parte tudo que eles – ou os seus, em casa – conseguiram juntar às pressas na mala, antes de marchar para a guerra. Vestiam camisas e agasalhos pesados e tecidos em casa, muitas vezes aos farrapos de tanto uso, calções de todas as cores e tipos, mocassins e sapatos de couro de boi, e na cabeça velhos chapéus de feltro com abas largas, manchados pelas condições do tempo e pelo suor, chapéus de castor, chapéus de palha de lavrador, ou lenços listrados à cabeça, como os marujos. O tricórnio, chapéu formal, era usado mais provavelmente pelos oficiais, ou alguém de status mais elevado, como os capelães e os médicos. Só de vez em quando aparecia algum velho casaco de regimento, coisa que não se via desde a Guerra Francesa e Indígena.
As armas que usavam eram tão variadas quanto suas roupas, principalmente os mosquetes e as espingardas de caça (garruchas, na verdade), e parece que quanto mais antigas eram essas armas, maior orgulho sentiam os seus proprietários. A arma mais comum, e de longe a mais importante, era o mosquete de cano liso a espoleta, de um só tiro e de carregar pela boca, e que projetava uma bala pesando cerca de 300 gramas, capaz de causar terríveis estragos. Seu comprimento era de um metro e meio, em média, e o peso, de cerca de quatro quilos e meio. Embora não fosse especialmente preciso, podia-se carregá-lo de pólvora e balas, disparar e, logo em seguida, carregar e disparar outra vez. Para um bom atirador de mosquete, era possível dar um tiro a cada 15 segundos.”


“No início da guerra ninguém mencionava a independência. E nem esse tema estava presente nas mentes dos que lutaram em Bunker Hill, ou nos pensamentos de Washington ao assumir o comando do exército. A caminho de Cambridge, vindo da Filadélfia, ele fora perfeitamente específico ao assegurar ao Congresso Provincial de Nova York que “qualquer esforço dos meus valorosos colegas, e o meu próprio, se estenderá igualmente ao restabelecimento da paz e da harmonia entre a nação materna e as colônias”.”


“O inverno na América foi uma experiência a qual jamais os soldados britânicos puderam acostumar-se, como também não se adaptaram ao clamor incessante dos sapos, nas noites de primavera, ou aos mosquitos norte-americanos, ou à falta de uma cerveja decente. É claro que os terríveis ventos do inverno e as violentas nevascas da região da baía lançavam a miséria indiscriminadamente sobre ambos os exércitos; mas para os homens do rei, desacostumados àquele clima, aquela punição era absolutamente insuportável. Um jovem irlandês da nobreza, o capitão Francis Lorde Rawdon, descreveu os sofrimentos dos seus homens acampados em Bunker Hill, no começo de dezembro, com suas tendas “tão arrebentadas”, que seria a mesma coisa dormirem ao relento – “e ouvimos dizer, com uma certa inveja, dos vários bailes e concertos que nossos irmãos têm tido em Boston”. Os soldados congelavam até morrer em posição de vigia. Mesmo quando as tropas se mudaram para habitações de inverno, algumas semanas depois, era quase impossível alguém se manter aquecido.
O mar aberto continuava sendo a única tábua de salvação para se obter carvão e alimento para a cidade, porém, com a severidade das tempestades no Atlântico norte, e os corsários norte-americanos operando na costa em número cada vez maior, a despeito do mau tempo, cada vez menos navios de suprimento conseguiam chegar.
O almirante britânico Samuel Graves, cuja responsabilidade era patrulhar a linha da costa contra os corsários, descreveu as tempestades de neve no mar, entre o cabo Ann e o cabo Cod, como desafiadoras até dos homens mais afoitos. 
Esse tipo de tempestade é tão sério que nem olhar para ela é possível, e a neve, congelando tudo tão rápido quanto cai, impede qualquer resistência –  pois as roldanas ficam emperradas, a maquinaria é recoberta por uma crosta, as cordas e as velas congelam e logo o navio se transforma num bloco de gelo... Na verdade, se for assim a severidade do inverno neste clima, onde o sentinela da praia frequentemente é encontrado morto, congelado em seu posto, embora haja troca de guarda a cada meia hora, o leitor pode ter alguma ideia do que sofre um marinheiro de vigia, principalmente nos barcos pequenos.”


“Knox estivera ausente por dois meses, e conseguiu realizar todas as expectativas, apesar das terríveis caminhadas pela floresta, dos lagos congelados, das tempestades de neve, dos degelos, das montanhas selvagens e dos vários acidentes que muitas vezes teriam desencorajado um espírito menos forte. Ele foi bem-sucedido no seu plano, ousado e praticamente impossível, e logo no momento certo, justificando, assim, toda a confiança que Washington depositara nele. Por semanas, a história daquela expedição, seria narrada, muitas e muitas vezes, no meio do exército, e nos anos que se seguiram.
Partindo de Cambridge a cavalo, no dia 16 de novembro, Knox e seu irmão William viajaram primeiro até à cidade de Nova York, onde fizeram arranjos para o envio de suprimentos militares a Boston, e em seguida apressaram-se em direção ao norte, subindo até o Hudson Valley, percorrendo às vezes até 65 quilômetros num só dia.
Chegaram ao forte de Ticonderoga em 5 de dezembro. Construído pelos franceses em 1755, no início da Guerra Francesa e Indígena, o forte de pedra calcária foi tomado pelos britânicos em 1759, e depois pelos norte-americanos em maio de 1775. Situava-se na extremidade sul do lago Champlain, onde este se encontra com a parte norte do lago George.
As armas que Knox fora buscar eram na maioria francesas: morteiros, canhões de 12 e 18 libras (ou seja, canhões que lançavam balas de 5,5 quilos e 8 quilos) e um gigantesco canhão de bronze, de 24 libras (balas de quase 11 quilos). Nem todas as armas estavam em boas condições de uso. Após examiná-las, Knox selecionou 58 morteiros e canhões. Três dos morteiros pesavam, cada um, uma tonelada, e o canhão de 24 libras, mais de 2,2 toneladas. Acreditava-se que a carga inteira pesasse não menos que 54,5 toneladas.
O plano era transportar as armas por barco, descendo o lago George – ainda não completamente congelado. Na extremidade sul do lago teria início, então, o longo processo de leva-las por terra até Albany, ao sul, antes de volver para o leste, em direção a Boston, pelas montanhas de Berkshire. A distância a ser coberta era de aproximadamente 485 quilômetros. Knox planejava transportar as armas em trenós de grande porte, e contara para isso com a neve, mas até ali apenas uma fina camada de poeira gelada cobria o solo. 
Com o auxílio de soldados locais e de homens contratados, imediatamente ele se pôs em ação. Só o traslado das armas desde o forte até o cais de embarque mostrou ser uma tarefa dificílima. A descida pelo lago George, de cerca de 64 quilômetros demorou 8 dias. Três barcos, com sua imensa carga, largaram velas em 9 de dezembro, e nas primeiras horas tiveram um vento favorável. Após isso, a progressão se fez sob as “piores dificuldades”. Na verdade, segundo as apressadas e quase ilegíveis passagens do diário de Knox, a primeira hora sobre o lago parece ter sido a única, em todo o percurso, que não trouxe as “piores dificuldades”.
Uma das embarcações, um saveiro, bateu numa rocha e afundou, embora suficientemente perto da praia para que se pudesse retirar a água, reparar o estrago e mais uma vez fazê-la navegar. Knox registrou as ocasiões em que foi necessário remar com toda a força contra implacáveis ventos contrários –  num dia, 4 horas a “remar com extraordinário esforço”, em outro, 6 horas “a remar com esforço extraordinário”. Em certos lugares, os barcos tinham de abrir caminho pelo gelo. O irmão de Knox, Wiliam escreveu ao final de 14 de dezembro: “Batendo os remos o tempo todo contra o vento... Que Deus nos mande um vento bom.” As noites na praia eram terrivelmente frias.
“Não é fácil imaginar as dificuldades que temos enfrentado”, escreveu Knox a Washington, ao final da viagem pelo lago, numa carta de 17 de dezembro e que só chegaria a Cambridge quase ao mesmo tempo em que ele próprio chegou.
No caminho para o norte, com destino a Ticonderoga, Knox determinara que se reunissem  ou fabricassem trenós comuns ou de carga, num total de quarenta e dois, e que os mesmos estivessem disponíveis no forte George, na extremidade sul do lago George, a aproximadamente 56 quilômetros ao sul de Ticonderoga. (“Peço-lhe, com a maior seriedade, que não se poupem esforços, ou as despesas que forem necessárias”, disse a um oficial local.) Com os trenós, e mais 80 parelhas de bois, Knox agora estava preparado para prosseguir. “Confiando que... teremos uma boa nevasca... Espero que dentro de 16 ou 17 dias nós possamos apresentar a Vossa Excelência um nobre carregamento de artilharia”. 
À sua mulher, Knox afirmou que a parte mais difícil já havia passado, e conjeturou: “Não será pouco o que iremos arrasar pelo país todo, com os nossos canhões.” 
Mas a neve continuava sem cair. Em vez disso, um “cruel degelo” teve início, impedindo o avanço por vários dias. O caminho sul para Albany exigia quatro travessias do Hudson. Com a camada de gelo tão fina sobre o rio, a pesada caravana teve de permanecer parada no forte George, à espera de que o tempo mudasse. Quando aconteceu essa mudança, veio uma forte nevasca. Noventa centímetros de neve caíram no início do dia de Natal. Determinado a prosseguir sozinho para Albany, Knox quase morreu congelado, lutando a pé contra a neve, até achar cavalos e um trenó para completar o caminho.
Por fim, “o precioso comboio” partiu do forte George. “Nossa cavalgada era muito imponente”, lembrou John Becker, que aos 12 anos havia acompanhado o pai, um dos guias da expedição. Eles seguiam vagarosamente, laboriosamente, sob pesada neve, passando pelo vilarejo de Saratoga, depois por Albany, onde Knox começou a fazer furos na camada de gelo do Hudson, a fim de reforçá-la. (A ideia era de que a água, subindo pelo furos, se espalharia sobre a superfície e congelaria, engrossando assim, gradualmente, a camada de gelo.) 
No dia do Ano-Novo, o tempo voltou a esquentar. “Está se perdendo um precioso tempo”, escreveu a Lucy. “O degelo tem sido tão sério, que chego a tremer pelas consequências, pois, sem a neve, a minha carga tão importante não poderá partir”. 
Mas a temperatura caiu de novo. Em 7 de janeiro, o general Schuyler escreveu a Washington, de seu quartel em Albany: “Esta manhã tive a satisfação de ver a primeira divisão de trenós atravessar o rio com canhões”.
Eles se deslocavam cautelosamente sobre o rio, e por muitas horas pareceu que os furos feitos por Knox tinham dado certo. Quase 12 trenós já haviam atravessado sem incidentes, quando de repente um dos canhões maiores, um de 18 libras (balas de pouco mais de oito quilos), arrebentou a camada de gelo e afundou, não muito longe da praia, deixando um buraco de mais de 4 metros de diâmetro. Sem se deixar abalar, Knox logo iniciou os trabalhos para recuperar o canhão do fundo do rio, perdendo um dia inteiro nessa operação, porém conseguindo ao fim, como escreveu: “Graças à ajuda da boa gente de Albany”.
Em 9 de janeiro, a expedição partiu da margem leste do Hudson, tendo pela frente mais de 160 quilômetros de percurso. A neve em Berkshire estava espessa, exatamente como precisava, mas as montanhas, íngremes, desordenadas e cortadas por profundos e estreitos vales, eram o pior desafio de todos. Knox, sem nenhuma experiência prévia num terreno daqueles, descreveu a subida dos picos “de onde quase poderíamos ver todos os reinos da terra”. 
“Para mim, era quase um milagre que homens com uma carga tão pesada fossem capazes de subir e descer aquelas montanhas”, dizia outra passagem do seu diário.
Para conter os trenós carregados pelas descidas, tão íngremes como telhados, foram amarradas cordas de contenção às árvores. Arbustos e correntes eram colocadas por baixo dos esquis. Quando alguns do seu grupo, com medo do perigo, se recusaram a prosseguir, Knox passou três horas discutindo e apelando, até que eles finalmente concordaram em seguir em frente.
Em Springfield, a fim de acelerar o ritmo, Knox trocou os bois por cavalos. Na etapa final da jornada, o número de curiosos que assistia a jornada crescia a cada dia. 
Finalmente, pararam em Framingham, a cerca de 32 quilômetros a oeste de Boston. As armas foram descarregadas, enquanto Knox partia a toda pressa para Cambridge.
Chegara intacto o “nobre comboio” de Knox. Nem uma só arma foi perdida. Centenas de homens haviam participado, e o seu trabalho e resistência foram excepcionais. Mas foi a ousadia e a determinação do próprio Knox foi o que contou acima de tudo. O vendedor de livros de Boston, de 25 anos, havia mostrado ser um líder de notável capacidade, um homem não só capaz de arriscar ideias, mas também dotado do poder de torná-las reais. Imediatamente, ele foi colocado por Washington no comando da artilharia."


“O total da armada britânica – ancorada agora em um “longo e espesso agrupamento” nas costas de Staten Island – chegava quase a 400 navios, grandes e pequenos, 73 navios de guerra, incluindo 8 navios das forças regulares, cada um com 50 canhões ou mais. Como comentavam alegremente entre si os oficiais britânicos, era a maior frota jamais vista em águas norte-americanas. Na verdade, foi a maior expedição do século XVIII, a maior e a mais poderosa força que a Grã-Bretanha, ou qualquer outra nação jamais produzira.
Pela proporção do que se passava nas colônias norte-americanas em 1776, era uma demonstração de poder militar que ultrapassava a imaginação. No total, 32 mil soldados haviam desembarcado em Staten Island, uma força bem armada, treinada e equipada, mais numerosa do que toda a população Nova York, ou mesmo da Filadélfia, que era a maior cidade da América, com cerca de 30 mil habitantes.”


“Para Charles Willson Peale, caminhando pelo meio dos soldados no litoral da Pensilvânia, aos primeiros clarões da manhã  seguinte, aqueles homens davam a impressão de serem os mais infelizes que ele jamais vira. Um deles quase não tinha roupa alguma. “Estava com um velho e sujo casaco feito com um lençol, a barba comprida, o rosto tão cheio de feridas que nem podia limpá-lo”. De tal forma “desfigurado” ele estava, que Peale não conseguiu logo reconhecer aquele homem: era seu próprio irmão, James Peale, que chegara com uma unidade de Maryland do batalhão da retaguarda.”

     
“A aflição é a época radiante de um homem de bem.” (Edward Young)


“De todos os oficiais generais que participaram do cerco a Boston, apenas dois ainda serviam quando da rendição britânica em Yorktown: Washington e Greene. Henry Knox, que se tornara general de brigada após a batalha de Trenton, e que lutou em todas as batalhas que Washington tomou parte, também estava presente em Yorktown. Greene e Knox, os dois jovens inexperientes da Nova Inglaterra, selecionados por Washington no início como a melhor “matéria-prima” com quem teria de trabalhar, mostraram ambos possuir verdadeira grandeza e permaneceram na luta até o final. 
O apoio financeiro vindo da França e da Holanda, e o militar do exército e da marinha francesas, desempenhariam um grande papel no resultado final. Mas em última análise, foi Washington e o seu exército que venceram a guerra da independência norte-americana. O destino da guerra e da revolução se deveu ao exército. O Exército Continental – e não o controle do rio Hudson, ou o domínio de Nova York, ou da Filadélfia – foi a chave da vitória. E foi Washington quem manteve unido o exército, dando-lhe ânimo por todo o mais desesperado dos tempos.
       Ele não era um brilhante estrategista ou tático, nem um orador talentoso, e também não era um intelectual. Por diversos momentos cruciais, demonstrou uma acentuada indecisão. Cometeu vários erros de julgamento. Porém, a experiência foi sempre o seu maior mestre, desde a infância, e no seu grande teste ele aprendeu inabalavelmente com a experiência. Acima de tudo, Washington nunca se esqueceu de tudo o que estava em risco, e em momento algum desistiu.”

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